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Pop Mart despenca 50% com esfriamento do LABUBU — varejo de colecionáveis brasileiro revisa expectativas

· Redação CBI

A Pop Mart, gigante chinesa de blind boxes, registrou queda de 45%-50% na receita do Q3 após o auge especulativo do LABUBU em 2025. Para o mercado brasileiro de colecionáveis e importadores de brinquedos de tendência, o sinal é claro: o ciclo de euforia passou e a demanda por produtos 'hype'

A Pop Mart, maior fabricante mundial de brinquedos de tendência (blind boxes), reportou em 27 de outubro uma queda de 45% a 50% na receita total do terceiro trimestre de 2026 em relação ao ano anterior — um ano antes, o mesmo indicador crescia 245% a 250%. O responsável pela reviravolta é o LABUBU, personagem que explodiu em 2025 e chegou a ter modelos vendidos por cinco dígitos no mercado secundário. No Brasil, importadores de colecionáveis, lojas de cultura pop e distribuidores de produtos 'hype' asiáticos precisam recalibrar estoques e expectativas de margem, já que o efeito manada que sustentou preços especulativos começa a se desfazer globalmente. A Pop Mart (09992.HK) divulgou dados preliminares do terceiro trimestre que mostram receita total em queda de 45% a 50% na comparação anual. O desempenho é ainda mais dramático quando aberto por região: China recua 25% a 30%, Ásia-Pacífico despenca 65% a 70%, Américas caem 70% a 75% e Europa e outras regiões recuam 50% a 55%. A queda superou com folga as projeções de instituições como o Goldman Sachs e explica a desvalorização acentuada das ações da companhia desde outubro. O ponto de virada foi o esfriamento do LABUBU, personagem central da linha THE MONSTERS, que em 2025 havia se tornado o principal motor de receita da empresa: sozinho, o IP faturou 14,16 bilhões de yuans (cerca de USD 2 bilhões), ou 38,1% da receita total da Pop Mart naquele ano. No primeiro semestre de 2026, o THE MONSTERS já havia registrado queda de 7,5%, para 4,454 bilhões de yuans, e participação de 26% na receita. No terceiro trimestre, o colapso se generalizou. Para o Brasil, o impacto é indireto, mas relevante para nichos específicos. O país não é um mercado de produção de blind boxes, mas importadores de brinquedos de colecionável, distribuidores de produtos de cultura pop asiática e lojas especializadas em 'hype' — especialmente em São Paulo e no eixo Rio-São Paulo — vinham se beneficiando do boom do LABUBU. Com o esfriamento global, esses varejistas enfrentam dois riscos: estoques comprados a preços de pico que agora precisam ser liquidados com margem menor, e a necessidade de diversificar o portfólio para outros IPs (MOLLY, SKULLPANDA, CRYBABY, DIMOO) que, segundo os dados da própria Pop Mart, mantiveram crescimento sólido no primeiro semestre. O mercado secundário brasileiro, que chegou a praticar ágios sobre o preço original de 99 yuans (cerca de R$ 75), deve se normalizar rapidamente. Os dados mostram que a queda não é uniforme: no terceiro trimestre, a receita offline doméstica na China caiu apenas 5% a 10%, enquanto o online doméstico despencou 45% a 50%. Na leitura do CBI, isso indica que a base de fãs de longo prazo — que compra em lojas físicas e máquinas de venda automática — permanece, mas o componente especulativo e de impulso, típico do comércio eletrônico e das lives de venda, foi o que evaporou. Para o importador brasileiro, a lição é separar o que é demanda estrutural (colecionadores fiéis) do que era euforia de mercado secundário. A comparação com o ciclo de 2024-2025 é inevitável: naquele período, a Pop Mart cresceu 184,7% e o lucro líquido saltou 308,76%, com o LABUBU vendendo mais de 100 milhões de unidades em um ano. Agora, a empresa precisa provar que consegue operar de forma sólida sem o estímulo de um IP explosivo. O que acompanhar: primeiro, os dados finais do quarto trimestre da Pop Mart, que devem confirmar se a queda é pontual ou estrutural; segundo, o desempenho dos IPs 'de bilhão' (MOLLY, SKULLPANDA, CRYBABY, DIMOO) nos próximos balanços, que indicará se a empresa consegue redistribuir a receita; terceiro, o comportamento dos preços no mercado secundário brasileiro de blind boxes, que serve como termômetro da demanda especulativa local. Para importadores e varejistas brasileiros, o momento é de cautela com novos pedidos de produtos LABUBU e de atenção à diversificação de fornecedores e categorias.

Nota sobre a fonte

A fonte é mídia chinesa de empreendedorismo; o texto se apoia em dados preliminares e projeções do Goldman Sachs, sem tom oficial otimista evidente.

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