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Sinopec inicia CCUS de baixa concentração em larga escala — fornecedores brasileiros de equipamentos e serviços de petróleo podem se beneficiar
· Redação CBI
Petróleo e gásEletrônicos e máquinasInfraestrutura e construção
A Sinopec começou a construir o primeiro projeto de CCUS de baixa concentração em escala de milhão de toneladas da China, no Campo Petrolífero de Shengli, com conclusão prevista para 2028; a tecnologia pode abrir oportunidades para empresas brasileiras de engenharia, equipamentos e serviços de
A Sinopec, petroleira estatal chinesa, deu início em 16 de outubro à construção do primeiro projeto demonstrativo de toda a cadeia de CCUS (Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono) de baixa concentração e escala de um milhão de toneladas da China, no Campo Petrolífero de Shengli. O projeto, que deve entrar em operação até o final de 2028, capturará gases de combustão de usinas termelétricas a carvão — com concentração de CO2 de apenas 12% a 15% — para recuperação de petróleo e armazenamento geológico. Para o Brasil, o movimento sinaliza a consolidação de uma cadeia industrial de CCUS em escala comercial na China, o que pode pressionar fornecedores brasileiros de equipamentos e serviços de petróleo a buscar parcerias ou adaptar tecnologias para projetos similares no pré-sal e em térmicas nacionais.
A Sinopec iniciou em 16 de outubro a construção do primeiro projeto demonstrativo de toda a cadeia de CCUS de baixa concentração e escala de um milhão de toneladas da China, no Campo Petrolífero de Shengli. O projeto será concluído e entrará em operação até o final de 2028, quando poderá utilizar todo o gás de baixa concentração capturado de usinas termelétricas a carvão para recuperação de petróleo e armazenamento no campo petrolífero. A estatal já opera desde agosto de 2022 o primeiro projeto de CCUS de escala de milhão de toneladas do país — o Qilu Petroquímica–Campo Petrolífero de Shengli —, que captura gases de exaustão de alta concentração (cerca de 90% de CO2) da produção de hidrogênio a partir de carvão. Esse projeto acumulou 1,4 bilhão de metros cúbicos padrão de CO2 armazenados, elevou a taxa de recuperação de petróleo bruto em mais de 15 pontos percentuais e aumentou a produção diária de petróleo de 220 para 525 toneladas. A Sinopec também construiu o primeiro duto de transporte de CO2 de longa distância (nível de cem quilômetros) do país, formando uma cadeia industrial completa de redução de emissões.
O novo projeto avança para os gases de combustão de baixa concentração de usinas termelétricas a carvão, mais difíceis de capturar e com maior escala de emissão. A concentração de CO2 nesses gases é de apenas 12% a 15%, e ainda contêm impurezas como enxofre e óxidos de nitrogênio. Segundo Yang Yong, principal responsável do Campo Petrolífero de Shengli, a Sinopec desenvolveu absorventes de nova geração e processos de regeneração com economia de energia que alcançam taxa de captura superior a 90%, pureza do produto acima de 99,5% e consumo térmico por tonelada de CO2 capturado reduzido para menos de 2 gigajoules. O projeto contará ainda com um sistema integrado fonte-rede-carga-armazenamento composto por "energia eólica + armazenamento de energia + linhas de transmissão direta + captura de CCUS", com previsão de 13 turbinas eólicas, capacidade instalada total de 98,8 megawatts e geração de 217 milhões de quilowatts-hora de eletricidade verde por ano, fornecida diretamente à unidade de captura de carbono, no modelo de ciclo fechado "conexão direta de eletricidade verde, captura de baixo carbono".
Por que isso chega ao Brasil: o país discute a regulamentação do mercado de carbono e a descarbonização de setores industriais, enquanto a Petrobras avalia projetos de CCUS no pré-sal e em refinarias. A experiência chinesa em captura de baixa concentração pode reduzir custos e acelerar a curva de aprendizado global, beneficiando fornecedores brasileiros de engenharia, equipamentos de separação de gases, compressores e serviços de monitoramento. Além disso, a Sinopec pode buscar parceiros locais para projetos-piloto no Brasil, especialmente em térmicas a gás e na recuperação avançada de petróleo. O impacto direto é indireto, via transferência tecnológica e competição por cadeias de suprimento, mas reguladores como ANP e ANEEL precisarão acompanhar a padronização de metodologias de contabilização de emissões.
Os dados mostram que a Sinopec já domina a captura de alta concentração e agora avança para a baixa concentração, com metas claras de taxa de captura e consumo energético. Na leitura do CBI, isso indica que a China está construindo vantagem competitiva em uma tecnologia que será cada vez mais demandada por países com metas de neutralidade de carbono. Para o Brasil, a janela de oportunidade está em nichos de engenharia e serviços, não na produção em massa de equipamentos, onde a China já é competitiva. A comparação com o projeto anterior (Qilu-Shengli) mostra que a Sinopec reduziu o consumo térmico e aumentou a pureza, sinalizando maturidade tecnológica.
O que acompanhar: (1) a publicação de editais de licenciamento ambiental e contratação de fornecedores para o projeto de Shengli, previstos para 2025; (2) a evolução do marco regulatório brasileiro para CCUS, especialmente a regulamentação da ANP sobre armazenamento geológico de CO2; (3) a possível inclusão de CCUS nas diretrizes do BNDES para financiamento de projetos de descarbonização, que pode abrir linhas de crédito para empresas brasileiras que firmarem parcerias com a Sinopec.
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