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FAO: preços globais de alimentos caem 1,2% em outubro — alívio parcial para importadores brasileiros de trigo e lácteos

· Redação CBI

O índice global de preços dos alimentos da FAO recuou 1,2% em outubro, encerrando três meses de alta, com quedas em cereais, lácteos e carnes e forte alta no açúcar; para o Brasil, o movimento alivia custos de importação de trigo e lácteos, mas pressiona o açúcar exportado.

O índice global de preços dos alimentos da FAO caiu 1,2% em outubro ante setembro, para 133,9 pontos, interrompendo três meses consecutivos de alta. Cereais, lácteos e carnes recuaram; óleos vegetais subiram levemente e o açúcar registrou forte alta. Na comparação anual, o índice ainda está 5,9% acima, mas 16,4% abaixo do pico de março de 2022. Para o Brasil, o recuo nos cereais e lácteos oferece alívio marginal a importadores e à indústria de panificação, enquanto a disparada do açúcar favorece usinas exportadoras do Centro-Sul, mas pressiona custos de bebidas e alimentos processados no mercado interno. A FAO divulgou nesta quinta-feira (6) que seu índice global de preços dos alimentos ficou em média em 133,9 pontos em outubro, queda de 1,2% ante setembro, encerrando uma sequência de três meses de alta. O recuo foi puxado por cereais, lácteos e carnes, enquanto os óleos vegetais comestíveis subiram ligeiramente e o açúcar registrou forte alta. Na comparação com outubro do ano passado, o índice ainda está 5,9% mais alto, mas permanece 16,4% abaixo do pico histórico de março de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia desorganizou os mercados de grãos e energia. O impacto chega ao Brasil por duas vias. A primeira é a importação: o país compra trigo do Mercosul e de fornecedores como Rússia e Canadá, e o recuo nos cereais pode aliviar marginalmente os custos da indústria de moagem e panificação, especialmente no Rio Grande do Sul e no Paraná. Lácteos importados — sobretudo leite em pó e queijos da Argentina e do Uruguai — também ficam relativamente mais baratos, o que pressiona a competitividade da pecuária leiteira nacional em estados como Minas Gerais e Goiás. A segunda via é a exportação: o Brasil é o maior exportador mundial de açúcar, e a forte alta do preço internacional tende a sustentar a receita das usinas do Centro-Sul, embora o governo federal monitore o repasse ao consumidor interno, já que o açúcar é insumo de bebidas e alimentos processados. Os dados mostram que a queda de 1,2% é a primeira após três meses de alta e que o índice segue 16,4% abaixo do pico de 2022. Na leitura do CBI, isso indica que o choque inflacionário global de alimentos está se dissipando lentamente, mas ainda não foi revertido: o patamar de 133,9 pontos é historicamente elevado e mantém pressão sobre a inflação de alimentos no Brasil, que já vinha desacelerando. A disparada do açúcar, por outro lado, é um sinal de alerta para o setor de bebidas e para o IPCA, que tem no grupo alimentação e bebidas um componente sensível. A comparação com 2022 sugere que o mercado ainda opera com prêmio de risco geopolítico, mas em trajetória de normalização. O que acompanhar: primeiro, a divulgação do próximo índice da FAO, em dezembro, para confirmar se a queda se sustenta ou é pontual; segundo, os dados do IBGE sobre o IPCA de outubro e novembro, com atenção ao subgrupo alimentação e bebidas; terceiro, a evolução dos preços do açúcar em Nova York e a eventual reação do Ministério da Agricultura (MAPA) e da Camex sobre cotas e tarifas de importação de lácteos e trigo.

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