Tecnologia

Fundador da Cambricon vira 10º mais rico da China — o que a corrida por chips de IA chinesa significa para investidores brasileiros

· Redação CBI
Eletrônicos e máquinas

Chen Tianshi, 41, fundador da Cambricon, entrou no top 10 da lista Hurun com fortuna de 205 bilhões de yuans após sua empresa de chips de IA superar 550 bilhões de yuans em valor de mercado.

A Cambricon, fabricante chinesa de chips para inteligência artificial, completou dez anos em 2026 com um valor de mercado superior a 550 bilhões de yuans (cerca de USD 76 bilhões), catapultando seu fundador, Chen Tianshi, 41, ao top 10 da lista Hurun — o primeiro empresário nascido em Jiangxi a entrar no seleto grupo, com patrimônio de 205 bilhões de yuans. A trajetória, que incluiu um tombo de mais de 80% nas ações entre 2020 e 2022 e uma recuperação impulsionada pelo chip Siyuan 590, de processo 7nm, redesenha o mapa da riqueza tecnológica chinesa. Para o Brasil, o movimento importa porque a Cambricon se posiciona como substituta doméstica da Nvidia em um momento em que restrições americanas redirecionam o fluxo global de semicondutores — e alteram custos e disponibilidade de infraestrutura de IA para empresas brasileiras. A Cambricon, fundada em 2016 por Chen Tianshi e seu irmão Chen Yunji, ambos egressos do Instituto de Computação da Academia Chinesa de Ciências, tornou-se o símbolo mais visível da aposta chinesa em chips de inteligência artificial. A empresa listou-se no STAR Market em julho de 2020 com valor de mercado acima de 100 bilhões de yuans no primeiro dia, mas mergulhou em um vale de quase dois anos, com as ações chegando a 46,59 yuans em abril de 2022 — queda superior a 80% ante o pico. A virada veio em 2024, com o chip Siyuan 590, de 7nm, cuja eficiência em inferência se aproxima da de concorrentes internacionais e que suporta a maioria dos grandes modelos domésticos chineses. No fim de junho deste ano, a Cambricon se tornou a primeira ação trilhonária do STAR Market, e mesmo após correções o valor de mercado segue acima de 550 bilhões de yuans. Chen detém diretamente 28,32% das ações, participação avaliada em quase 160 bilhões de yuans. O impacto para o Brasil é indireto, mas concreto, via três canais. Primeiro, a consolidação de uma cadeia chinesa de chips de IA fora do ecossistema Nvidia tende a pressionar para baixo os custos de infraestrutura de data centers no médio prazo, beneficiando provedores de nuvem e empresas brasileiras que treinam modelos locais. Segundo, restrições americanas à exportação de semicondutores avançados para a China empurram Pequim a subsidiar ainda mais sua indústria doméstica, o que pode abrir espaço para joint ventures com fabricantes brasileiros de eletrônicos e montadoras que buscam componentes automotivos com IA embarcada. Terceiro, o caso Cambricon reforça a tese de que o capital de risco chinês está migrando definitivamente para hardware e IA, sinal que investidores brasileiros com exposição a fundos asiáticos devem monitorar. Os dados mostram que a Cambricon saiu de um prejuízo crônico para uma valorização de mercado que a coloca entre as maiores empresas de tecnologia da China em menos de dois anos. Na leitura do CBI, isso indica que a política industrial chinesa de substituição de importações em semicondutores começou a produzir campeões de mercado, não apenas projetos de laboratório — um paralelo com o que ocorreu com a BYD no setor de veículos elétricos entre 2020 e 2023. A diferença é que, no caso dos chips, o Brasil não tem cadeia produtiva doméstica relevante, o que limita o efeito multiplicador local e torna o país mais dependente de decisões tomadas em Washington e Pequim sobre exportação de tecnologia. O que acompanhar: (1) a divulgação do balanço trimestral da Cambricon, prevista para o fim de agosto, que indicará se a empresa sustenta margens após a valorização; (2) a próxima rodada de restrições americanas à exportação de chips para a China, que pode redirecionar fornecedores para o mercado brasileiro; (3) a evolução dos preços de GPUs no mercado spot asiático, referência para importadores brasileiros de hardware de IA.

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