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RISC-V deixa de ser nicho e mira carros e IA — o que muda para a indústria brasileira de semicondutores

· Redação CBI
Eletrônicos e máquinasVeículos elétricos e baterias

A 6ª Cúpula RISC-V China, em Shenzhen, mostrou a arquitetura aberta migrando do embarcado para data centers, IA e eletrônica automotiva, com chips veiculares já em produção.

A 6ª Cúpula RISC-V China, realizada em Shenzhen em 19 e 20 de outubro, reuniu gigantes globais de design de chips, software e pesquisa para sinalizar que a arquitetura aberta deixou de ser alternativa de nicho e passou a disputar espaço em inteligência artificial, data centers e eletrônica automotiva. Sete subfóruns paralelos cobriram desde pilhas de software full-stack até chips automotivos já em produção em massa, como o Zijing M100, incubado pela Great Wall Motors. Para o Brasil, o recado é direto: a janela para entrar na cadeia de design de semicondutores de código aberto está se fechando, e a indústria automotiva nacional — que já discute eletrificação e software embarcado — precisa acompanhar de perto o avanço do RISC-V em controladores veiculares. A 6ª Cúpula RISC-V China foi inaugurada em 19 de outubro no Centro de Convenções e Exposições de Shenzhen (Futian), reunindo as principais empresas globais de design de chips, provedores de software, instituições de pesquisa e especialistas do setor. No dia seguinte, sete subfóruns paralelos aprofundaram direções centrais: inteligência artificial, data centers e computação de alto desempenho, ecossistema de software, design e verificação de chips, eletrônica automotiva, indústria e robótica, embarcados, IoT e hardware inteligente, além de cooperação indústria-academia e inovação empreendedora. O evento deixou claro que o RISC-V cruzou a fronteira do embarcado e da IoT para cenários de alto poder computacional e alto valor agregado, com um caminho de salto industrial que vai da inovação em hardware de base à construção de um ecossistema de software full-stack até a implementação em escala em múltiplos cenários. No subfórum de inteligência artificial, empresas como Cadence, DAMO Academy (Alibaba), SiFive, Andes Technology, MIPS, ESWIN Computing, ZTE e o Instituto de Computação da Academia Chinesa de Ciências discutiram arquitetura de matriz aberta para IA, implantação de grandes modelos em núcleos RISC-V e design de pilha de software de suporte. A RedHat destacou que o limiar da IA está na integração de sistemas e na segurança, e que o ecossistema full-stack de código aberto do RISC-V já tem capacidade de rodar IA. A Nuclei Technology defendeu que o RISC-V, com comprimento vetorial dinâmico e conjunto de instruções aberto, é a ISA adequada para a era da IA, cobrindo da nuvem ao MCU. No subfórum de data centers e computação de alto desempenho, ZTE Microelectronics, Chaorui Technology, Instituto de Software da Academia Chinesa de Ciências, Instituto de Chips de Código Aberto de Pequim e DAMO Academy discutiram extensões da arquitetura privilegiada para servidores e design de núcleos de alto desempenho. A DAMO Academy propôs liberar o potencial vetorial do RISC-V para preencher lacunas de poder computacional de base, enquanto a Jindie Space-Time apresentou sua matriz completa de produtos, do dispositivo à nuvem, provando capacidade de implementação comercial para data centers de IA. No subfórum de eletrônica automotiva, indústria e robótica, empresas como IAR, Nuclei Technology, Zijing Semiconductor, Zhaosong Technology e DAMO Academy debateram desenvolvimento de software em áreas críticas de segurança, controle em tempo real veicular e robótico, e inovação arquitetural de MCUs automotivos RISC-V. A Zijing Semiconductor, incubada pela Great Wall Motors, apresentou a produção em massa nacionalizada do chip Zijing M100, já embarcado em veículos. A IAR analisou os desafios do RISC-V em áreas automotivas, enquanto a Nuclei Technology reforçou o papel central da arquitetura em chips de IA e soluções de IP. Por que isso chega ao Brasil? O avanço do RISC-V em eletrônica automotiva e data centers toca diretamente a cadeia automotiva brasileira, que já convive com a eletrificação e a chegada de montadoras chinesas como BYD e GWM. O chip Zijing M100, produzido em massa na China, sinaliza que controladores veiculares baseados em arquitetura aberta podem baratear e acelerar o desenvolvimento de software embarcado — algo que fornecedores brasileiros de autopeças e as montadoras instaladas no país precisarão dominar. Além disso, o Brasil discute uma política nacional de semicondutores e a formação de talentos em design de chips; o ecossistema RISC-V, por ser aberto, reduz barreiras de entrada para startups e institutos de pesquisa brasileiros, mas exige capacitação rápida e parcerias com players asiáticos. O impacto direto é indireto, via cadeia automotiva e de TI, mas pode se tornar direto se o Brasil atrair fábricas de chips ou centros de design. Os dados mostram que o RISC-V já tem capacidade de implementação comercial em data centers de IA e chips automotivos em produção. Na leitura do CBI, isso indica que a arquitetura deixou de ser aposta de futuro e se tornou plataforma concreta, o que pressiona o Brasil a definir se quer participar da cadeia de design ou apenas consumir chips prontos. A comparação com eventos anteriores — como a edição de 2025 da mesma cúpula — mostra aceleração clara: o que era promessa em software agora é produto em silício. Para o empresário brasileiro, o recado é que a janela de oportunidade para parcerias de design e capacitação é agora, antes que os padrões se consolidem em torno de poucos fornecedores. O que acompanhar: primeiro, a publicação de editais ou programas do BNDES e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para design de semicondutores com foco em arquiteturas abertas; segundo, anúncios de montadoras chinesas no Brasil sobre uso de chips RISC-V em veículos produzidos localmente, o que pode puxar demanda por engenharia embarcada nacional; terceiro, a evolução do consórcio RISC-V International e a eventual adesão de instituições brasileiras, sinal de inserção na governança global da arquitetura.

Nota sobre a fonte

A fonte é mídia oficial chinesa e tende a destacar a maturidade e a implantação comercial do RISC-V, o que pode suavizar riscos de ecossistema e dependência de fornecedores.

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