Tecnologia
Vacina chinesa contra câncer de pulmão atinge 95% de controle — o que isso sinaliza para a oncologia brasileira
· Redação CBI
A vacina personalizada LK101, do Hospital de Câncer da Academia Chinesa de Ciências Médicas, apresentou taxa de controle de doença de 95,2% em NSCLC avançado no ESMO 2026; o dado reforça a corrida global por vacinas neoantigênicas e pressiona hospitais e laboratórios brasileiros a acompanhar
A equipe dos professores Wang Jie, Wang Zhijie e Duan Jianchun, do Hospital de Câncer da Academia Chinesa de Ciências Médicas, apresentou em 24 de outubro, no congresso anual de 2026 da ESMO em Madri, os resultados de fase Ib/IIa da vacina de células dendríticas personalizada contra neoantígenos LK101 combinada com tislelizumabe, usada como manutenção de primeira linha em câncer de pulmão de células não pequenas localmente avançado ou metastático. Entre 21 pacientes avaliáveis, a taxa de controle da doença chegou a 95,2%, com sobrevida livre de progressão mediana ainda não atingida e taxas de PFS de 85,4% em 9 meses e 70,4% em 12 meses. O dado chega ao Brasil não como aprovação regulatória, mas como sinal de que a fronteira terapêutica do câncer de pulmão — o tumor mais letal do país — está se deslocando para combinações imunológicas personalizadas.
O fato central é a divulgação, em apresentação oral rápida no ESMO 2026, dos dados de fase Ib/IIa da LK101, vacina de células dendríticas carregada com neoantígenos personalizados, combinada ao anticorpo anti-PD-1 tislelizumabe, em terapia de manutenção de primeira linha para NSCLC localmente avançado ou metastático. Até 31 de março de 2026, entre 21 pacientes avaliáveis, a taxa de resposta objetiva foi de 19,0% (quatro respostas parciais confirmadas) e a taxa de controle da doença atingiu 95,2% (20 pacientes). O acompanhamento mediano foi de 9,5 meses a partir do início da primeira linha, com PFS mediana ainda não atingida e taxas de PFS de 85,4% e 70,4% em 9 e 12 meses. O desenho é específico: os pacientes primeiro recebem de quatro a seis ciclos de quimioterapia dupla à base de platina com anti-PD-1, confirmam ausência de progressão e só então entram na manutenção com LK101 mais tislelizumabe; casos não escamosos podem ainda usar pemetrexede. Ou seja, a vacina não substitui a primeira linha padrão — ela tenta prolongar o controle obtido por ela.
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