Tecnologia
Mlily fecha fábrica na Espanha e demite — fornecedores brasileiros de espuma e colchões reavaliam contratos
· Redação CBI
A chinesa Mlily, gigante de colchões, suspende produção da subsidiária Healthcare Foam na Espanha e inicia demissões coletivas após transferir pedidos americanos para fábricas próprias nos EUA; fornecedores brasileiros de espuma, tecidos e molas que abastecem a cadeia exportadora da empresa precisam
A Mlily (603313.SH), maior fabricante chinesa de colchões e travesseiros, anunciou em 31 de outubro a suspensão da produção de sua subsidiária integral Healthcare Foam S.L.U. (Heng Kang Espanha) e o início de demissões coletivas conforme a legislação espanhola. A base, criada em 2020 para atender o mercado americano, perdeu pedidos após a empresa ampliar a capacidade produtiva nos EUA e transferir encomendas para lá. A decisão gerou provisão de cerca de 25 milhões de yuans (aproximadamente USD 3,5 milhões) em despesas administrativas no terceiro trimestre de 2026. Para o Brasil, o movimento sinaliza reacomodação global da cadeia de colchões: fornecedores brasileiros de espuma, tecidos e componentes que exportam para a Europa ou competem com a produção espanhola precisam recalibrar expectativas de pedidos e preços para 2027.
A Mlily, sediada em Nantong, Jiangsu, anunciou em 31 de outubro que sua subsidiária integral Healthcare Foam S.L.U., conhecida como Heng Kang Espanha, suspenderá a produção em breve e iniciará procedimentos de demissão coletiva de acordo com as leis trabalhistas espanholas. A base foi constituída em maio de 2020 e entrou em fase de produção experimental naquele mesmo ano, com a missão original de garantir o fornecimento ao mercado americano diante das barreiras comerciais impostas pelos EUA a colchões chineses. Em 2019, Washington aplicou taxa antidumping de 57,03% sobre os produtos da Mlily, o que levou a empresa a internacionalizar a produção. A provisão de aproximadamente 25 milhões de yuans (cerca de USD 3,5 milhões) registrada no terceiro trimestre de 2026 reflete o custo dessa reestruturação. A empresa afirma que a suspensão reduz custos operacionais e otimiza a alocação de recursos, sem impacto adverso significativo no negócio principal.
O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante para a cadeia de colchões e móveis. O país é um dos principais fornecedores de espuma de poliuretano, tecidos técnicos e molas para o mercado europeu e compete com a produção espanhola em segmentos de médio padrão. Com a saída da Heng Kang Espanha, fornecedores brasileiros que abastecem a Península Ibérica podem enfrentar tanto uma redução de pedidos quanto uma janela de oportunidade para ocupar espaço deixado pela produção suspensa. Além disso, a decisão da Mlily de concentrar pedidos americanos nas fábricas dos EUA e atender a Europa com bases na China e na Sérvia sinaliza que a empresa está reorganizando sua divisão global de trabalho — o que pode afetar contratos de fornecimento de componentes brasileiros para a cadeia exportadora chinesa. O regulador brasileiro com maior exposição é a Camex (Câmara de Comércio Exterior), que monitora mudanças em fluxos de comércio e práticas antidumping, e o MDIC, responsável por defesa comercial.
Os dados mostram que a receita do negócio principal da Mlily na América do Norte atingiu 4,031 bilhões de yuans nos primeiros três trimestres de 2026, alta de 16,29% ano a ano, representando 57,03% da receita total do negócio principal. A Europa contribuiu com 1,364 bilhão de yuans, queda de 6,26%. Na leitura do CBI, a suspensão da fábrica espanhola não reflete retração de vendas, mas um ajuste de capacidade: a empresa prefere produzir nos EUA para evitar riscos tarifários e usar China e Sérvia para atender a Europa. Para fornecedores brasileiros, isso indica que a competição por contratos com a Mlily tende a se deslocar para a Sérvia e a China, não para a Espanha. A taxa antidumping de 4,61% aplicada pelos EUA a colchões espanhóis desde 2024, embora menor que os 57,03% sobre produtos chineses, já não compensa a manutenção da base espanhola diante da capacidade ociosa nos EUA.
O que acompanhar: primeiro, a publicação do decreto de demissões coletivas na Espanha e o prazo de encerramento das operações da Heng Kang, que deve sair até o fim de 2026; segundo, os relatórios trimestrais da Mlily (próximo em janeiro de 2027) para verificar se a provisão de 25 milhões de yuans será suficiente ou se haverá novas baixas contábeis; terceiro, a evolução das exportações brasileiras de espuma e componentes para a Sérvia e a China, que podem substituir parcialmente o fluxo para a Espanha. Empresas brasileiras do setor de móveis e colchões que mantêm contratos com a Mlily devem revisar cláusulas de volume e renegociar prazos para o primeiro semestre de 2027.
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