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Proteína de arroz sintetiza RNA sem molde — pesquisa chinesa abre caminho para biotecnologia agrícola, com impacto de longo prazo no agro brasileiro
· Redação CBI
Equipe do professor Shi Yigong, da Universidade Westlake, descobriu que proteínas vegetais (OsNTP4 do arroz, OsNTP10 e AtURT1 de Arabidopsis) sintetizam RNA de novo in vitro, sem molde de ácido nucleico — achado que contraria dogma central da biologia molecular e, no horizonte, pode redefinir
Pesquisadores da Universidade Westlake, liderados pelo professor Shi Yigong, publicaram na revista Vita a descoberta de que a proteína OsNTP4, do arroz, é capaz de sintetizar RNA de novo de forma autônoma em condições in vitro, sem depender de molde de ácido nucleico — algo que a comunidade científica considerava impossível. As proteínas OsNTP10 (arroz) e AtURT1 (Arabidopsis) apresentam atividade semelhante. O achado, ainda restrito a experimentos de laboratório, contraria o dogma de que a síntese de RNA exige um molde e pode, no médio prazo, abrir novas frentes em biotecnologia agrícola. Para o Brasil, maior exportador mundial de soja, milho e carne, a conexão é indireta, mas estratégica: o país depende crescentemente de insumos biológicos, sementes e tecnologias de edição genética desenvolvidas na China.
A descoberta foi publicada na revista Vita e divulgada nesta segunda-feira (28) pelo Diário de Ciência e Tecnologia, de Pequim. A equipe do Laboratório Nacional-Chave de Expressão e Reconstrução de Material Genético da Universidade Westlake, chefiada pelo professor Shi Yigong, demonstrou que a proteína de arroz OsNTP4 sintetiza RNA (ácido ribonucleico) de forma autônoma em condições in vitro, sem molde de ácido nucleico. As proteínas OsNTP10, também do arroz, e AtURT1, de Arabidopsis, apresentaram atividade similar. O trabalho começou a partir do rastreamento da proteína imunológica humana cGAS, que reconhece DNA anormal no citoplasma. Como a comunidade científica não encontrava homólogos em plantas por comparação de sequência de aminoácidos, a equipe usou o banco de estruturas AlphaFold para buscar proteínas com estrutura tridimensional semelhante ao domínio catalítico da cGAS. Triaram 266 candidatas de arroz, Arabidopsis e milho, selecionaram 19 alvos e chegaram à OsNTP4. Em experimentos com quatro nucleotídeos comuns, dois desapareceram e geraram cadeias de 50 a 300 nucleotídeos, confirmadas como RNA. Para descartar contaminação, a equipe passou quase um ano em verificações — espectrometria de massa, tratamento com protease, cristalização e lavagem repetida — e confirmou que a atividade vinha da própria proteína. Os resultados, porém, são todos in vitro; ainda não se sabe se a proteína desempenha o mesmo papel dentro da célula vegetal.
Nota sobre a fonte
A mídia oficial chinesa destaca o feito científico com linguagem otimista, mas o próprio texto reconhece que os resultados são apenas in vitro e ainda sem validação na célula vegetal.
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