Macro & Mercados

Ruifeng High-tech compra fabricante de materiais de lítio por R$ 499 mi — cadeia de baterias no Brasil sente efeito

· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasMinério de ferro

A chinesa Ruifeng High-tech anunciou a aquisição de 68,065% da Anhui Mituo New Materials por 499 milhões de yuans (cerca de USD 69 milhões), consolidando sua posição em materiais para baterias de lítio. Para o Brasil, o movimento reforça a pressão sobre fornecedores locais de insumos para bateria...

A Ruifeng High-tech, fabricante chinesa de equipamentos e materiais para a cadeia de baterias de lítio, anunciou a intenção de adquirir 68,065% das ações da Anhui Mituo New Materials Technology Co. por 499 milhões de yuans (aproximadamente USD 69 milhões), usando recursos próprios e captados. A operação consolida a verticalização da empresa chinesa em materiais catódicos e insumos para baterias de veículos elétricos. No Brasil, o movimento chega em um momento em que o país tenta atrair investimentos para sua própria cadeia de lítio e baterias — e vê a concentração chinesa como sinal de que a janela para desenvolver fornecedores locais está se fechando. A Ruifeng High-tech, listada na bolsa de Shenzhen, anunciou que pretende adquirir 68,065% das ações da Anhui Mituo New Materials Technology Co. por 499 milhões de yuans, equivalente a cerca de USD 69 milhões. O pagamento será feito com recursos próprios e recursos captados. A Mituo New Materials atua na produção de materiais para baterias de lítio, setor em que a Ruifeng já opera com equipamentos e insumos. A transação ainda depende de aprovações regulatórias e de conclusão de due diligence, sem prazo final divulgado. O negócio chega ao Brasil por via indireta, mas relevante. O país tenta estruturar uma cadeia própria de lítio e baterias, com projetos em Minas Gerais (Vale do Jequitinhonha) e na Bahia, além de incentivos do BNDES e da Finep para produção de células e materiais catódicos. A consolidação de players chineses em materiais intermediários — como os que a Mituo produz — reduz o espaço para fornecedores brasileiros que tentam entrar nessa etapa da cadeia. Importadores brasileiros de insumos para baterias, como cátodos e precursores, podem sentir pressão de preços e de disponibilidade, já que a verticalização chinesa tende a priorizar o mercado interno. O impacto direto é indireto, via preços de insumos e concorrência com a produção local. Os dados mostram que a Ruifeng já vinha expandindo sua atuação em materiais para baterias nos últimos dois anos, com aquisições menores e investimentos em capacidade produtiva. Na leitura do CBI, isso indica uma estratégia deliberada de controle de elos intermediários da cadeia, não apenas de equipamentos. Para o Brasil, o movimento é um alerta: sem política industrial que acelere a produção local de materiais catódicos, o país corre o risco de ficar restrito à exportação de lítio bruto e à importação de insumos processados — exatamente o oposto do que o Plano Nacional de Mineração e a política de transição energética pretendem. A comparação com a Indonésia, que proibiu exportação de níquel bruto para forçar verticalização, é inevitável: o Brasil ainda não tem mecanismo equivalente para o lítio. O que acompanhar: primeiro, a conclusão da operação e eventuais condições impostas pelo regulador antitruste chinês, que podem sinalizar o grau de concentração no setor. Segundo, a próxima rodada de leilões de direitos minerários de lítio no Brasil e se empresas chinesas participarão diretamente. Terceiro, os desembolsos do BNDES para projetos de materiais catódicos e células de bateria — se ficarem abaixo do anunciado, a janela para fornecedores locais se fecha mais rápido.

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