Macro & Mercados

PMIs da China voltam a crescer em setembro — indústria e serviços brasileiros reavaliam demanda do 4º trimestre

· Redação CBI
Petróleo e gásCarne e proteínasMinério de ferro

Os PMIs oficiais da China voltaram ao território de expansão em setembro, com manufatura em 50,1 e serviços em 50,2, sinalizando retomada da atividade econômica chinesa.

A atividade econômica da China voltou a se expandir em setembro, com o PMI da indústria manufatureira subindo 0,3 ponto percentual para 50,1 e o de serviços avançando 1,2 ponto para 50,2, segundo dados do Departamento Nacional de Estatísticas (NBS) divulgados nesta quarta-feira. O índice composto de produção também subiu 1,2 ponto, para 50,7. A leitura interessa diretamente ao Brasil: a China é o maior destino das exportações brasileiras de minério de ferro, soja, petróleo e carne bovina, e uma retomada consistente da manufatura chinesa tende a se traduzir em recomposição de pedidos já no quarto trimestre. O dado central divulgado pelo NBS mostra que a manufatura chinesa saiu da zona de contração após meses de pressão. O PMI industrial ficou em 50,1, apenas 0,1 ponto acima da linha que separa expansão de retração, mas o índice de produção subiu com mais força, 1,3 ponto, para 51,7. O indicador de novos pedidos permaneceu em 50,5, ainda em expansão. Os segmentos de alta tecnologia, equipamentos e bens de consumo registraram PMIs de 52,5, 51,0 e 50,7, respectivamente. O PMI de serviços voltou a 50,2, e o da construção civil saltou 3,4 pontos, para 50,3, o maior nível do ano. Entre empresas de médio e pequeno porte, os índices subiram para 49,7 e 48,9 — ainda abaixo de 50, mas em trajetória de recuperação. Por que isso chega ao Brasil: a cadeia de exportação brasileira depende do apetite industrial chinês. Minério de ferro (Vale, CSN, Anglo American) responde à produção siderúrgica chinesa; soja e carne bovina (JBS, Marfrig, Minerva, cooperativas do Mato Grosso e Paraná) respondem ao consumo interno e ao processamento chinês; petróleo (Petrobras) segue a demanda de refinarias. O PMI de construção civil em 50,3 é particularmente relevante para o minério de ferro, insumo siderúrgico essencial. Do lado regulatório brasileiro, o MAPA e a Receita Federal acompanham volumes desembarcados em portos como Santos, Paranaguá e Itaqui — qualquer aceleração de pedidos chineses pressiona logística e câmbio. Os dados mostram que a recuperação é real, mas frágil: manufatura em 50,1 é expansão marginal, e pequenas e médias empresas chinesas seguem em contração. Na leitura do CBI, isso indica que o quarto trimestre deve trazer recomposição moderada de pedidos, não um boom. Comparado ao ciclo de estímulos de 2023-2024, quando pacotes fiscais chineses impulsionaram importações de commodities, o quadro atual é mais dependente de demanda endógena e menos de impulso governamental. Para exportadores brasileiros, o sinal é de estabilização, não de aceleração — o que sugere manutenção de preços, sem grandes rallies. O que acompanhar: primeiro, a divulgação dos PMIs de outubro no início de novembro, para confirmar se a expansão se sustenta por dois meses consecutivos. Segundo, os dados de importação chinesa de minério de ferro e soja referentes a setembro e outubro, publicados pela GACC (alfândega chinesa). Terceiro, qualquer anúncio do NDRC (planejamento econômico chinês) sobre novos estímulos fiscais ou monetários, que podem alterar a trajetória de demanda por commodities brasileiras no fim do ano.

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