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Lenovo aposta em 'IA+ nativa' em tablets — fabricantes brasileiros de eletrônicos reavaliam estratégia de software

· Clara Lin
Eletrônicos e máquinasVeículos elétricos e baterias

A Lenovo está redesenhando tablets com IA integrada ao sistema operacional, em vez de apenas adicionar apps de IA, movimento que pressiona fabricantes brasileiros de eletrônicos e importadores a repensar diferenciação de produto em um mercado dominado por hardware chinês.

Por que isso importa

A ofensiva da Lenovo com tablets 'IA+' e o sistema Tianxi AI 4.3 pressiona o setor de Eletrônicos e máquinas no Brasil: Motorola, Samsung, Positivo e Multilaser precisam decidir entre licenciar IA de terceiros ou desenvolver camada própria para manter competitividade no varejo e incentivos da Zona Franca de Manaus. Importadores de eletrônicos devem recalibrar portfólio para 2025, pois modelos sem IA nativa podem perder espaço em NCMs de tablets e smartphones.

O que fazer

Consulte a ANATEL sobre requisitos de homologação e certificação de tablets com IA embarcada; Acompanhe no ComexStat a evolução das importações brasileiras de tablets e componentes eletrônicos por NCM; Verifique com a Receita Federal as regras de conteúdo local e incentivos da Zona Franca de Manaus aplicáveis a software de IA integrado.

Janela de tempo

Tianxi AI 4.3 já está em implantação desde o início de setembro, e a definição da primeira onda da Motorola Brasil e das regras de conteúdo local para 2025 deve ocorrer nos próximos meses.

A Lenovo declarou que a próxima geração de tablets com IA não será um tablet tradicional com um aplicativo de inteligência artificial acoplado, mas um dispositivo redesenhado desde o sistema operacional para integrar IA em toda a cadeia de interação. A empresa chinesa, que controla a Motorola no Brasil e mantém operações industriais em Manaus, aposta na arquitetura 'dispositivo-borda-nuvem' do seu sistema Tianxi AI 4.3 para diferenciar seus produtos. Para o mercado brasileiro, o movimento sinaliza que a próxima onda de tablets importados da China chegará com IA embarcada como padrão, elevando a barra competitiva para montadoras locais e varejistas de eletrônicos. A Lenovo está reposicionando sua linha de tablets em torno do que chama de 'produto IA+', em contraste com o que classifica como '+IA' — a prática comum na indústria de simplesmente instalar aplicativos de inteligência artificial sobre um tablet convencional. Jia Zhaohui, vice-presidente sênior do Grupo Lenovo e responsável pelo Centro Global de Inovação, afirma que a verdadeira transformação não é adicionar funções de IA, mas redesenhar o próprio dispositivo. Chen Ke, vice-presidente e gerente geral da Divisão de Tablets, descreve cenários em que o tablet antecipa conteúdos com base no horário de aulas do usuário, integra anotações, gravações e capturas de tela em uma versão personalizada de anotações após a aula. O sistema Tianxi AI 4.3, implantado desde o início de setembro, distribui tarefas entre dispositivo, borda e nuvem, compartilhando base de conhecimento e contexto entre PC, celular e tablet. O impacto para o Brasil passa por três vetores concretos. Primeiro, a Motorola, controlada pela Lenovo, tem participação relevante no mercado brasileiro de smartphones e tablets, e a integração de IA nativa pode se tornar argumento de venda em um varejo cada vez mais competitivo. Segundo, o Polo Industrial de Manaus abriga linhas de montagem da Lenovo e de concorrentes como Samsung e Positivo, que terão de decidir se licenciam sistemas de IA de terceiros ou desenvolvem camadas próprias para manter incentivos fiscais da Zona Franca e competitividade. Terceiro, importadores brasileiros de eletrônicos precisam recalibrar portfólio: se tablets com IA nativa se tornarem padrão na China, modelos sem essa camada perdem espaço nas prateleiras do varejo nacional. Os dados mostram que empresas de IA como ByteDance (com o assistente Doubao) e Alibaba (com o QwenBook) começaram a entrar diretamente no hardware, encomendando dispositivos a fabricantes ODM. Na leitura do CBI, isso indica uma disputa crescente entre empresas de modelo e fabricantes tradicionais pela definição de quem controla a experiência do usuário. A Lenovo responde com a tese de que a vantagem está na orquestração global de hardware, software e computação heterogênea — argumento que, se confirmado, favorece fabricantes com escala industrial e presença em múltiplos dispositivos, exatamente o perfil que a Lenovo mantém no Brasil via Manaus e Motorola. Para o empresário brasileiro do setor, três pontos merecem monitoramento. Primeiro, o cronograma de lançamento global dos tablets com Tianxi AI 4.3 e se a Motorola Brasil será incluída na primeira onda. Segundo, a resposta de Samsung, Positivo e Multilaser no mercado local, especialmente em faixas de preço populares onde a IA embarcada ainda é rara. Terceiro, eventuais mudanças nas regras de conteúdo local do Polo Industrial de Manaus para produtos com software de IA integrado, que podem afetar custos de montagem e incentivos fiscais ao longo de 2025.

Nota sobre a fonte

A 36氪, mídia chinesa de tecnologia, tende a reproduzir a narrativa corporativa da Lenovo sobre 'IA+ nativa' e a omitir custos de licenciamento, dependência de ODM chineses e riscos para fabricantes brasileiros.

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