Macro & Mercados
Pequim pressiona minas de carvão em Shanxi a retomar produção — siderúrgicas brasileiras monitoram preços do coque
· Redação CBI
Minério de ferro
A NDRC e a Administração Nacional de Energia da China realizaram reunião em Shanxi para acelerar a retomada de minas de carvão paralisadas e garantir suprimento para o inverno, movimento que pode aliviar a pressão sobre os preços do carvão metalúrgico importado pelo Brasil.
A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, o planejamento econômico chinês) e a Administração Nacional de Energia realizaram em 16 de outubro, em Taiyuan, capital de Shanxi, uma reunião de promoção para acelerar a retomada e o aumento da produção de minas de carvão paralisadas. A exigência é que a província — responsável por cerca de um quarto da produção nacional de carvão — reative a operação o mais rápido possível, com base em garantias de segurança, para estabilizar o mercado de carvão antes da temporada de aquecimento. Para o Brasil, o movimento importa porque Shanxi é fornecedora relevante de carvão metalúrgico (coque) usado na siderurgia, e uma oferta mais estável tende a influenciar os preços de referência que chegam às usinas brasileiras.
A reunião em Taiyuan reuniu NDRC, Administração Nacional de Energia e departamentos correlatos, e definiu que Shanxi deve acelerar a retomada da produção e do trabalho das minas paralisadas, elevando ao máximo a oferta de carvão sem descuidar da segurança. Segundo o comunicado, grupos de trabalho já foram formados para percorrer cidades produtoras da província, identificar gargalos e dificuldades na reativação e estudar a introdução de um pacote de medidas de aumento de produção e garantia de suprimento. O objetivo declarado é consolidar a base de abastecimento para o inverno, quando a demanda por energia e aquecimento atinge o pico no norte da China.
O impacto chega ao Brasil pela cadeia siderúrgica. Shanxi é uma das principais origens do carvão metalúrgico consumido globalmente, e o Brasil importa parte desse insumo para coqueificação em usinas como as do grupo Gerdau e da CSN, além de abastecer produtores de ferro-gusa independentes no Pará e em Minas Gerais. Uma oferta chinesa mais previsível tende a reduzir a volatilidade dos preços de referência do carvão metalúrgico no mercado internacional, o que afeta diretamente o custo de produção do aço brasileiro e, por consequência, as margens de exportação para a China. O canal é indireto — via formação de preços globais — mas relevante para o setor de mineração e siderurgia, que responde por parcela significativa das exportações brasileiras para o mercado chinês.
Os dados mostram que a China vinha enfrentando restrições de oferta de carvão desde 2021, quando políticas de segurança e fiscalização ambiental levaram ao fechamento de minas e a episódios de escassez. Na leitura do CBI, a reunião em Shanxi sinaliza que Pequim prioriza a estabilidade energética sobre a meta de redução de intensidade carbônica no curto prazo, o que pode manter o apetite chinês por carvão metalúrgico importado — incluindo de origens como Austrália, Mongólia e, em menor escala, Brasil — em patamar elevado nos próximos meses. A comparação com o inverno de 2023, quando a NDRC adotou medidas semelhantes, sugere que o efeito sobre preços costuma aparecer com defasagem de quatro a seis semanas.
O que acompanhar: primeiro, a publicação de decretos provinciais de Shanxi autorizando a retomada de minas específicas, prevista para as próximas semanas; segundo, a evolução do índice Platts de carvão metalúrgico premium, que serve de referência para contratos brasileiros; terceiro, o volume de importações chinesas de carvão metalúrgico nos dados alfandegários de novembro, que indicará se a produção doméstica está de fato substituindo importações.
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