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Volume de tokens de IA na China explode mil vezes — fornecedores brasileiros de energia e data centers entram no radar
· Redação CBI
Eletrônicos e máquinas
O volume diário de chamadas de tokens de IA na China saltou de 100 bilhões no início de 2024 para 140 trilhões em março de 2026, crescimento de mais de mil vezes em dois anos.
A China divulgou na Conferência de Imprensa do Livro Azul da Cúpula de Wuzhen da Conferência Mundial da Internet de 2026 que o volume diário de chamadas de tokens de inteligência artificial no país passou de cerca de 100 bilhões no início de 2024 para 140 trilhões em março de 2026 — expansão superior a mil vezes em apenas dois anos. O dado, apresentado pela Administração do Ciberespaço da China em conjunto com Xinhua e CCTV, é o indicador mais direto já publicado sobre a escala de adoção da IA na economia chinesa. Para o empresário brasileiro, o número não é curiosidade estatística: ele antecipa pressão adicional sobre a demanda chinesa por energia elétrica, equipamentos eletrônicos e capacidade de data centers — segmentos em que o Brasil já é fornecedor relevante e onde empresas brasileiras com operações na China competem por insumos e infraestrutura.
O dado central divulgado em Wuzhen é o volume diário de chamadas de tokens — unidade que mede o processamento de linguagem por modelos de IA —, que saiu de aproximadamente 100 bilhões no começo de 2024 para 140 trilhões em março de 2026. O crescimento de mais de mil vezes em dois anos reflete a incorporação acelerada da inteligência artificial em setores da economia e da sociedade chinesa, movimento que o governo classifica como a nova forma de 'economia inteligente', direção central da evolução da economia digital do país. A conferência reuniu dados da Administração do Ciberespaço da China, Xinhua, China News Service e CCTV, com edição de Qiao Yeqiong e design de Liu Linyuan.
Por que isso chega ao Brasil: a expansão de mil vezes no processamento de IA implica demanda correspondente por três insumos que o Brasil fornece ou disputa. Primeiro, energia elétrica — data centers de IA são consumidores intensivos, e a China já opera o maior parque de data centers da Ásia; qualquer aceleração adicional pressiona a matriz energética chinesa e abre espaço para fornecedores de equipamentos elétricos, transformadores e soluções de eficiência energética, setor em que empresas brasileiras de médio porte têm nicho. Segundo, semicondutores e eletrônicos — o Brasil importa da China componentes e bens finais, e a demanda interna chinesa por chips pode desviar oferta e alterar preços de importação para montadoras e fabricantes brasileiros de eletrônicos. Terceiro, infraestrutura de data centers — empresas brasileiras com operações na China, especialmente em serviços digitais e logística, precisarão revisar contratos de capacidade de nuvem e conectividade. O impacto direto para exportadores brasileiros de commodities é indireto, via demanda chinesa por energia e metais críticos usados em equipamentos de IA.
A interpretação do CBI: os dados mostram que a adoção de IA na China deixou de ser fase piloto e entrou em escala industrial — 140 trilhões de tokens por dia é volume compatível com uso massivo em atendimento ao cliente, manufatura, logística e serviços financeiros. Na leitura do CBI, isso indica que a China está convertendo IA em produtividade econômica mensurável, o que reforça a competitividade de suas exportações e pressiona cadeias brasileiras que competem com produtos chineses em terceiros mercados. A comparação com eventos anteriores é elucidativa: em 2023, o debate chinês sobre IA girava em torno de regulação e pilotos; em 2026, o debate é sobre capacidade energética e infraestrutura — sinal de que a restrição deixou de ser tecnológica e passou a ser física. Para o Brasil, o risco é duplo: perder competitividade em setores intensivos em IA e não capturar a demanda chinesa por insumos energéticos e minerais críticos que o país possui.
O que acompanhar: primeiro, a publicação do Livro Azul completo da Cúpula de Wuzhen, prevista para as próximas semanas, que deve detalhar por setor onde o volume de tokens está concentrado — dado que permite mapear quais cadeias brasileiras serão mais afetadas. Segundo, os leilões de energia e os planos de expansão de data centers no Brasil, que precisam considerar a competição global por equipamentos elétricos e semicondutores puxada pela demanda chinesa. Terceiro, os dados mensais de importação brasileira de eletrônicos e componentes da China, divulgados pela Receita Federal e pelo MDIC, para detectar desvio de oferta e pressão de preços já no segundo trimestre de 2026.
Nota sobre a fonte
A mídia oficial chinesa, como Xinhua, CCTV e Administração do Ciberespaço da China, enquadra o dado como avanço da 'economia inteligente' e minimiza custos energéticos e riscos de oferta de semicondutores.
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