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IA nas empresas brasileiras patina sem 'modelo de mundo' — Tezign aponta lacuna de produtividade
· Redação CBI
A Tezign defende que agentes de IA empresariais precisam de dois modelos de mundo — um para entender o cliente e outro para entender a operação interna — porque 95% dos pilotos corporativos não geram retorno mensurável, segundo o MIT.
A adoção de IA generativa nas empresas já é massiva, mas a produtividade não acompanhou: segundo o relatório de 2025 do NANDA, do MIT, 95% dos pilotos corporativos de IA generativa não trouxeram retorno mensurável de lucros e perdas. Mais de 90% dos funcionários já usam ferramentas pessoais de IA no trabalho, mas apenas 40% das empresas compram assinaturas corporativas oficiais. No fórum WTCC, em Xangai, o fundador da Tezign, empresa chinesa de tecnologia de conteúdo e agentes empresariais, propôs a resposta: as companhias precisam construir dois 'modelos de mundo' — um voltado ao cliente e outro à operação interna — em vez de apostar em um único modelo maior. Para o empresário brasileiro que já testou IA sem ver resultado no P&L, o diagnóstico chinês soa familiar.
O dado central veio do relatório de 2025 do NANDA, laboratório do MIT dedicado a IA generativa empresarial: entre as empresas entrevistadas, 95% dos pilotos de IA generativa não geraram retorno mensurável de lucros e perdas. Ao mesmo tempo, mais de 90% dos funcionários em empresas já usam ferramentas pessoais de IA para trabalhar, mas só 40% das companhias compram assinaturas corporativas oficiais. A leitura da Tezign, apresentada no fórum WTCC em West Bund, Xangai, é que a IA foi usada, mas parou no nível individual — e o que falta às empresas não é um modelo mais potente, mas dois 'modelos de mundo' distintos: um voltado para fora, que entende por que o cliente prefere uma escolha e o que o faz mudar de ideia, e outro voltado para dentro, que entende por quais processos, recursos, regras e relações de colaboração uma decisão passa até ser implementada. Os dois não podem ser fundidos sem perda: fundidos, ambos ficam embotados; faltando um, o agente ou executa com eficiência um objetivo errado, ou entende a demanda mas não consegue entregá-la.
Por que isso chega ao Brasil: o setor de serviços digitais e de consultoria em transformação digital brasileiro já replica o padrão chinês de adoção fragmentada — ferramentas de IA entrando pelas mãos dos funcionários, sem contrato corporativo e sem governança de dados. Empresas brasileiras de varejo, serviços financeiros e agronegócio que testaram copilotos e agentes de atendimento enfrentam o mesmo gargalo apontado pela Tezign: o conhecimento tácito da operação — gosto, julgamento, senso de limite, experiência e relações — não está nos documentos que alimentaram o modelo. O impacto direto é indireto, via fornecedores de tecnologia e consultorias que precisarão reposicionar suas ofertas de 'IA empresarial' para incluir camadas de contexto organizacional, não apenas acesso a LLMs. Reguladores como o Banco Central, no caso de agentes financeiros, e a ANPD, na governança de dados, tendem a acompanhar a maturidade desses sistemas.
Os dados mostram que a lacuna é de arquitetura, não de poder computacional: a Tezign classifica o conhecimento empresarial em explícito — manuais, processos, regulamentos — e tácito, que só cresce em projetos e colaborações concretas. Na leitura do CBI, isso indica que o mercado brasileiro de IA corporativa deve migrar de 'quantos documentos alimentamos o modelo' para 'quão bem capturamos o julgamento da operação'. É o mesmo movimento que a Tezign descreve ao dizer que 'alimentar a IA com todos os documentos' não equivale a 'a IA entendeu a empresa'. Para o empresário brasileiro, a implicação prática é que o investimento em IA sem redesenho de processos e captura de conhecimento tácito tende a repetir os 95% de pilotos sem retorno do MIT.
O que acompanhar: primeiro, a evolução dos relatórios do NANDA/MIT sobre retorno de pilotos de IA generativa, que servem de benchmark para conselhos de administração brasileiros; segundo, se fornecedores globais de agentes empresariais — Microsoft, Salesforce, SAP e equivalentes chineses — passarem a vender camadas de 'contexto organizacional' como produto separado, sinal de que a tese dos dois modelos de mundo virou padrão de mercado; terceiro, o ritmo de contratação corporativa de assinaturas de IA no Brasil, indicador de que a adoção saiu do nível individual para o institucional.
Nota sobre a fonte
A mídia chinesa 量子位 apresenta a tese da Tezign como solução madura, mas o dado central (95% de pilotos sem retorno) vem de relatório do MIT, o que reduz o viés otimista.
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