Regulação Financeira

IA redesenha economia global e pressiona empregos — o que muda para o Brasil na era da automação

· Redação CBI

Especialistas no Bund Summit 2026, em Xangai, apontam que a IA está criando um boom de investimentos e produtividade, mas ameaça empregos e amplia desigualdade; para o Brasil, o alerta é sobre qualificação da mão de obra e dependência de cadeias globais de tecnologia.

A inteligência artificial está remodelando a economia global, criando oportunidades de produtividade e investimento, mas também levantando preocupações sobre emprego, desigualdade de renda e governança. Esse foi o tom do Bund Summit 2026, realizado em Xangai entre 19 e 22 de outubro, que reuniu economistas, formuladores de políticas e especialistas para debater o impacto dos avanços tecnológicos. Para o Brasil, o recado é direto: o país precisa acelerar a qualificação de trabalhadores e definir uma estratégia de governança de IA, sob risco de ver setores como serviços financeiros e indústria de transformação perderem competitividade diante de cadeias produtivas cada vez mais automatizadas. O Bund Summit 2026, em Xangai, reuniu economistas, formuladores de políticas e especialistas para discutir como a inteligência artificial está transformando a economia global. Yang Bin, vice-presidente do Conselho da Universidade Tsinghua, afirmou que a inovação em IA está entrando em um período de crescimento sem precedentes, transformando a criação de conhecimento, a pesquisa científica e setores como finanças. Robert Rubin, ex-secretário do Tesouro dos EUA, destacou o potencial da IA para impulsionar a produtividade, mas alertou sobre perdas de empregos e os desafios enfrentados por trabalhadores do conhecimento. Huang Yiping, reitor da National School of Development da Universidade de Pequim, traçou paralelos com a 'pausa de Engels' da Revolução Industrial, quando a produção disparou, mas os salários reais estagnaram por décadas, e alertou que, se a IA beneficiar mais o capital do que o trabalho, a desigualdade de renda pode aumentar e pressionar os sistemas tributários. Krishna Srinivasan, diretor do Departamento da Ásia e Pacífico do FMI, disse que a demanda por trabalho em setores com alta exposição à IA caiu 10% em relação aos de baixa exposição, embora o declínio tenha se estabilizado, sugerindo que a IA pode estar remodelando os mercados de trabalho em vez de simplesmente substituir trabalhadores. Claudio Irigoyen, chefe global de economia do Bank of America, afirmou que o impacto econômico da IA atualmente é impulsionado em grande parte por um boom de investimentos, beneficiando países profundamente integrados às cadeias de suprimentos de IA, e que o aumento do investimento também está influenciando as avaliações de ativos financeiros e gerando efeitos de riqueza. Zhang Wencai, diretor-gerente do Banco Mundial, disse que os próximos um a dois anos serão críticos para como a IA é usada e regulamentada, e pediu maior coordenação internacional para desenvolver padrões comuns de governança por meio de diálogo inclusivo.

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