Macro & Mercados

Metanol verde da Goldwind chega à Coreia do Sul — rota de combustível marítimo verde pressiona exportadores brasileiros

· Clara Lin
Veículos elétricos e bateriasInfraestrutura e construçãoEnergia solar e renováveis

A Goldwind enviou o primeiro lote comercial de metanol verde produzido na Mongólia Interior para Busan, na Coreia do Sul, sinalizando maturação da cadeia chinesa de combustíveis marítimos verdes e pressionando o Brasil a se posicionar na corrida por bunker verde em Santos e Paranaguá.

A Goldwind, líder chinesa em turbinas eólicas, despachou em 10 de setembro o primeiro lote comercial de metanol verde de sua planta de 1,45 milhão de toneladas em Hinggan League, na Mongólia Interior. São 16 caminhões em trânsito para o Porto de Yingkou, em Liaoning, com destino a Busan, na Coreia do Sul. O produto usa vento, hidrogênio, armazenamento e biomassa (palha de milho) e atende ao padrão ISCC da União Europeia. O movimento ocorre num momento de esfriamento do mercado global de combustíveis verdes para navios, mas a Goldwind já tem contrato de longo prazo de 500 mil toneladas anuais com a Maersk. Para o Brasil, o sinal é direto: portos como Santos e Paranaguá, que discutem bunker verde, perdem janela se não acelerarem projetos de metanol e amônia verdes. A Goldwind anunciou em 10 de setembro o envio oficial do primeiro lote de metanol verde de produção experimental. A base fica em Hinggan League, na Mongólia Interior, e adota a tecnologia de acoplamento multienergético 'vento—hidrogênio—armazenamento—biomassa', usando recursos eólicos locais e palha de milho como matéria-prima. O produto atende ao padrão ISCC da União Europeia. O primeiro lote soma 16 caminhões, atualmente em trânsito da base para o Porto de Yingkou, em Liaoning, com destino a Busan, na Coreia do Sul. O projeto está planejado em três fases, com capacidade total de 1,45 milhão de toneladas, sendo 250 mil toneladas na primeira fase. Em novembro de 2023, a Goldwind assinou com a Maersk um acordo de compra de longo prazo de metanol verde com capacidade anual de 500 mil toneladas, para apoiar a operação de baixo carbono dos grandes navios bimotores de metanol da Maersk. Por que isso chega ao Brasil: o comércio bilateral de combustíveis marítimos ainda é incipiente, mas a cadeia de bunker verde afeta diretamente exportadores brasileiros de minério, soja, carne e contêineres que dependem de rotas para Ásia e Europa. Se a Coreia do Sul e a China consolidarem o metanol verde como padrão de bunker, armadores vão repassar custos de carbono e exigir portos com infraestrutura compatível. No Brasil, isso toca o Porto de Santos (SP), o Porto de Paranaguá (PR) e o complexo de Suape (PE), além de reguladores como ANP (combustíveis), ANTAQ (navegação) e o Ministério de Portos e Aeroportos. O impacto direto é indireto, via custo logístico e exigência de certificação de carbono para cargas brasileiras embarcadas em navios que operam na Ásia. Os dados mostram que a Goldwind tem contrato firme de 500 mil toneladas anuais com a Maersk e capacidade projetada de 1,45 milhão de toneladas — escala que nenhum projeto brasileiro de metanol verde atingiu até agora. Na leitura do CBI, isso indica que a China está transformando sua vantagem em eólica e biomassa em liderança na cadeia de combustíveis marítimos verdes, enquanto o Brasil segue discutindo marco regulatório de e-combustíveis sem projeto industrial de escala. A comparação com o etanol de milho americano e com a amônia verde do Oriente Médio mostra que a janela competitiva é curta: quem não tiver oferta certificada até 2027-2028 ficará fora dos contratos de longo prazo dos grandes armadores. O que acompanhar: (1) a negociação do quadro de emissões líquidas zero da Organização Marítima Internacional (IMO), cuja incerteza regulatória ainda trava decisões de investimento; (2) o cronograma da segunda fase da planta da Goldwind e eventual expansão do contrato com a Maersk; (3) a tramitação do marco de combustíveis marítimos verdes no Brasil, incluindo eventuais leilões da ANP e definição de incentivos para bunker verde em Santos e Paranaguá.

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