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Zhou Hei Ya e Juewei mudam modelo de venda de pato — franquias brasileiras de snacks sob pressão para diversificar

· Redação CBI

As gigantes chinesas de lanches de pato Zhou Hei Ya e Juewei estão abandonando a estratégia de expansão por abertura de lojas próprias e migrando para canais externos e refeições completas, sinalizando que o modelo de franquia pura no setor de snacks enfrenta limites de crescimento — tendência qu...

Zhou Hei Ya, Juewei Food e Huang Shang Huang divulgaram seus balanços do primeiro semestre de 2026 e o quadro é desigual: a Juewei viu receita cair 10,82% para 2,515 bilhões de yuans (cerca de USD 350 milhões) e lucro líquido recuar 23,16%; a Huang Shang Huang cresceu 24,53%, mas puxada pela incorporação do negócio de alimentos liofilizados, enquanto seu segmento tradicional de carnes cozidas em molho caiu 14,34%. Já a Zhou Hei Ya cresceu 19,5%, mas o dado que importa é outro: as vendas fora de suas lojas próprias saltaram 80,4%, com o canal offline avançando 207,2%. A empresa já coloca produtos em mais de 50 mil pontos de venda, incluindo Sam's Club e Pang Dong Lai, contra apenas 2.972 lojas próprias. Para o leitor brasileiro do setor de alimentação e franquias, o recado é direto: o modelo de crescer apenas abrindo loja está dando sinais de esgotamento também no maior mercado de snacks do mundo. O fato central é que as três principais marcas chinesas de lanches de pato — Zhou Hei Ya, Juewei Food e Huang Shang Huang — apresentaram resultados semestrais que revelam uma inflexão estratégica. A Juewei, líder do setor, registrou receita de 2,515 bilhões de yuans (aproximadamente USD 350 milhões), queda de 10,82% ano a ano, com lucro líquido de 135 milhões de yuans, recuo de 23,16%. Seu carro-chefe, os produtos frescos, caiu 13,89% para 1,819 bilhão de yuans. A Huang Shang Huang cresceu 24,53% em receita, para 1,226 bilhão de yuans, mas o avanço veio quase todo do negócio de alimentos liofilizados recém-incorporado; o segmento tradicional de carnes cozidas em molho caiu 14,34% para 528 milhões de yuans. A Zhou Hei Ya, por sua vez, cresceu 19,5% para 1,461 bilhão de yuans, mas o motor foi o canal externo: as vendas online e offline fora das lojas próprias subiram 80,4%, com o offline disparando 207,2%. Em junho, a empresa tinha 2.972 lojas, apenas 108 a mais que no ano anterior, mas seus produtos já estavam em mais de 50 mil pontos de venda, incluindo Sam's Club, Pang Dong Lai, lojas de snacks a granel e conveniências. A Juewei, por sua vez, começou a testar refeições completas — arroz com coxa de pato, panela picante de pato, panela de carne bovina — e novos formatos de loja como Juewei PLUS, Juewei Xianlu e Juewei Baobao, mirando café da manhã, almoço e jantar. Por que isso chega ao Brasil? O mercado brasileiro de alimentação rápida e franquias de snacks vive dilema semelhante. Redes como Giraffas, Habib's e franquias de açaí e salgados enfrentam saturação em shoppings e ruas comerciais, com custo de ponto físico e delivery corroendo margem. A migração chinesa para canais externos — supermercados de membresia, conveniências, atacarejos — espelha o que já ocorre no Brasil com marcas como Vigor, Perdigão e Seara, que ampliaram presença em Sam's Club, Assaí e Carrefour. O impacto direto para o empresário brasileiro é indireto, via benchmark: se as chinesas, com escala de milhares de lojas, concluem que abrir ponto físico já não compensa sozinho, franqueadores brasileiros de menor porte precisam repensar contratos de franquia, mix de produto e canais alternativos. Reguladores como ANVISA e MAPA não são diretamente afetados, mas a Receita Federal e o CADE devem observar fusões e incorporações no setor de alimentos prontos, tendência que pode chegar via aquisições de marcas brasileiras por fundos asiáticos. Os dados mostram que a Zhou Hei Ya reduziu o ritmo de abertura de lojas para menos de 4% ao ano, enquanto o canal externo cresceu 80,4%. Na leitura do CBI, isso indica que o setor de snacks de pato chinês está migrando de um modelo de varejo verticalizado para um modelo de marca-canal, em que a empresa vende onde o consumidor já está, não onde ela quer que ele vá. É a mesma lógica que levou a Coca-Cola a priorizar distribuição sobre pontos de venda próprios. Para o Brasil, a implicação é que redes de franquia que insistirem apenas na abertura de lojas podem perder competitividade para marcas que entrarem em atacarejos e conveniências com produto embalado de maior validade. A Juewei, ao testar refeições completas, sinaliza outra frente: transformar a loja de snack em ponto de refeição rápida, o que no Brasil equivale a franquias de marmita e comida japonesa que já operam almoço e jantar no mesmo ponto. O que acompanhar: primeiro, o ritmo de abertura de lojas da Juewei e Zhou Hei Ya no segundo semestre de 2026 — se continuar abaixo de 5%, confirma a tese de esgotamento do modelo de franquia pura. Segundo, anúncios de parcerias com redes de supermercados e conveniências no Brasil por marcas asiáticas de snacks, o que pode indicar transbordamento da tendência. Terceiro, movimentos de fusão e aquisição no setor brasileiro de alimentação pronta, com possível entrada de capital chinês via fundos de private equity sediados em Xangai e Shenzhen.

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