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Startup de IA que a Tencent adotou levanta US$ 90 mi — o que muda para o ecossistema brasileiro de agentes

· Redação CBI
Eletrônicos e máquinas

A Nous Research, criadora do agente de código aberto Hermes (apelidado de 'Hermès' pelos devs chineses), captou US$ 90 milhões com Nvidia, Microsoft e Samsung, e já é usada pela Tencent e Xiaomi.

A Nous Research, startup americana dona do agente de código aberto Hermes, anunciou em 7 de outubro uma rodada de US$ 90 milhões liderada pela Robot Ventures, com participação de Nvidia, M12 (Microsoft), Samsung e Y Combinator, alcançando avaliação de US$ 1,5 bilhão — cerca de R$ 8 bilhões. O ativo que atraiu esse capital não é um modelo de fronteira, mas um framework de agentes que a Tencent já embarcou em seu serviço de nuvem LightVela, com integração direta ao WeChat, e que a Xiaomi usa como fonte de modelos via OpenRouter. Para o mercado brasileiro, o movimento importa porque sinaliza que a camada de orquestração de agentes — não o modelo em si — está virando o novo campo de batalha de infraestrutura, e as big techs chinesas já escolheram seu cavalo. O Hermes não é um modelo de linguagem próprio. É um framework de código aberto sob licença MIT, aberto em fevereiro de 2026, que permite a qualquer desenvolvedor baixar, modificar e implantar o agente gratuitamente. Sua função é orquestrar modelos de base distintos, chamar ferramentas externas, decompor tarefas e — este é o diferencial — sedimentar fluxos operacionais bem-sucedidos como 'habilidades' reutilizáveis em tarefas futuras. Na prática, se um usuário pede ao Hermes para organizar um lote de documentos, ele busca arquivos, extrai dados e resume resultados; se o fluxo funcionou, vira uma habilidade chamável depois. Em maio deste ano, o uso diário de tokens do Hermes no OpenRouter atingiu 271 bilhões, superando o OpenClaw e assumindo o topo do ranking de chamadas da plataforma. A Xiaomi declarou que seu modelo MiMo contribuiu com cerca de 1,45 trilhão de chamadas de tokens em aproximadamente um mês. A Nous afirma que o Hermes acumulou mais de 24 milhões de clones e estima que 2,5% do uso global de tokens de IA passe por aplicações ligadas a ele. Por que isso chega ao Brasil? Porque a Tencent transformou o Hermes em produto comercial de nuvem. O LightVela, da equipe Tencent Lightweight Cloud, é construído sobre o Hermes Agent, oferece hospedagem em nuvem e integra o agente a WeChat, QQ, WeCom, Feishu e DingTalk — a mídia chinesa o chama de 'versão chinesa do Muse'. Esse é o mesmo playbook que a Tencent Cloud e a Alibaba Cloud vêm executando no Brasil via parceiros locais: empacotar infraestrutura de IA para empresas que não querem montar stack própria. Se o LightVela cruzar a fronteira — e a Tencent já opera data centers e parcerias de nuvem no país —, integradores brasileiros, ISVs e áreas de TI de médio porte passam a ter uma alternativa pronta a Azure AI Foundry e AWS Bedrock. O impacto direto é indireto, via pressão competitiva sobre preço e disponibilidade de agentes corporativos no mercado brasileiro. Os dados mostram que o Hermes já tem tração real de desenvolvedores: 24 milhões de clones e 2,5% do consumo global de tokens não são números de projeto experimental. Os dados também mostram que a monetização ainda é nebulosa — o produto é gratuito, e a empresa não divulgou receita. Na leitura do CBI, o que a rodada realmente compra não é o Hermes em si, mas a posição de 'camada de orquestração padrão' que a Nous tenta ocupar antes que OpenAI, Anthropic ou Google fechem esse espaço com soluções proprietárias. É o mesmo movimento que a Tencent fez ao apostar em um agente aberto em vez de desenvolver o próprio: barato, rápido e com lock-in via nuvem. Para o Brasil, a comparação relevante é com o que aconteceu na onda de RPA (automação robótica de processos) entre 2018 e 2021 — quem adotou cedo ganhou eficiência, quem esperou pagou licenças caras depois. O que acompanhar: primeiro, se a Tencent Cloud Brasil incluir o LightVela ou o Hermes Agent em seu catálogo local nos próximos dois trimestres — isso seria o sinal mais concreto de chegada ao mercado brasileiro. Segundo, o comportamento da Xiaomi no Brasil: a empresa já vende smartphones e dispositivos IoT no país e pode embarcar agentes Hermes em sua camada de serviços, criando demanda por integradores locais. Terceiro, a resposta dos provedores brasileiros de nuvem — AWS Brasil, Azure Brasil, Google Cloud São Paulo e as brasileiras como Locaweb e Tivit — em oferecer camadas equivalentes de orquestração de agentes abertos, o que definiria se o mercado nacional terá opção ou apenas revenda de stack estrangeira.

Nota sobre a fonte

A mídia chinesa 创业邦 destaca tração e adoção do Hermes/LightVela sem divulgar receita, o que pode superestimar a maturidade comercial e mascarar o lock-in via Tencent Cloud.

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