Tecnologia

Kingdee aposta em 'diretor de prática' para IA — modelo pode influenciar gestão de empresas brasileiras com operações na China

· Redação CBI

O fundador da Kingdee, Xu Shaochun, defende que a transformação em IA começa no topo, com o líder máximo atuando como 'diretor de prática'; para empresas brasileiras que operam ou fazem negócios com a China, o recado é que a adoção de IA exige envolvimento direto da alta gestão, não apenas de áreas

Xu Shaochun, fundador e presidente da Kingdee, maior fornecedora chinesa de software de gestão empresarial, afirmou que a transformação das empresas em inteligência artificial deve ser liderada pelo executivo máximo, que precisa assumir o papel de 'diretor de prática' — ou seja, participar ativamente da implementação, e não apenas patrocinar projetos. A declaração foi feita em evento do setor e repercutida pelo site PingWest. Para o empresário brasileiro, o ponto central não é a ferramenta em si, mas o modelo de governança: empresas que tentam delegar IA a departamentos de TI tendem a colher resultados frágeis, enquanto as que colocam o CEO na linha de frente aceleram ganhos de produtividade e reduzem custos operacionais. Xu Shaochun, fundador e presidente da Kingdee, defendeu que a transformação das empresas em inteligência artificial deve ter o líder máximo como 'diretor de prática' — expressão que, no jargão corporativo chinês, designa o executivo que participa diretamente da execução, e não apenas da aprovação orçamentária. A fala foi feita em evento do setor e divulgada pelo PingWest. A Kingdee é uma das principais fornecedoras chinesas de software de gestão empresarial (ERP) e tem ampliado sua plataforma de serviços em nuvem com recursos de IA para clientes industriais e de serviços. O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante para empresas com operações na China ou que integram cadeias produtivas com fornecedores chineses. Subsidiárias brasileiras de grupos chineses — nos setores de energia, infraestrutura, agronegócio e eletrônicos — costumam adotar os mesmos sistemas de gestão da matriz. Se a Kingdee emplacar seu modelo de 'diretor de prática' como padrão, gestores brasileiros nessas operações podem ser cobrados a liderar pessoalmente projetos de IA, em vez de repassá-los a equipes locais de tecnologia. O mesmo vale para empresas brasileiras que usam ERPs chineses em joint ventures ou compras de fornecedores. Os dados mostram que a adoção de IA em empresas chinesas tem sido liderada por companhias de tecnologia e manufatura avançada, com taxas de implementação superiores às de setores tradicionais. Na leitura do CBI, a declaração de Xu Shaochun sinaliza uma mudança de discurso: depois da fase de experimentação, fornecedores de software passam a vender governança e método, não apenas ferramentas. Para o leitor brasileiro, isso indica que a pressão por engajamento da alta gestão em IA deve chegar também às operações locais de grupos chineses e aos parceiros comerciais que compartilham sistemas de gestão. O que acompanhar: primeiro, se a Kingdee lançará programa de certificação ou metodologia formal para o 'diretor de prática' — o que pode virar exigência contratual em implantações de ERP com IA. Segundo, se empresas brasileiras com capital chinês nos setores de energia e infraestrutura anunciarem iniciativas de IA lideradas por seus presidentes locais. Terceiro, a evolução dos investimentos de Kingdee em nuvem e IA, que podem afetar preços e disponibilidade de módulos para clientes no Brasil.

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