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Shenghe Resources vende 51% de ativos de terras raras — fornecedores brasileiros de ímãs precisam revisar contratos

· Redação CBI
Energia solar e renováveis

A Shenghe Resources, uma das maiores processadoras de terras raras da China, transfere o controle de 51% de suas unidades de fundição e separação para a Zhongxi Development por até 1,81 bilhão de yuans (cerca de USD 250 milhões), movimento que pode alterar a cadeia de fornecimento de ímãs e óxidos

A Shenghe Resources anunciou a intenção de transferir 51% das ações de suas operações de fundição e separação de terras raras para a Zhongxi Development, em um negócio estimado entre 1,6575 bilhão e 1,8105 bilhão de yuans (aproximadamente USD 230 milhões a USD 250 milhões). O pacote inclui a controlada Leshan Shenghe Rare Earth, a Quannan Xinziyuan Rare Earth e as unidades Jiangyin Jiahua e Zibo Jiahua, todas dedicadas ao processamento de terras raras. Para o Brasil, o movimento importa porque a Shenghe é fornecedora relevante de óxidos e metais de terras raras para a cadeia global de ímãs permanentes — insumo crítico para motores elétricos, aerogeradores e componentes automotivos que o país importa da China. A Shenghe Resources, listada em Xangai e uma das principais processadoras de terras raras da China, comunicou que pretende transferir parte de suas ações no negócio de fundição e separação de terras raras para a Zhongxi Development. O desenho da operação prevê a separação do negócio não relacionado à fundição e separação dentro da subsidiária controlada Leshan Shenghe Rare Earth Co., cujo negócio principal é justamente a fundição e separação, e a transferência de 51% das ações da Leshan Shenghe pós-separação para a Zhongxi Development. Além disso, serão transferidos 51% da Quannan County Xinziyuan Rare Earth Co., 51% da Jiangyin Jiahua New Material Resources Co. e 51% da Zibo Jiahua New Material Resources Co., todas detidas pela subsidiária controlada Ganzhou Chenguang Rare Earth New Materials Co. O valor final da transferência está estimado entre 1,6575 bilhão e 1,8105 bilhão de yuans, equivalente a cerca de USD 230 milhões a USD 250 milhões na cotação atual. Por que isso chega ao Brasil: a cadeia brasileira de bens de capital e energia renovável depende de ímãs permanentes de terras raras — neodímio, praseodímio e disprósio — para motores de veículos elétricos, aerogeradores e equipamentos industriais. A Shenghe é uma das fornecedoras globais desses óxidos e metais, e a reorganização societária pode alterar contratos de fornecimento, prazos de entrega e preços de referência para importadores brasileiros. O impacto direto é indireto, via cadeia de suprimentos: fabricantes brasileiros de motores elétricos, montadoras com produção local e o setor eólico — concentrado no Rio Grande do Norte, Bahia e Ceará — precisam acompanhar se a Zhongxi Development manterá os volumes e as condições comerciais atuais. Reguladores como a CAMEX (comércio exterior) e a Receita Federal, que monitoram classificação fiscal de terras raras importadas, não têm ação imediata, mas o BNDES, que financia projetos de energia eólica e mobilidade elétrica, deve observar o risco de concentração de fornecedor. A interpretação do CBI: os dados mostram que a Shenghe está separando ativos de fundição e separação de outros negócios, transferindo o controle para a Zhongxi Development — uma reorganização societária clássica de reestruturação de portfólio. Na leitura do CBI, isso indica que a empresa chinesa busca simplificar a estrutura e possivelmente preparar os ativos para uma nova fase de investimento ou parceria, sem sinal claro de redução de capacidade. O movimento ocorre em um momento de pressão global por diversificação de fontes de terras raras, com Estados Unidos e União Europeia incentivando cadeias alternativas à China. Para o Brasil, que tem reservas relevantes de terras raras, mas ainda sem produção comercial em escala, a reorganização de um player chinês pode abrir espaço para negociações de joint ventures ou fornecimento de concentrado, mas também reforça a dependência de curto prazo da cadeia chinesa. O que acompanhar: primeiro, a conclusão do processo de separação da Leshan Shenghe e a assinatura definitiva do contrato de transferência com a Zhongxi Development, que deve ocorrer nos próximos meses e pode vir acompanhada de condições comerciais novas. Segundo, a resposta de preços de óxidos de neodímio e praseodímio no mercado chinês (referência para importadores brasileiros) nas semanas seguintes ao anúncio. Terceiro, qualquer sinal de que a Zhongxi Development planeje redirecionar volumes para o mercado interno chinês ou para novos clientes asiáticos, o que afetaria a disponibilidade para o Brasil.

Nota sobre a fonte

A fonte chinesa trata a operação como reorganização societária neutra, sem detalhar risco de redirecionamento de volumes; o impacto ao Brasil é indireto e depende das condições comerciais da Zhongxi Development.

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