Tecnologia

Fabricante chinesa de UHMWPE dobra aposta com nova fábrica — fornecedores brasileiros de equipamentos de proteção enfrentam pressão de preços

· Redação CBI
Eletrônicos e máquinas

A HengHui Protection capta 800 milhões de yuans para construir 7.200 toneladas anuais de fibra UHMWPE, segunda rodada de financiamento em dois anos, enquanto concorrentes como Jiuzhou Xingji já operam com 30 mil toneladas — a oferta adicional sinaliza guerra de preços que pode chegar aos

A HengHui Protection (300952.SZ), fabricante chinesa de equipamentos de proteção individual, anunciou na noite de 27 de outubro um plano para captar até 800 milhões de yuans (cerca de USD 110 milhões) por meio de títulos conversíveis em ações. Desse total, 600 milhões serão destinados a uma nova linha de 7.200 toneladas anuais de fibra de polietileno de ultra-alto peso molecular (UHMWPE), material usado em luvas anticorte, coletes balísticos e cordas marítimas. É a segunda captação da empresa em dois anos — em 2024, levantou 500 milhões de yuans para o mesmo segmento. Para o Brasil, o movimento importa porque o país é um dos maiores consumidores mundiais de luvas anticorte e equipamentos de proteção individual, e a expansão de capacidade chinesa tende a pressionar preços de importação nos próximos ciclos. O conselho da HengHui Protection aprovou o plano preliminar de emissão de títulos conversíveis com prazo de seis anos, ainda sujeito a deliberação da assembleia de acionistas, revisão da Bolsa de Shenzhen e registro na Comissão Reguladora de Valores da China. A nova capacidade será implementada pela subsidiária integral HengYue Equipamentos de Proteção Individual (Nantong) Co., com investimento total de 704 milhões de yuans. O projeto foca produtos de alto padrão e diferenciados — nível balístico, resistência à fluência, fio colorido e têxtil de alto padrão para uso doméstico — com vendas voltadas principalmente ao mercado externo. A meta da empresa é superar 15 mil toneladas de capacidade total de fibra UHMWPE e se posicionar na primeira linha do setor em escala. A primeira fase, com 4.800 toneladas anuais, já opera com cinco linhas em plena capacidade; a segunda fase, de 7.200 toneladas, teve início em julho deste ano. Até o fim de setembro, 75,31% dos recursos da captação anterior já haviam sido utilizados. O impacto direto para o Brasil é indireto, via cadeia de importação de equipamentos de proteção individual e materiais industriais. O país importa volumes relevantes de luvas anticorte, fios de alta resistência e componentes balísticos da China, e a expansão de capacidade tende a ampliar a oferta disponível para exportação. Empresas brasileiras dos setores de segurança do trabalho, têxteis técnicos e equipamentos de proteção — muitas concentradas em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — acompanham de perto a política de preços dos fabricantes chineses, que têm ganhado espaço no mercado global. Não há, até o momento, mudança regulatória brasileira envolvida; o canal de transmissão é comercial e competitivo. Os dados mostram que a HengHui não está sozinha: a Jiuzhou Xingji informa capacidade atual de 30 mil toneladas anuais de fibra UHMWPE, já com vantagem significativa de escala; a Nanshan Zhishang relata base de 3.600 toneladas anuais; a Yizheng Chemical Fibre opera com 3.300 toneladas/ano; e a Tongyizhong, com 7.960 toneladas/ano existentes, promove projetos que somam 3.750 toneladas adicionais. A própria Tongyizhong declarou em maio deste ano que a competição no mercado é acirrada e que os preços das fibras estão em fase de estabilização em baixa, com leve recuperação. Na leitura do CBI, o volume de capacidade anunciado simultaneamente por vários players chineses indica que a guerra de preços no UHMWPE não é risco hipotético — é cenário provável para 2026-2027, com efeitos deflacionários sobre os preços de importação de produtos acabados e semiacabados no Brasil. A diferenciação por desempenho (balístico, fluência) é a aposta da HengHui para escapar da commoditização, mas concorrentes de maior escala podem compensar com custo unitário menor. O que acompanhar: primeiro, a deliberação da assembleia de acionistas da HengHui e o registro na CSRC, que definem o cronograma real de desembolso; segundo, os preços de exportação de fibra UHMWPE e de luvas anticorte nos próximos dois trimestres, com atenção a anúncios de redução de tabela por fabricantes chineses; terceiro, a resposta de fornecedores brasileiros de equipamentos de proteção, que podem rever contratos de importação ou buscar insumos alternativos em outros mercados asiáticos.

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