Macro & Mercados

Yiwu supera 100 milhões de declarações de importação — logística Brasil-China ganha escala e pressão por prazo

· Redação CBI

A alfândega de Yiwu, principal hub de e-commerce transfronteiriço da China, ultrapassou 100 milhões de declarações de importação em 2025 mais de 40 dias antes do ano passado, sinalizando maior volume de mercadorias asiáticas chegando ao Brasil e exigindo que importadores e operadores logísticos

A alfândega de Yiwu, subordinada à alfândega de Hangzhou, informou em 17 de outubro que o volume de declarações de importação de comércio eletrônico transfronteiriço supervisionado na cidade ultrapassou 100 milhões este ano, marca atingida mais de 40 dias antes do que em 2024 e recorde histórico para o período. Nos primeiros três trimestres, foram 96,05 milhões de declarações, com valor de mercadorias de 23,779 bilhões de yuans (cerca de USD 3,3 bilhões), alta anual de 25,1% e 28,18%, respectivamente. Para o importador brasileiro que compra de fornecedores asiáticos via e-commerce ou consolida carga em Yiwu, o dado antecipa maior disputa por espaço aéreo e marítimo e possível alongamento de prazos de desembaraço no fim do ano. A alfândega de Yiwu, subordinada à alfândega de Hangzhou, divulgou em 17 de outubro os dados mais recentes: até aquela data, o volume de declarações de importação de comércio eletrônico transfronteiriço supervisionado pela alfândega de Yiwu ultrapassou 100 milhões de declarações este ano, atingindo a marca mais de 40 dias antes do que no ano passado e estabelecendo novo recorde histórico para o mesmo período. As mercadorias importadas abrangem mais de 70 mil categorias — alimentos, cosméticos, leite em pó infantil e brinquedos — provenientes de mais de 90 países e regiões. Atualmente, a Zona de Supervisão Aduaneira Abrangente de Yiwu e o Centro de Logística Aduaneira de Yiwu concentram mais de 130 empresas de comércio eletrônico transfronteiriço. Nos primeiros três trimestres, o volume de declarações de importação atingiu 96,05 milhões, com valor de mercadorias de 23,779 bilhões de yuans, crescimentos anuais de 25,1% e 28,18%, respectivamente. Por que isso chega ao Brasil: Yiwu é um dos principais pontos de consolidação de carga para o comércio eletrônico transfronteiriço que abastece o mercado brasileiro, especialmente nas rotas de importação de pequenos volumes via transportadoras internacionais e plataformas de e-commerce. O aumento de 25% no volume de declarações e de 28% no valor indica que mais mercadorias asiáticas — eletrônicos de consumo, utensílios domésticos, brinquedos, cosméticos e itens de vestuário — devem chegar aos portos e aeroportos brasileiros nos próximos meses. O impacto direto é indireto, via pressão sobre a malha logística: importadores brasileiros que dependem de consolidação em Yiwu podem enfrentar prazos mais longos de coleta e embarque, custos de frete aéreo mais altos no quarto trimestre e maior concorrência por espaço em voos cargueiros e navios. A Receita Federal, por meio do programa Remessa Conforme, e operadores de logística como Correios e transportadoras privadas precisam acompanhar o volume adicional para calibrar fiscalização e capacidade de desembaraço. Os dados mostram que o crescimento do e-commerce transfronteiriço chinês segue acelerado e que Yiwu consolidou-se como hub de importação, não apenas de exportação. Na leitura do CBI, isso indica que o Brasil deve continuar sendo destino relevante para esse fluxo, mas o ganho de escala chinês não se traduz automaticamente em benefício para o importador brasileiro: o aumento de volume tende a elevar custos logísticos e a pressionar prazos, sobretudo em período de pico de fim de ano. A comparação com anos anteriores — a marca de 100 milhões foi atingida mais cedo — sugere que a temporada de compras do quarto trimestre será mais intensa, o que pode se refletir em maior tempo de espera em aeroportos e portos brasileiros e em custos de frete mais voláteis. O que acompanhar: primeiro, a evolução do volume de declarações em Yiwu nas próximas semanas, para confirmar se o ritmo recorde se sustenta até dezembro; segundo, os indicadores de prazo médio de desembaraço na Receita Federal para remessas internacionais, especialmente no Aeroporto de Guarulhos e em Viracopos; terceiro, as tarifas de frete aéreo e marítimo nas rotas China-Brasil, que devem reagir ao aumento de demanda. Para importadores, vale revisar contratos de frete e estoques de segurança para o quarto trimestre.

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