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WeRide usa Singapura como trampolim para ASEAN — montadoras brasileiras perdem espaço na corrida do carro autônomo

· Redação CBI

A chinesa WeRide, de veículos autônomos, está usando Singapura como base regional para expandir na Malásia e Tailândia, superando barreiras regulatórias e de dados.

A WeRide, empresa chinesa de direção autônoma, está transformando Singapura em sua sede regional para expandir operações na Malásia e Tailândia, segundo podcast da Caixin. O movimento envolve superar barreiras de licenciamento, conformidade de dados e custos operacionais locais, com apoio do UOB (United Overseas Bank). Para o Brasil, a notícia acende um alerta: enquanto a China avança na padronização de veículos autônomos no Sudeste Asiático, montadoras e startups brasileiras ainda engatinham em regulação e infraestrutura, e podem perder competitividade em nichos como logística e transporte urbano. A WeRide, fabricante chinesa de veículos autônomos, está usando Singapura como base para expandir sua operação na ASEAN, com planos de entrar na Malásia e Tailândia. A informação foi discutida no podcast "Explorando o Caminho ASEAN", da Caixin Media, com a participação de Li Xuan, diretora financeira e chefe internacional da WeRide, e Xin Tao, chefe do Departamento de Banco Atacadista do UOB China. A empresa, que já opera nos Emirados Árabes Unidos desde 2021, enfrenta desafios que vão além da tecnologia: licenças "difíceis de obter" em Singapura, conformidade de dados, custos operacionais como recarga, lavagem de veículos e manutenção, além de flutuações cambiais e exigências locais de direito e tributação. Li Xuan destacou que a maior barreira no exterior é a "conexão entre pessoas" — ou seja, traduzir a força tecnológica em linguagem reconhecida por reguladores e encontrar parceiros de longo prazo. O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante. O país vive um momento de definição regulatória para veículos autônomos, com projetos-piloto em São Paulo e Brasília, e o avanço chinês na ASEAN pode acelerar a pressão por padrões internacionais. Montadoras brasileiras, como Marcopolo e Randon, e startups de mobilidade autônoma precisam acompanhar de perto a estratégia da WeRide, que já sinalizou interesse em mercados emergentes. Além disso, o modelo de operação regionalizada — com sede em Singapura e parcerias bancárias locais — pode servir de referência para empresas brasileiras que buscam expandir na América Latina, especialmente em logística de última milha e transporte de carga. Os dados mostram que a WeRide já percorreu mais de 20 milhões de quilômetros autônomos e tem parcerias com montadoras como Nissan e Renault. Na leitura do CBI, isso indica que a empresa está montando um ecossistema de cooperação que pode excluir players brasileiros se estes não se posicionarem. A fala de Xin Tao sobre a mudança "do pequeno para o grande, do curto para o longo" — de operações pontuais para investimentos em P&D, ativos e talentos — sugere que a competição por talentos e propriedade intelectual na área de direção autônoma vai se acirrar. O Brasil, que já sofre com fuga de cérebros em tecnologia, pode sentir esse efeito. O que acompanhar: 1) A publicação de normas da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) sobre veículos autônomos, prevista para o segundo semestre; 2) Anúncios de parcerias entre montadoras brasileiras e empresas chinesas de tecnologia, como a BYD, que já produz em Camaçari (BA); 3) A evolução da regulamentação de proteção de dados (LGPD) para veículos conectados, que pode facilitar ou barrar a entrada de soluções chinesas no país.

Nota sobre a fonte

A Caixin tende a enquadrar a expansão da WeRide como case de sucesso institucional e parceria estratégica, minimizando barreiras regulatórias e custos operacionais no exterior.

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