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Lopal Tech aposta em quase dobrar capacidade de fosfato de ferro-lítio — fornecedores brasileiros de baterias ficam em alerta

· Redação CBI
Veículos elétricos e baterias

A chinesa Lopal Tech defende a viabilidade de um novo contrato de cinco anos para fornecer fosfato de ferro-lítio, mesmo com preço da commodity caindo 28% e três clientes existentes comprando bem abaixo do previsto — sinal de que a expansão de capacidade pode não encontrar demanda real, o que afeta

A Lopal Tech (603906.SH), fabricante chinesa de materiais catódicos de fosfato de ferro-lítio, divulgou na noite de 3 de novembro um anúncio em resposta à carta de supervisão regulatória afirmando que o acordo de fornecimento de cinco anos assinado por sua subsidiária Nanjing Liyuan com a Jiyao Tongxing 'é realmente viável'. O documento, porém, revela que o cumprimento de contratos de longo prazo com três clientes existentes — EVE Energy (Malásia), Chuangneng New Energy e Sunwoda (Tailândia) — ficou bem abaixo do esperado, com volumes entregues nos primeiros três trimestres de 2026 representando apenas 0,01%, 3,85% e 4,87% do volume padrão anual, respectivamente. Para o Brasil, o movimento importa porque o país é fornecedor estratégico de lítio e de insumos para baterias, e a expansão de capacidade chinesa sem demanda confirmada pode pressionar preços e redefinir contratos de fornecimento na cadeia de baterias de veículos elétricos e armazenamento de energia. O fato central é que a Lopal Tech, por meio da subsidiária Nanjing Liyuan, assinou em 8 de outubro um acordo-quadro com a Jiyao Tongxing prevendo o fornecimento planejado de 378,6 mil a 567,8 mil toneladas de fosfato de ferro-lítio entre 2026 e 2030, condicionado a preço, qualidade e entrega. A empresa planeja quase dobrar sua capacidade efetiva de produção para sustentar o contrato. O anúncio de 3 de novembro responde a uma consulta do regulador que exigia não só a justificativa de viabilidade do novo acordo, mas também uma autoavaliação do cumprimento dos contratos de longo prazo desde 2024. Os números divulgados mostram que o preço médio mensal do fosfato de ferro-lítio (densidade de compactação do pó ≥2,50g/cm³) caiu de cerca de 63.500 yuans/tonelada em maio para cerca de 45.500 yuans/tonelada em outubro, queda de aproximadamente 28%. O novo acordo adota o modelo 'custo da matéria-prima + taxa de processamento', com preço confirmado mensalmente, e a empresa argumenta que a queda no carbonato de lítio alivia a pressão de custos downstream. Por que isso chega ao Brasil: o país é um dos principais fornecedores globais de lítio e de concentrados para a cadeia de baterias, e empresas brasileiras de mineração e de processamento de minerais críticos acompanham de perto a demanda chinesa por fosfato de ferro-lítio, química dominante em baterias de veículos elétricos de entrada e em sistemas de armazenamento de energia. A queda de 28% no preço da commodity em cinco meses, combinada com o ritmo lento de compras de três clientes chineses relevantes, sinaliza que a expansão de capacidade anunciada pela Lopal Tech pode não se converter em pedidos reais no prazo. O impacto direto para o Brasil é indireto, via preço internacional do lítio e via renegociação de contratos de fornecimento de insumos para baterias — mas afeta investidores em projetos de lítio em Minas Gerais e na Bahia, além de fornecedores de equipamentos e de serviços para a cadeia de baterias. Reguladores como a ANM (Agência Nacional de Mineração) e o BNDES, que financia projetos de minerais críticos, precisam acompanhar se a demanda chinesa por fosfato de ferro-lítio se confirma ou se a expansão de capacidade chinesa gera excesso de oferta e pressão baixista sobre preços. A interpretação do CBI: os dados mostram que a Lopal Tech tem três contratos de longo prazo com execução muito abaixo do volume padrão anual — 0,01% no caso da EVE Energy Malásia, 3,85% na Chuangneng New Energy e 4,87% na Sunwoda Tailândia — e que a empresa atribui o atraso à fase de ramp-up de capacidade e à introdução de produtos por parte dos clientes. Na leitura do CBI, isso indica que a expansão de capacidade planejada pela Lopal Tech, que quase dobraria sua produção efetiva, carrega risco de execução: se os clientes existentes já compram bem abaixo do contratado, o novo acordo com a Jiyao Tongxing pode enfrentar o mesmo problema. A comparação com o ciclo anterior é relevante: em 2023 e 2024, o setor de fosfato de ferro-lítio na China viveu uma onda de expansão de capacidade que coincidiu com queda de preços, e a Lopal Tech agora repete o movimento em um ambiente de preços ainda em queda. A empresa afirma que os pedidos atuais estão robustos e que o atraso pontual não teve impacto adverso significativo no desempenho operacional, mas o mercado acionário reagiu com altas máximas — a ação atingiu o limite de alta em 30 de setembro, 8 de outubro e novamente em 3 de novembro, após o anúncio de resposta, o que sugere que o investidor está precificando mais a narrativa de expansão do que a execução dos contratos. O que acompanhar: primeiro, o ritmo de ramp-up das fábricas da EVE Energy na Malásia e da Sunwoda na Tailândia, e a entrada em operação da nova fábrica da Chuangneng New Energy no terceiro trimestre — esses eventos determinam se os volumes contratados serão efetivamente comprados. Segundo, a evolução do preço mensal do fosfato de ferro-lítio divulgado pela SMM: se a queda continuar, a Lopal Tech pode ser forçada a renegociar preços ou a rever o cronograma de expansão. Terceiro, a resposta do regulador chinês à consulta e a possibilidade de novos questionamentos sobre a viabilidade do acordo com a Jiyao Tongxing, o que pode afetar o cronograma de aprovação e, por consequência, a demanda por insumos brasileiros na cadeia de baterias.

Nota sobre a fonte

A fonte chinesa enfatiza a viabilidade do acordo e o alívio de custos com a queda do carbonato de lítio, mas relativiza a execução baixíssima dos contratos anteriores; trate a narrativa de expansão com cautela.

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