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Lucro industrial chinês cresce 25,9%, mas 25 empresas concentram 84% do ganho — fornecedores brasileiros de eletrônicos e mineração sentem o efeito

· Redação CBI
Minério de ferroVeículos elétricos e bateriasEletrônicos e máquinas

Relatórios do terceiro trimestre de 4.038 empresas industriais listadas na China mostram crescimento agregado de 25,86% no lucro, mas altamente concentrado em 25 companhias ligadas à cadeia de computação de IA, semicondutores e mineração — sinal de que a demanda chinesa por insumos brasileiros segue

O lucro líquido das 4.038 empresas industriais listadas na Série A chinesa somou 2,347 trilhões de yuans (cerca de USD 325 bilhões) nos primeiros nove meses de 2026, alta de 25,86% ano a ano, segundo análise dos relatórios do terceiro trimestre divulgada após o dado oficial do Departamento Nacional de Estatísticas, que apontou expansão de 15,5% para empresas acima do porte designado. O número agregado esconde, porém, uma concentração extrema: apenas 25 companhias responderam por 84,3% do incremento de 482,4 bilhões de yuans. Para o Brasil, o dado importa porque essas empresas estão majoritariamente nos elos de semicondutores, computação de IA, petróleo, metais não ferrosos e baterias — cadeias que compram minério de ferro, cobre, níquel e componentes brasileiros ou competem diretamente com fornecedores nacionais. O Departamento Nacional de Estatísticas da China informou em 27 de outubro que o lucro das empresas industriais acima do tamanho designado cresceu 15,5% ano a ano nos primeiros três trimestres. Quatro dias depois, encerrou-se a temporada de balanços do terceiro trimestre das empresas da Série A: as 4.038 industriais listadas reportaram lucro líquido atribuível aos acionistas controladores de 2,347 trilhões de yuans, alta de 25,86% sobre os 1,865 trilhão de yuans do mesmo período de 2025 — um incremento absoluto de 482,4 bilhões de yuans, equivalente a cerca de USD 66 bilhões. Os dois conjuntos de dados apontam para crescimento, mas a análise empresa a empresa revela que o ganho não foi distribuído: ordenando pelo incremento de lucro, a líder Changxin Technology contribuiu sozinha com 137,32 bilhões de yuans, ou 28,5% do incremento total do setor industrial da Série A. As dez primeiras concentraram 62,0% e as 25 primeiras, 84,3%. As outras 4.013 empresas — 99,4% da amostra — ficaram com apenas 15,7% do incremento. Mais: as 100 primeiras contribuíram cumulativamente com 127,5% do ganho, o que significa que as 3.938 restantes tiveram contribuição agregada negativa. O número de empresas com lucro em queda ano a ano chegou a 2.142. Para o leitor brasileiro que opera na cadeia bilateral, o recado é direto: o crescimento industrial chinês está sendo puxado por um bloco restrito de setores — cadeia de computação de IA, semicondutores, petróleo, metais não ferrosos e baterias — e não por uma recuperação ampla da indústria. Entre as 25 empresas que concentram o incremento, o setor eletrônico ocupa oito posições e responde por 53,4% do ganho; as demais 17 se distribuem entre metais não ferrosos (7), petróleo (3), química e fibras químicas (3), máquinas elétricas, construção naval, farmacêutica e materiais de construção. No top 10 aparecem Changxin Technology, PetroChina, Hongqiao Holdings, Zijin Mining, Foxconn Industrial Internet, CNOOC, CATL, Zhongji Innolight, Longsys e GigaDevice. Cinco delas são da cadeia de computação de IA e somam 193,91 bilhões de yuans de incremento; as outras cinco, de petróleo, metais não ferrosos e baterias, somam 105,26 bilhões de yuans. É nesse segundo grupo que o Brasil aparece com mais força: Zijin Mining e CATL, por exemplo, são compradoras relevantes de minério de ferro, cobre, níquel e lítio, e a saúde financeira dessas companhias influencia diretamente o apetite por insumos brasileiros e a disposição de fechar contratos de longo prazo com fornecedores como Vale, Anglo American Brasil e produtores de níquel da Bahia e de Goiás. O impacto direto no comércio bilateral é indireto, via preço e volume de insumos. Os dados mostram que o lucro agregado da indústria chinesa cresce em ritmo superior ao da produção industrial oficial, o que indica ganho de margem concentrado em elos específicos — não uma demanda generalizada. Na leitura do CBI, isso sugere três consequências para o operador brasileiro: primeiro, a demanda chinesa por metais e minerais críticos segue sustentada pelas empresas do topo da lista, o que favorece exportadores de cobre, níquel e lítio, mas não necessariamente de aço e produtos siderúrgicos tradicionais; segundo, a concentração de lucro em semicondutores e IA reduz a pressão de compra sobre bens industriais de menor valor agregado, onde o Brasil tem participação marginal; terceiro, a queda de lucro em 2.142 empresas sinaliza que o mercado interno chinês segue seletivo, o que pode reduzir a demanda por bens de consumo importados — incluindo alimentos processados e produtos de nicho brasileiros. A comparação com ciclos anteriores é pertinente: em 2024 e 2025, o crescimento industrial chinês foi mais difuso, puxado por estímulos à construção e por exportações; agora, o motor é a cadeia de IA e a transição energética, o que muda o perfil do fornecedor brasileiro beneficiado. O que acompanhar nos próximos dias: (1) a divulgação dos balanços individuais de Zijin Mining, CATL e PetroChina em novembro, com guidance de compras de insumos para 2027 — é o termômetro mais direto para contratos de minério e níquel com o Brasil; (2) a evolução do índice de preços de metais não ferrosos em Xangai (SHFE) nas próximas duas semanas, que sinaliza se o repasse de margem dessas empresas chega aos fornecedores; (3) a publicação, pelo Departamento Nacional de Estatísticas, do dado de lucro industrial de outubro, em 27 de novembro, para confirmar se a concentração persiste ou se amplia para outros setores.

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