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Zhejiang aposta em energia limpa marinha até 2030 — fornecedores brasileiros de eólicas offshore entram no radar
· CBI 编辑部
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A província chinesa de Zhejiang anunciou a construção de um cluster industrial de energia limpa marinha com escala superior a 300 bilhões de yuans (cerca de USD 41 bilhões) até 2030, sinalizando demanda massiva por turbinas eólicas, cabos submarinos e estruturas flutuantes — segmentos onde fornec...
A província de Zhejiang, no litoral leste da China, formalizou a criação de um cluster industrial dedicado à energia limpa marinha, com meta de ultrapassar 300 bilhões de yuans (aproximadamente USD 41 bilhões) em escala até 2030. O plano abrange eólica offshore, energia solar flutuante, hidrogênio verde marítimo e cadeia de suprimentos de equipamentos navais. Para o Brasil, o movimento importa por dois canais: primeiro, a China consolida capacidade industrial que pressiona preços globais de turbinas e componentes, afetando projetos brasileiros de eólica offshore no Nordeste; segundo, abre janela para exportadores brasileiros de aço estrutural, resinas epóxi e cabos especiais que já fornecem para estaleiros chineses.
O governo provincial de Zhejiang anunciou a construção de um cluster industrial de energia limpa marinha com meta de escala superior a 300 bilhões de yuans (cerca de USD 41 bilhões) até 2030. O projeto integra parques eólicos offshore, usinas solares flutuantes, produção de hidrogênio verde em plataformas marítimas e uma cadeia de fornecedores de equipamentos navais e subsea. Zhejiang já concentra alguns dos maiores estaleiros e fabricantes de turbinas do país, e o plano busca verticalizar a produção local, reduzindo dependência de componentes importados da Europa e do Japão.
Por que isso chega ao Brasil: o país tem hoje uma fila de projetos de eólica offshore em licenciamento ambiental, especialmente no Ceará, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul. A capacidade chinesa de produzir turbinas e fundações em escala tende a derrubar preços globais — o que é positivo para o custo de implantação, mas pressiona fornecedores locais que ainda engatinham. Além disso, exportadores brasileiros de aço estrutural, resinas epóxi para pás eólicas e cabos submarinos já vendem para estaleiros chineses e podem capturar demanda adicional. O BNDES e a ANEEL, que regulam leilões de transmissão e geração, precisam acompanhar se a onda de equipamentos chineses chegará ao Brasil via importação direta ou via joint ventures com fabricantes locais.
Os dados mostram que a China já responde por mais de 60% da capacidade global de fabricação de turbinas eólicas. Na leitura do CBI, o cluster de Zhejiang não é apenas uma política industrial doméstica — é um movimento de posicionamento para exportar o excedente de produção para mercados emergentes, incluindo o Brasil. Isso pode acelerar a curva de aprendizado brasileira em eólica offshore, mas também repetir o padrão visto na solar: preços baixos chineses inviabilizando fábricas locais antes que atinjam escala. A diferença é que, no setor eólico, o conteúdo local ainda é exigido em alguns leilões, o que dá algum fôlego à indústria nacional.
O que acompanhar: primeiro, a publicação dos decretos provinciais de Zhejiang detalhando incentivos fiscais e metas de conteúdo local — isso indica se haverá espaço para fornecedores estrangeiros. Segundo, os leilões brasileiros de eólica offshore previstos para 2025-2026, que definirão se equipamentos chineses entram via importação ou via parcerias com fabricantes como WEG e Aeris. Terceiro, a variação dos preços de aço estrutural no mercado interno chinês, que sinaliza a demanda por insumos brasileiros.
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