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Pop Mart despenca 50% e acende alerta para varejo de colecionáveis no Brasil

· Redação CBI

A receita trimestral da Pop Mart caiu 45%-50% ano a ano, com colapso de 70%-75% nas Américas, sinalizando que o boom de blind boxes pode ter esfriado — o que interessa a importadores brasileiros, distribuidores de brinquedos colecionáveis e varejistas que apostaram no fenômeno LABUBU.

A Pop Mart, fabricante chinesa de blind boxes e dona do fenômeno LABUBU, reportou queda de 45% a 50% na receita do terceiro trimestre de 2026 em relação ao ano anterior, com desempenho especialmente ruim fora da China: Américas caíram 70%-75%, Europa 50%-55% e Ásia-Pacífico 65%-70%. O dado veio depois de dois relatórios semestrais que já mostravam desaceleração e expôs a dependência da empresa de um único IP. Para o mercado brasileiro, o recuo importa porque distribuidores e lojas de colecionáveis vinham ampliando pedidos de produtos Pop Mart via importação direta e marketplaces, e agora precisam recalibrar estoque e expectativa de margem. A Pop Mart divulgou que sua receita total no terceiro trimestre de 2026 caiu entre 45% e 50% na comparação anual, com números ainda mais duros nos mercados internacionais: as Américas recuaram 70%-75%, a Europa 50%-55% e a Ásia-Pacífico 65%-70%. O resultado veio após um primeiro semestre em que China e Europa ainda cresceram, mas Ásia-Pacífico e Américas já mostravam queda, e a série THE MONSTERS, que abriga o LABUBU, recuou de 4,814 bilhões de yuans para 4,454 bilhões. A empresa não detalhou o segundo trimestre isoladamente, o que mascarou parte da desaceleração. No início do ano, a Pop Mart havia projetado crescimento anual de pelo menos 20%; agora, a administração fala apenas em crescimento positivo no mercado chinês no acumulado do ano. O impacto direto no Brasil é indireto, mas relevante para a cadeia de importação de brinquedos e colecionáveis. Distribuidores brasileiros que compram Pop Mart por atacado ou via plataformas de e-commerce transfronteiriço vinham se beneficiando do hype do LABUBU, que sustentou preços premium e giro rápido em lojas especializadas e marketplaces. Com a queda global e a normalização dos preços — duas séries LABUBU 4.0 chegaram a cair abaixo do preço oficial meia hora após o lançamento na China —, o risco é de estoque encalhado e compressão de margem para quem importou com base no pico de 2025. Não há regulador brasileiro diretamente envolvido, mas a Receita Federal e o comércio exterior acompanham o volume de importações de brinquedos da China, que cresceu no auge do fenômeno. Os dados mostram que a Pop Mart não é apenas uma empresa de blind boxes: é uma operação de varejo físico, com receita offline na China 1,6 vez maior que a online em 2024, e mais que o dobro nos mercados ultramarinos. Na leitura do CBI, isso indica que a empresa tem ativos físicos e base de clientes, mas também custos fixos que amplificam a queda quando o hype esfria. A comparação com a crise das tulipas holandesas é exagerada: a Pop Mart tem receita, lojas e IPs, mas a dependência de um único personagem — o LABUBU — é o verdadeiro risco. Para o importador brasileiro, o momento pede cautela: reduzir pedidos de reposição, renegociar prazos com fornecedores chineses e diversificar o mix de colecionáveis para não ficar exposto a um único fornecedor. O que acompanhar: primeiro, o relatório anual de 2026 da Pop Mart, que deve detalhar se a queda foi pontual ou estrutural; segundo, os dados de importação brasileira de brinquedos e colecionáveis da China nos próximos dois trimestres, que indicarão se o apetite local seguiu o recuo global; terceiro, o desempenho de novos lançamentos da empresa fora do LABUBU, que sinalizará se ela consegue diversificar IPs ou se continua refém de um único fenômeno.

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