Macro & MercadosMonitorar
Jiumaojiu aposta em suprimentos na origem para vencer desconfiança com pré-preparados — lição para redes brasileiras de alimentação
· Redação CBI
O grupo chinês Jiumaojiu, dono de marcas como Tai Er e Song Hotpot, com cerca de 600 lojas e presença no Sudeste Asiático e América do Norte, está reestruturando seu sistema de suprimentos para controlar qualidade desde a origem — movimento que sinaliza uma mudança global na lógica competitiva da
O Grupo Jiumaojiu, rede de restaurantes chinesa com 31 anos de operação e cerca de 600 lojas sob marcas como Jiumaojiu, Tai Er, Song Hotpot e Shanwaimian, anunciou em 25 de outubro a consolidação do seu 'Sistema de Suprimentos Zhenxian', que antecipa o controle de qualidade até fazendas e tanques de peixes na origem. A empresa, que já opera no Sudeste Asiático, América do Norte e Canadá, aposta que o frescor dos ingredientes se tornou o principal critério de escolha do consumidor chinês — 38,8% dos clientes priorizam esse fator, à frente de preço e variedade. O movimento espelha uma tendência que também pressiona redes brasileiras de alimentação, que enfrentam crescente escrutínio sobre o uso de alimentos pré-preparados e a percepção de qualidade dos pratos servidos em loja.
O Grupo Jiumaojiu, com sede na China e 31 anos de operação, formalizou em 25 de outubro a estratégia que batizou de 'Sistema de Suprimentos Zhenxian' — termo que combina as ideias de frescor e qualidade. A companhia, que reúne marcas como Jiumaojiu, Tai Er, Song Hotpot e Shanwaimian, soma cerca de 600 lojas na China e já opera no Sudeste Asiático, América do Norte e Canadá. O sistema prevê controle de qualidade antecipado até os campos de cultivo e tanques de peixes, com fornecimento em linhas dedicadas e contratação de bases exclusivas para quatro ingredientes centrais: acelga em conserva, arroz, peixe vivo e pimenta. A empresa afirma que o modelo sustenta o preparo na hora em cozinhas abertas, respondendo diretamente às críticas do mercado sobre alimentos pré-preparados.
O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante para o setor de alimentação fora do lar. Redes brasileiras de restaurantes e franquias enfrentam debate semelhante sobre pré-preparados, com consumidores cada vez mais atentos à origem dos ingredientes e ao preparo em loja. O movimento do Jiumaojiu sinaliza que a competição no setor pode migrar da eficiência logística e do custo para a qualidade e rastreabilidade dos insumos — tendência que pode influenciar fornecedores brasileiros de proteínas, hortifrúti e grãos que atendem grandes redes. Reguladores como a ANVISA e o MAPA, além de associações setoriais, podem ser pressionados a acompanhar padrões de rotulagem e rastreabilidade adotados na China.
Os dados mostram que, em 2025, 38,8% dos consumidores chineses de fast-food consideram o frescor dos ingredientes o fator mais importante na escolha da loja, acima de descontos e variedade de pratos. Na leitura do CBI, isso indica que a diferenciação por qualidade de insumos deixou de ser nicho para se tornar estratégia central de marcas líderes, como já fizeram Laoxiangji e Xiangcunji ao publicar relatórios de rastreabilidade e adotar preparo na hora. A comparação com o mercado brasileiro sugere que redes que não estruturarem cadeias de suprimento verificáveis podem perder participação para concorrentes que comunicarem origem e frescor de forma transparente.
O que acompanhar: primeiro, a evolução dos relatórios de rastreabilidade e padrões de qualidade publicados pelo Jiumaojiu e seus pares chineses, que podem se tornar referência para fornecedores exportadores brasileiros; segundo, o debate regulatório no Brasil sobre rotulagem de pré-preparados e exigências de origem em cardápios, que pode ganhar força à medida que o consumidor local se espelhar em tendências asiáticas; terceiro, a resposta de grandes redes brasileiras de alimentação, que podem anunciar revisões em seus sistemas de suprimento nos próximos meses.
Nota sobre a fonte
Fonte oficial chinesa (People's Daily) tende a apresentar a estratégia do Jiumaojiu de forma institucional e positiva; o impacto no Brasil é indireto e não há evidência de mudança regulatória imediata.
O que isso significa para sua empresa?
A CBI transforma sinais da China em pesquisa de mercado, avaliação de parceiros e apoio à entrada no mercado.
Conversar com a equipe →Receba o briefing diário
3-5 destaques por dia, direto no e-mail. Gratuito.