Tecnologia

Rabbit aposta em Agent pessoal multiplataforma — startups brasileiras de IA correm para adaptar modelos

· Redação CBI
Eletrônicos e máquinas

O fundador do Rabbit, Lü Cheng, lançou o OS3, sistema operacional de Agent que conecta até cinco computadores do usuário e executa tarefas sem exigir organização por projetos. Para o mercado brasileiro de tecnologia, o movimento sinaliza que a próxima onda de IA pessoal virá por integração entre ...

O Rabbit, empresa de hardware de IA conhecida pelo dispositivo laranja r1, lançou no mês passado a nova geração de seu sistema operacional de Agent, o OS3. A proposta é diferente da maioria dos concorrentes: em vez de uma bancada de trabalho com múltiplos projetos, o usuário tem uma única janela de conversa contínua, diz o que precisa e o sistema decide sozinho qual computador — entre até cinco conectados — vai executar a tarefa. O fundador Lü Cheng admitiu que o r1, lançado na CES 2024, ficou aquém das expectativas: 'Dissemos que fazia quatro coisas, e os usuários tentavam fazer seis.' O movimento interessa ao Brasil porque sinaliza para onde vai a IA pessoal: integração entre dispositivos existentes, não venda de novo hardware — o que pressiona startups brasileiras que apostaram em apps fechados. O Rabbit abriu no mês passado a nova geração do seu sistema operacional de Agent, o OS3. O funcionamento é direto: o usuário envia tarefas pela página web ou pelo Telegram, e o sistema aciona o modelo de IA escolhido para consultar arquivos, operar softwares, navegar na web ou escrever código. Diferente de concorrentes que organizam o trabalho em projetos separados, o OS3 tem apenas uma janela contínua de conversa. O usuário não precisa classificar demandas por trabalho ou vida pessoal — diz o que quer, e o sistema decide em qual das até cinco máquinas conectadas a tarefa será concluída. Lü Cheng resume a lógica: 'A forma de pensar dos seres humanos não é uma forma de pensar baseada em arquivos.' Por que isso chega ao Brasil? O mercado brasileiro de software de IA vive um momento de definição de arquitetura. Startups nacionais que desenvolveram assistentes baseados em apps isolados — como agendas, ERPs ou ferramentas de atendimento — precisarão decidir se abrem suas APIs para Agents externos ou constroem seus próprios sistemas multiplataforma. O impacto direto é indireto, via pressão competitiva: se o modelo do Rabbit se consolidar, o usuário brasileiro vai esperar que seu Agent acesse o computador da empresa, o notebook pessoal e o celular sem fricção. Empresas como Totvs, Senior e startups de produtividade precisam monitorar essa mudança de paradigma. Não há regulador brasileiro diretamente envolvido nesta fase, mas a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados) terá papel quando Agents passarem a acessar arquivos corporativos com dados pessoais. Os dados mostram que a competição por Agent pessoal esquentou globalmente. A Meta lançou o Muse, com cerca de 2,8 milhões de downloads em duas semanas, segundo a Sensor Tower. A Manus lançou o Cue. Na China, o Qwen, da Alibaba, conectou-se às compras do Taobao, e o Doubao, da ByteDance, lançou chamada de táxi por conversa. Na leitura do CBI, o movimento do Rabbit é menos sobre hardware e mais sobre poder de definir a categoria: quem estabelecer o padrão de interação — janela única, multiplataforma, sem organização por projetos — captura o usuário antes que ele aprenda a usar concorrentes. O r1, apesar das críticas, entregou mais de 100 mil unidades com taxa de devolução inferior a 5%, segundo Lü Cheng. Isso indica que há apetite real por Agent pessoal, mesmo quando a execução inicial decepciona. Para o empresário brasileiro, a implicação prática é de planejamento de TI. Se Agents multiplataforma se tornarem padrão, o custo de integração cai — mas o risco de segurança sobe, porque um único Agent com acesso a cinco máquinas é um ponto único de falha. Empresas com operações na China ou que compram tecnologia chinesa devem acompanhar se o modelo do OS3 será adotado por fabricantes de hardware locais. O que acompanhar: primeiro, se o Rabbit abrirá o OS3 para desenvolvedores externos, o que definiria se o padrão se espalha; segundo, se startups brasileiras de IA anunciarão integração com múltiplos dispositivos nos próximos dois trimestres; terceiro, a evolução regulatória da ANPD sobre Agents que acessam dados corporativos, que deve ganhar pauta em 2025.

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