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Gelato chinês Sr. Selvagem capta investimento e mira exterior — franquias brasileiras de sorvete artesanal sob alerta competitivo

· Redação CBI

A rede chinesa de gelato Sr. Selvagem, com mais de 1.800 lojas, recebeu seu primeiro aporte externo da Black Ant Capital e planeja validar lojas no exterior, sinalizando que a pressão competitiva do sorvete artesanal chinês pode chegar ao mercado brasileiro via expansão internacional e importação de

A marca chinesa de gelato Sr. Selvagem anunciou em 30 de outubro sua primeira rodada de financiamento, tendo a Black Ant Capital como parceira estratégica de longo prazo. O valor não foi divulgado. Fundada em 2011 em Wudaokou, Pequim, a rede saltou de menos de 100 lojas por mais de uma década para 1.800 unidades em operação até agora, com planos de usar os recursos para atualizar a cadeia de suprimentos, construir marca, expandir a rede doméstica e validar um modelo de lojas no exterior. Para o Brasil, o movimento importa porque o país é um dos maiores mercados de sorvete do mundo e vê crescer o segmento artesanal; a internacionalização de uma rede chinesa com modelo de franquia e custo controlado pode pressionar redes locais e abrir espaço para fornecedores brasileiros de equipamentos de refrigeração, máquinas de gelato e insumos como frutas tropicais. O fato central é o primeiro aporte externo na história do Sr. Selvagem. A Black Ant Capital, que já investiu em redes de consumo como Heytea, Pop Mart, Jian'ai Yogurte, M Stand e Helen's, torna-se parceira estratégica de longo prazo. Os recursos serão direcionados a quatro frentes: atualização do sistema de cadeia de suprimentos, construção da marca, expansão da rede de lojas domésticas e validação e exploração preliminar do modelo de lojas no exterior. Segundo He Yu, sócio-gerente da Black Ant, o Sr. Selvagem levará ao mercado externo a capacidade de produto e de cadeia de suprimentos acumulada no mercado doméstico. A rede opera mais de 1.800 lojas em 31 províncias e mais de duzentas cidades, com franquias representando mais de 80% das unidades; o consumo médio por pessoa é de cerca de 26,7 yuans e o investimento por loja fica na faixa de 500 a 700 mil yuans. O modelo de produto é baseado em produção diária na loja, lançamentos em horários fracionados e nenhuma venda de gelato de um dia para o outro, com sabores localizados como ameixa de Xianju, arroz de Wuchang, Pu'er e espinheiro, e preços entre 28 e 38 yuans. Por que isso chega ao Brasil: o país é um dos maiores consumidores de sorvete do mundo e tem visto o segmento de sorvete artesanal e gelato crescer, especialmente em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A expansão internacional do Sr. Selvagem ainda é uma validação preliminar, sem data ou país definido, mas o precedente de redes chinesas de consumo — como Heytea e Mixue — mostra que a internacionalização costuma começar por mercados com grande população e cadeia de franquias madura. O impacto direto é indireto, via pressão competitiva sobre redes brasileiras de sorvete artesanal e via demanda por equipamentos e insumos. Fornecedores brasileiros de máquinas de gelato, freezers e frutas tropicais podem se beneficiar se a rede chinesa decidir testar o mercado brasileiro; por outro lado, franqueados locais de sorvete artesanal podem enfrentar concorrência de uma marca com custo de loja controlado e forte apelo de marca. Reguladores como a Anvisa e o MAPA não têm ação imediata, mas a eventual importação de insumos e equipamentos passaria pela Receita Federal e pelas regras de vigilância sanitária. A interpretação do CBI: os dados mostram que o mercado chinês de gelato cresceu de 5,43 bilhões de yuans em 2019 para 12,222 bilhões de yuans em 2024, com taxa composta anual de 17,62%, muito acima da média de cerca de 5% do mercado total de sorvetes. O mercado doméstico de sorvete artesanal deve atingir cerca de 42 bilhões de yuans em 2026, cerca de um quinto do mercado total. Na leitura do CBI, isso indica que o Sr. Selvagem está capitalizando um segmento em expansão acelerada para testar mercados externos antes que a concorrência doméstica se intensifique. O precedente da Mixue, que hoje opera milhares de lojas no Sudeste Asiático, mostra que redes chinesas de sorvete conseguem exportar modelo de franquia e cadeia de suprimentos. Para o Brasil, o risco é de entrada futura via franquia master ou joint venture com grupos locais, o que pressionaria redes como DQ, Kibon e sorveterias artesanais regionais. A dor do setor chinês — sazonalidade forte, padronização difícil e recompra fraca — também é conhecida no Brasil, o que torna o modelo de negócio testável localmente. O que acompanhar: primeiro, a definição dos países-alvo da validação internacional do Sr. Selvagem, que deve ser divulgada nos próximos meses; segundo, o ritmo de abertura de lojas no exterior e eventuais parcerias com franqueados brasileiros; terceiro, a evolução do mercado brasileiro de sorvete artesanal, com dados da ABRAS e de associações setoriais, para medir se há espaço para uma rede chinesa de baixo custo médio.

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