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Seres volta ao prejuízo após ajuste com Huawei — fornecedores brasileiros de autopeças devem revisar contratos AITO
· Redação CBI
Eletrônicos e máquinas
A Seres registrou prejuízo ajustado de 1,37 bilhão de yuans no 3º trimestre, mesmo com receita por veículo em alta, após reestruturar a parceria com a Huawei na AITO; a mudança na divisão de trabalho, que só se completa em 2027, sinaliza revisão de cadeia de suprimentos para fornecedores brasileiros
A Seres, montadora chinesa parceira da Huawei na marca AITO, divulgou em 30 de outubro um lucro líquido contábil de 1,42 bilhão de yuans no terceiro trimestre, mas prejuízo ajustado de 1,37 bilhão de yuans — uma diferença de 2,8 bilhões sustentada quase toda por um ganho de 2,61 bilhões com a desconsolidação da Saidou Technology. A receita caiu 41,7% ano a ano, para 28,08 bilhões de yuans. O dado chega semanas depois de Seres e Huawei anunciarem que a Seres assume liderança de definição de produto, design, marketing, varejo e serviços da AITO a partir de 2027. Para o fornecedor brasileiro de autopeças e eletrônicos embarcados que já vende para a cadeia AITO ou avalia entrar nela, o recado é claro: a montadora está trocando comando e enxugando ativos de baixa eficiência, o que deve redesenhar contratos de fornecimento nos próximos ciclos.
O fato central é que a Seres, fabricante chinesa de veículos de nova energia, voltou ao prejuízo no critério ajustado no terceiro trimestre, apesar de o lucro contábil ter ficado positivo em 1,42 bilhão de yuans. A receita operacional somou 28,08 bilhões de yuans, queda de 41,7% ano a ano. O lucro contábil foi inflado por um ganho de 2,61 bilhões de yuans com a alienação de ativos não circulantes, ligado à perda de controle da Saidou Technology (antiga Landian), cuja participação da Seres caiu para cerca de 32,96% após aumento de capital em julho. Sem esse evento único, o prejuízo ajustado foi de 1,37 bilhão de yuans, contra lucro ajustado de 2,29 bilhões um ano antes — uma inversão de 3,6 bilhões. O preço médio por veículo, porém, subiu para cerca de 360 mil yuans, contra 317 mil no segundo trimestre, puxado pelo M9 Ultimate e pela nova geração do M9. As vendas totais de veículos de nova energia caíram 41%, para 77,7 mil unidades, com o segmento AITO recuando 46%.
Por que isso chega ao Brasil: a Seres integra a cadeia chinesa de veículos elétricos de alto padrão, segmento no qual fornecedores brasileiros de autopeças, componentes eletrônicos embarcados, software automotivo e materiais especiais buscam espaço. A reestruturação da parceria com a Huawei — que transfere à Seres a liderança de definição de produto, design, marketing, varejo e serviços da AITO a partir de 1º de janeiro de 2027, com a Huawei Terminal atuando como capacitadora — muda o interlocutor para contratos de fornecimento, homologação e desenvolvimento conjunto. Além disso, a desconsolidação da Saidou Technology (antiga Landian) sinaliza que a Seres está se desfazendo de ativos de baixa eficiência para concentrar recursos na AITO, o que pode abrir espaço para novos fornecedores ou encerrar linhas de suprimento existentes. O impacto direto é indireto, via cadeia global de autopeças: empresas brasileiras que exportam para a China ou operam como subsidiárias de fornecedores globais da AITO precisam acompanhar a transição de comando.
Os dados mostram que a Seres vendeu carros mais caros, mas não converteu isso em lucro operacional: o lucro bruto por veículo ficou em cerca de 76 mil yuans, e as despesas de vendas consumiram parte relevante da margem. Na leitura do CBI, isso indica que a montadora ainda não resolveu o problema de escala e mix de produtos — os modelos de volume (M8 e M7 reestilizado) entraram na fase final do ciclo, o M6 está em rampa e o novo M8 só chega em novembro. A valorização de 75% para baixo no preço da ação em um ano (de 162,94 yuans para 40,65 yuans, com valor de mercado caindo de cerca de 300 bilhões para 70,8 bilhões de yuans) mostra que o mercado já precificou boa parte da decepção. A diferença agora é que a Seres assume o comando da AITO com a Huawei em papel de capacitadora, o que testa sua capacidade de gestão própria — e é exatamente esse teste que fornecedores brasileiros devem observar antes de firmar contratos de médio prazo.
O que acompanhar: primeiro, a divulgação do balanço do quarto trimestre da Seres, que deve refletir o início da transição de comando da AITO e o desempenho do novo M8; segundo, o anúncio de novos contratos de fornecimento para a linha AITO em 2026, uma vez que a Huawei ainda lidera o design dos veículos lançados naquele ano; terceiro, a evolução da participação da Seres na Saidou Technology, que pode gerar novos ganhos ou perdas contábeis e alterar o caixa disponível para investimento em produto. Para o fornecedor brasileiro, o prazo relevante é 1º de janeiro de 2027, quando a troca formal de liderança ocorre — contratos assinados antes disso ainda passam pela Huawei.
Nota sobre a fonte
A 36氪, mídia chinesa, destaca o lucro contábil e o ganho de 2,61 bilhões de yuans com a alienação da Saidou, mas o dado central para fornecedores é o prejuízo ajustado de 1,37 bilhão e a queda de 41,7% da receita.
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