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PAG vê estabilização do mercado imobiliário chinês — oportunidade para fundos brasileiros em ativos imobiliários e consumo
· Redação CBI
Infraestrutura e construção
Shan Weijian, cofundador da PAG, afirma que sinais de estabilização do mercado imobiliário chinês estão cada vez mais claros e devem destravar o consumo das famílias, que mantêm cerca de US$ 30 trilhões em caixa; a leitura interessa a gestores brasileiros com exposição à China e a exportadores de
O mercado imobiliário chinês, que vinha arrastando a confiança do consumidor e o balanço das famílias, começa a dar sinais mais nítidos de estabilização. A avaliação é de Shan Weijian, presidente executivo e cofundador da PAG (Pacific Alliance Group), um dos maiores gestores alternativos da Ásia, feita após participar da Cúpula de Investimento de Líderes Financeiros Internacionais de 2026, em Hong Kong. Para o Brasil, o recado é indireto, mas relevante: se a maior economia asiática recuperar fôlego no consumo, cadeias exportadoras de alimentos, bens de consumo e serviços financeiros podem sentir o efeito já nos próximos trimestres.
Shan Weijian, presidente executivo e cofundador da PAG (Pacific Alliance Group), afirmou que os sinais de estabilização do mercado imobiliário chinês são cada vez mais evidentes e devem impulsionar a melhora do consumo das famílias. A declaração foi feita a veículos de imprensa, incluindo o Caixin, após a Cúpula de Investimento de Líderes Financeiros Internacionais de 2026, realizada em 4 de novembro em Hong Kong. Segundo ele, se o mercado imobiliário não parar de cair e se estabilizar, será difícil melhorar o consumo. O executivo destacou que as famílias chinesas detêm cerca de 30 trilhões de dólares em dinheiro, mais de 50% do Produto Interno Bruto, incluindo 25 trilhões em depósitos familiares — fenômeno que reflete a contração do balanço patrimonial das famílias provocada pela desaceleração do setor imobiliário. Shan também tem visão positiva sobre o setor de administração de propriedades, que, segundo ele, pode gerar fluxo de caixa estável e se adaptar às necessidades da população. No final de outubro, a PAG firmou acordo com o liquidante da China Evergrande para adquirir, por 4,026 bilhões de dólares de Hong Kong, 51,016% das ações da Evergrande Property Services (06666.HK), incluindo a participação da plataforma BVI CEG Holdings, controlada pela Evergrande.
Por que isso chega ao Brasil: o mercado imobiliário chinês é um dos principais canais de transmissão de confiança para o consumo global. Quando as famílias chinesas seguram o caixa por medo de desvalorização de imóveis, elas adiam compras de bens duráveis, alimentos premium e serviços — categorias em que o Brasil é fornecedor relevante, de carnes e café a celulose e calçados. Além disso, a estabilização do setor pode reabrir apetite de investidores institucionais chineses por ativos reais e infraestrutura no exterior, incluindo o Brasil. O impacto direto é indireto, via confiança do consumidor e fluxo de investimento, mas afeta exportadores brasileiros de proteína animal, grãos e bens de consumo, além de gestoras com mandatos asiáticos e empresas brasileiras com operações na China.
Os dados mostram que a PAG desembolsou cerca de 4 bilhões de dólares de Hong Kong por 51% da Evergrande Property Services, num momento em que o setor imobiliário ainda enfrenta liquidações e reestruturações. Na leitura do CBI, isso indica que gestores especializados começam a enxergar valor em ativos imobiliários chineses após anos de ajuste, o que pode anteceder uma recuperação gradual da confiança. A comparação com ciclos anteriores — como a retomada pós-2015 — sugere que a estabilização do setor costuma preceder a melhora do consumo em dois a três trimestres. Para o exportador brasileiro, o sinal é de que o pior da contração pode ter passado, mas a recuperação será lenta e desigual entre categorias.
O que acompanhar: (1) a evolução dos preços de imóveis residenciais nas principais cidades chinesas nos próximos dois meses, que confirmará ou não a tese de estabilização; (2) os dados de vendas no varejo da China, especialmente bens duráveis e alimentos importados, para medir a reação do consumo; (3) o fechamento da operação da PAG com a Evergrande Property Services, previsto para o primeiro trimestre de 2026, que servirá de termômetro para o apetite de investidores estrangeiros no setor.
Nota sobre a fonte
A Caixin reproduz declaração otimista de executivo da PAG após evento em Hong Kong; a tese de estabilização ainda precisa ser confirmada por preços de imóveis e vendas no varejo, o que pode suavizar riscos de nova queda.
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