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Lucro industrial chinês sobe 15,5% com boom de eletrônicos — fornecedores brasileiros de insumos e logística sentem o efeito

· Redação CBI
Eletrônicos e máquinas

Os lucros das empresas industriais chinesas acima de porte designado cresceram 15,5% de janeiro a setembro, puxados por eletrônicos e manufatura de alta tecnologia.

O Departamento Nacional de Estatísticas da China informou em 27 de outubro que os lucros das empresas industriais acima do tamanho designado somaram 6,03 trilhões de yuans (cerca de USD 850 bilhões) nos primeiros nove meses de 2024, alta de 15,5% ano a ano, mantendo o ritmo de dois dígitos desde o início do ano. O motor principal foi o setor eletrônico, cujos lucros dobraram e responderam por 9,6 pontos percentuais do crescimento total. Para o empresário brasileiro, o número não é apenas um indicador macro chinês: ele antecipa o ritmo de compras de componentes, máquinas e serviços logísticos que alimentam a cadeia exportadora China-Brasil e ajuda a calibrar expectativas de preços de insumos industriais e de frete para o quarto trimestre. O dado divulgado pelo Departamento Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês) mostra que, de janeiro a setembro, as empresas industriais chinesas acima do porte designado — aquelas com receita anual superior a 20 milhões de yuans — acumularam lucro total de 6.033,74 bilhões de yuans, crescimento de 15,5% em relação ao mesmo período de 2023. A estatística-chefe do Departamento de Indústria do NBS, Yu Weining, atribuiu o desempenho ao aumento da intensidade de ajuste de políticas macroeconômicas, ao cultivo de novas forças produtivas e ao avanço estável da produção industrial. O setor eletrônico foi o grande destaque: seus lucros cresceram cerca de 100% ano a ano e, sozinhos, impulsionaram 9,6 pontos percentuais do crescimento dos lucros industriais totais. Dentro do segmento, materiais especiais eletrônicos e dispositivos semicondutores discretos avançaram 2,2 vezes e 51,7%, respectivamente, enquanto dispositivos optoeletrônicos e circuitos eletrônicos cresceram 69,8% e 62,5%, refletindo a demanda por capacidade de computação de IA e armazenamento avançado. Por que isso chega ao Brasil: a cadeia eletrônica chinesa é uma das principais consumidoras de insumos e componentes que o Brasil exporta ou reexporta, além de movimentar serviços de logística, frete e armazenagem entre os dois países. O desempenho chinês também afeta a competitividade de manufaturados brasileiros que disputam espaço com produtos chineses no mercado doméstico e em terceiros mercados. O impacto direto é indireto, via demanda por insumos industriais, componentes eletrônicos e serviços logísticos, mas é relevante para importadores brasileiros de eletrônicos, para empresas de logística que operam rotas China-Brasil e para indústrias que usam componentes chineses como insumo. Reguladores como a Receita Federal, no acompanhamento de fluxos de importação, e o Banco Central, na leitura de preços de importação e câmbio, devem observar o efeito sobre a balança comercial e sobre a inflação de bens industriais. Os dados mostram que a manufatura de alta tecnologia acima do porte designado cresceu 52,0% nos lucros, 36,5 pontos percentuais acima da média industrial, e já representa 25,5% do lucro total do setor, alta de 6,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior. A construção de capacidade de computação e data centers impulsionou lucros de fibras ópticas e cabos ópticos em 5,7 vezes e 1,1 vez; a cadeia de computadores e servidores elevou lucros de periféricos, computadores completos e computadores de controle industrial em 2,8 vezes, 1,7 vez e 90,9%; instrumentos de navegação, levantamento, meteorologia e oceanografia e equipamentos odontológicos cresceram 1,9 vez e 59,6%. Na leitura do CBI, esse conjunto indica que a China está migrando rapidamente para segmentos de maior valor agregado, o que tende a aumentar a demanda por insumos especializados e a pressionar a competitividade de manufaturados brasileiros de menor intensidade tecnológica. A margem operacional das empresas industriais chinesas subiu para 5,68%, alta de 0,44 ponto percentual, sinal de que o crescimento de lucros não veio apenas de volume, mas também de ganho de eficiência e queda de custo unitário. O que acompanhar: primeiro, a divulgação dos dados de outubro pelo NBS, em meados de novembro, para confirmar se o ritmo de dois dígitos se sustenta no quarto trimestre; segundo, os embarques de componentes eletrônicos e de máquinas da China para o Brasil nos próximos dois meses, que devem refletir essa demanda aquecida; terceiro, a evolução dos preços de frete e de insumos industriais no mercado internacional, que impactam diretamente a margem de importadores e de indústrias brasileiras que dependem de componentes chineses.

Nota sobre a fonte

Fonte oficial chinesa (NBS) usa tom otimista e atribui o resultado a políticas macroeconômicas; o dado é forte, mas o impacto no Brasil é indireto e depende de frete, câmbio e demanda efetiva dos importadores.

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