Macro & Mercados
Premiê chinês abre Feira de Cantão com discurso — exportadores brasileiros miram calendário de outubro
· Redação CBI
Li Qiang fará o discurso de abertura da 140ª Feira de Cantão, que ocorre de 15 de outubro a 4 de novembro em Guangzhou. Para exportadores e importadores brasileiros, o evento é a principal vitrine para fechar contratos de fim de ano e calibrar preços de produtos chineses antes da temporada natalina.
O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, participará da cerimônia de abertura da 140ª Feira de Importação e Exportação da China — a Feira de Cantão — e fará um discurso principal, informou o Ministério do Comércio (MOFCOM) nesta segunda-feira. O evento ocorre de 15 de outubro a 4 de novembro em Guangzhou, no sul da China. A presença do chefe de governo sinaliza prioridade política à atração de compradores estrangeiros num momento em que Pequim tenta sustentar exportações. Para o Brasil, a feira é o principal ponto de contato anual com fornecedores de eletrônicos, máquinas, insumos industriais e bens de consumo — e o discurso de Li pode trazer sinalizações sobre facilitação de vistos, logística e condições de pagamento que afetam diretamente a agenda de compras de importadores brasileiros para o quarto trimestre.
O primeiro-ministro Li Qiang participará da cerimônia de abertura da 140ª Feira de Importação e Exportação da China, a Feira de Cantão, e fará um discurso principal, segundo anúncio do porta-voz do Ministério do Comércio, He Yadong, feito nesta segunda-feira. A edição deste ano será realizada entre 15 de outubro e 4 de novembro em Guangzhou, província de Guangdong, no sul do país. A presença do premiê na abertura é um sinal de peso: nas últimas edições, o evento vinha sendo aberto por autoridades de nível ministerial, e a escalada para chefe de governo indica que Pequim trata a feira como instrumento de política comercial, não apenas como vitrine setorial.
Para o Brasil, a Feira de Cantão é o principal canal anual de prospecção de fornecedores chineses. Importadores brasileiros de eletrônicos, máquinas industriais, autopeças, insumos químicos, têxteis e bens de consumo usam as três fases do evento — que tradicionalmente separa eletrônicos, bens de consumo e produtos industriais — para fechar contratos do quarto trimestre e do início de 2026. A agenda coincide com o pico de encomendas para a temporada natalina no Hemisfério Sul e com o período em que muitas empresas brasileiras definem orçamento de importação para o ano seguinte. O impacto direto é sentido por importadores e tradings brasileiras, mas também por exportadores: a feira é usada por compradores chineses para sondar fornecedores de commodities e alimentos processados do Brasil, especialmente nas fases dedicadas a bens de consumo e produtos agrícolas.
Os dados mostram que a Feira de Cantão movimenta, em edições recentes, volumes de negócios na casa das dezenas de bilhões de dólares e atrai mais de 100 mil compradores estrangeiros por edição. Na leitura do CBI, a presença de Li Qiang na abertura deve vir acompanhada de sinalizações sobre facilitação de vistos para compradores estrangeiros, ampliação de canais de pagamento em yuan e eventuais incentivos logísticos — temas que, se confirmados, reduzem custo de transação para importadores brasileiros. O precedente importa: em edições anteriores, anúncios feitos na abertura da feira antecederam mudanças em regras de visto de negócios e em linhas de financiamento a compradores estrangeiros. A comparação com a 139ª edição, aberta em abril, sugere que Pequim está elevando o perfil político do evento para compensar a desaceleração do consumo interno chinês e a pressão tarifária nos mercados desenvolvidos.
O que acompanhar: primeiro, o conteúdo do discurso de Li Qiang em 15 de outubro, com atenção a menções a vistos, pagamentos em yuan e logística — qualquer anúncio nesses três eixos muda o cálculo de custo de importação para empresas brasileiras. Segundo, o volume de negócios fechados na primeira fase da feira, que costuma ser divulgado pelo MOFCOM nos dias seguintes à abertura e serve como termômetro da demanda chinesa por produtos brasileiros. Terceiro, a agenda de missões comerciais brasileiras em Guangzhou durante o evento — ApexBrasil e federações estaduais costumam organizar comitivas, e o calendário de outubro é a última janela antes do fechamento de contratos de fim de ano.
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