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Fotovoltaicas chinesas reduzem perdas no 3º tri, mas excesso de oferta pressiona preços e importadores brasileiros de módulos

· Redação CBI
Energia solar e renováveisInfraestrutura e construção

TCL Zhonghuan, JinkoSolar, Aiko Solar e LONGi reportaram redução de prejuízos no terceiro trimestre de 2026, mas o setor fotovoltaico chinês segue em sobreoferta há quase três anos, o que mantém pressão baixista sobre preços de módulos e abre janela de compra para distribuidores e integradores

As principais fabricantes chinesas de equipamentos fotovoltaicos divulgaram até 31 de outubro seus balanços do terceiro trimestre de 2026 com perdas menores ou até lucro, sinal de que o pior da crise de margens pode ter passado para algumas líderes. A TCL Zhonghuan reduziu o prejuízo em 11,86% na comparação anual, para 1,352 bilhão de yuans; a JinkoSolar cortou o prejuízo em cerca de 71,3%, para 290 milhões de yuans; a Aiko Solar reverteu o resultado negativo e lucrou 45 milhões de yuans; e a LONGi registrou perda de 1,029 bilhão de yuans, 41,66% menor que no trimestre anterior. Para o Brasil, o dado central é outro: o excesso de oferta global persiste, e isso continua a pressionar para baixo os preços de módulos importados que abastecem o mercado brasileiro de geração distribuída e projetos centralizados. O setor fotovoltaico chinês completou quase três anos em ciclo de baixa, e os balanços do terceiro trimestre de 2026, divulgados até 31 de outubro, mostram um quadro de estabilização desigual. A TCL Zhonghuan (002129.SZ) registrou perda de 1,352 bilhão de yuans no trimestre, redução de 11,86% ante o mesmo período de 2025. A JinkoSolar (688223.SH) teve prejuízo líquido de 290 milhões de yuans, queda de aproximadamente 71,3% na comparação anual. A Aiko Solar (600732.SH) reverteu o prejuízo e lucrou 45 milhões de yuans, contra perda de 295 milhões de yuans um ano antes. Já a LONGi Green Energy (601012.SH) apresentou perda de 1,029 bilhão de yuans, 41,66% menor que no segundo trimestre, com fluxo de caixa operacional trimestral positivo, embora o prejuízo tenha crescido cerca de 23,4% na comparação anual. A leitura conjunta é de que cortes de custo e ajustes de capacidade começam a aparecer no resultado de algumas empresas, mas o desequilíbrio entre oferta e demanda segue dominante no setor como um todo. Para o Brasil, o canal de transmissão é direto pelo comércio de módulos e inversores. O país é um dos maiores mercados de geração distribuída solar do mundo, e a cadeia de importação — distribuidores, integradores, engenharia de projetos e o consumidor final residencial e comercial — depende do preço FOB chinês. Enquanto o excesso de oferta persistir, a tendência é de preços internacionalmente baixos para módulos, o que favorece a margem de distribuidores e integradores brasileiros, mas comprime a competitividade da produção local e pressiona a decisão de compra de projetos centralizados, que dependem de leilões e financiamento do BNDES. O regulador setorial brasileiro, a ANEEL, e o Ministério de Minas e Energia acompanham o efeito sobre a curva de preços da energia e sobre a viabilidade de novos projetos. A Receita Federal, por sua vez, monitora a classificação fiscal e as regras de ex-tarifário que incidem sobre equipamentos fotovoltaicos importados. Os dados mostram que a redução de perdas em algumas líderes é real e mensurável, especialmente em JinkoSolar e Aiko Solar, mas não indica fim do ciclo. Na leitura do CBI, o excesso de oferta estrutural — resultado de anos de expansão acelerada de capacidade na China — deve manter os preços de módulos baixos por mais alguns trimestres, mesmo que as empresas individuais melhorem margens via corte de custos e desaceleração de capex. A comparação com ciclos anteriores, como o de 2012-2013, sugere que a consolidação do setor costuma levar de 18 a 24 meses após o primeiro sinal de redução de perdas para que a oferta efetivamente se ajuste. Para o comprador brasileiro, isso significa que a janela de preços favoráveis pode se estender, mas com risco de volatilidade cambial e de eventuais medidas antidumping ou de salvaguarda que podem alterar o custo de importação. O que acompanhar: primeiro, a divulgação dos balanços anuais de 2026, em março de 2027, para confirmar se a redução de perdas se sustenta em todas as líderes; segundo, decisões do órgão antitruste chinês e do MOFCOM (comércio exterior chinês) sobre consolidação e capacidade, que podem acelerar o ajuste de oferta; terceiro, a taxa de câmbio yuan-dólar e o custo de frete marítimo, que definem o preço final do módulo no porto brasileiro. Para o empresário brasileiro do setor, o momento é de negociar contratos de longo prazo com fornecedores chineses, mas com cláusulas de revisão de preço e atenção a eventuais mudanças tarifárias.

Nota sobre a fonte

A fonte chinesa destaca redução de perdas e ajustes de capacidade, mas minimiza a persistência do excesso de oferta estrutural e seu efeito baixista sobre preços de módulos.

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