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GigaDevice lucra com escassez de memória, mas fundador vende ações — o que muda para importadores brasileiros de semicondutores
· Redação CBI
Eletrônicos e máquinas
A chinesa GigaDevice, fabricante de chips de memória e MCUs, registrou lucro líquido de 11,07 bilhões de yuans nos três primeiros trimestres de 2026, mas seu fundador Zhu Yiming vendeu 1,58% da empresa por 4,4 bilhões de yuans enquanto o valor de mercado caiu abaixo de 200 bilhões.
A GigaDevice Semiconductor, fabricante chinesa de chips de memória e microcontroladores (MCUs), divulgou nesta semana um lucro líquido de 11,07 bilhões de yuans (cerca de USD 1,55 bilhão) nos três primeiros trimestres de 2026, alta de 921% na comparação anual, impulsionada pela escassez global de chips de memória. A receita trimestral atingiu 8,73 bilhões de yuans, crescimento de 225%. Apesar do desempenho, o fundador Zhu Yiming reduziu sua participação em 1,58% entre maio e junho, embolsando 4,4 bilhões de yuans, e o valor de mercado da companhia caiu para 194,3 bilhões de yuans — abaixo da marca de 200 bilhões. Para importadores brasileiros de componentes eletrônicos e fabricantes locais que dependem de memórias e MCUs chineses, o movimento acende alerta sobre a sustentabilidade do ciclo de escassez e a volatilidade de preços no curto prazo.
A GigaDevice, listada na bolsa de Xangai sob o código 603986, reportou receita de 20,3 bilhões de yuans nos três primeiros trimestres de 2026, crescimento de 197% em relação ao ano anterior. O lucro líquido após dedução de itens não recorrentes foi de 9,43 bilhões de yuans, alta de 805%. No terceiro trimestre isolado, a receita somou 8,73 bilhões de yuans (+225,65%) e o lucro líquido, 4,2 bilhões de yuans (+728,93%). A empresa atribui o desempenho à oferta apertada no setor de chips de memória, que permitiu aumento simultâneo de volume e preço, além do avanço nas linhas de MCUs e outros produtos. A escala de embarques cresceu e o resultado operacional consolidou ganhos expressivos.
O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante. O país importa volumes crescentes de semicondutores e componentes eletrônicos da China, insumos usados por fabricantes de eletrodomésticos, equipamentos industriais, automotivo e telecomunicações. A GigaDevice fornece memórias NOR Flash e MCUs para aplicações embarcadas, setores que incluem desde eletrônicos de consumo até módulos de controle industrial. Um ciclo de escassez prolongado tende a elevar preços de componentes e pressionar custos de produção de empresas brasileiras que montam produtos com chips chineses. Por outro lado, a queda no valor de mercado da companhia e a venda de ações pelo fundador podem sinalizar que o mercado precifica normalização da oferta adiante, o que, se confirmado, aliviaria pressões de custo em 2027.
Os dados mostram que a GigaDevice recompraria até 2 bilhões de yuans em ações e que Zhu Yiming se comprometeu a não vender novas participações por 12 meses a partir de 29 de julho de 2026. Na leitura do CBI, a combinação de lucro recorde com venda de participação pelo fundador e queda de 67% no preço da ação desde o pico de julho (846,66 yuans) indica que o mercado já antecipa arrefecimento do ciclo de escassez de memória. Para o comprador brasileiro, isso sugere que negociações de contratos de fornecimento para 2027 devem considerar cenário de preços mais estáveis, mas com risco de volatilidade no curtíssimo prazo, especialmente se a oferta global de memórias seguir apertada nos próximos dois trimestres.
O que acompanhar: primeiro, a divulgação do relatório anual da GigaDevice em março de 2027, que deve trazer guidance de produção e preços para o ano; segundo, os dados mensais de importação brasileira de componentes eletrônicos da China (Comex Stat), para medir se há repasse de preços ao mercado local; terceiro, anúncios de capacidade de novas fábricas de memória na China e na Coreia do Sul, que podem alterar o equilíbrio de oferta global e, por consequência, os custos de importação para a indústria brasileira.
Nota sobre a fonte
A 36氪, mídia chinesa, enfatiza o lucro recorde e a escassez setorial, enquanto a leitura do CBI incorpora a venda do fundador e a queda de 67% como sinal de possível normalização; o tom otimista pode omitir o risco de volatilidade de curto prazo.
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