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Exportações chinesas disparam 36% em setembro — corrida fiscal e cotas europeias distorcem demanda real para importadores brasileiros
· Redação CBI
As exportações chinesas cresceram 36,3% em setembro, impulsionadas por uma corrida às vendas antes de ajustes na restituição de impostos e da possível cota europeia para carros elétricos.
As exportações chinesas em dólares cresceram 36,3% em setembro, ritmo raro nos mais de 40 anos de reforma e abertura e até mesmo desde a entrada da China na OMC, segundo o economista-chefe da Changjiang Securities, Wu Ge. Parte do salto vem de uma antecipação de embarques antes de mudanças na política de restituição de impostos sobre exportações e da possível implementação pela União Europeia de cotas para a importação de veículos chineses. Para o empresário brasileiro, o dado não é apenas estatística chinesa: ele sinaliza que a oferta de manufaturados chineses pode chegar ao mercado global em ritmo artificial no curto prazo, pressionando preços de concorrentes e de insumos importados por indústrias brasileiras.
Em setembro, as exportações chinesas cresceram em ritmo ultra-acelerado, com a taxa homóloga em dólares atingindo 36,3%. O movimento foi parcialmente impulsionado por uma 'corrida às exportações' decorrente de ajustes na política de restituição de impostos sobre exportações e da possível implementação pela União Europeia de gestão de cotas para a importação de automóveis chineses. Wu Ge, economista-chefe da Changjiang Securities, declarou em 21 de outubro, no Fórum de Macroeconomia da China (CMF) organizado pela Universidade Renmin da China, que essa taxa é rara nos mais de 40 anos de reforma e abertura e até mesmo desde a entrada da China na OMC. Segundo ele, há certo suporte dos fundamentos internacionais, com o PMI da indústria manufatureira global em ciclo ascendente, mas manter uma expansão de quase 40% ainda depende de fatores que podem não ser sustentáveis.
O impacto direto sobre o comércio Brasil-China é indireto, via três canais. Primeiro, a antecipação de embarques chineses para a Europa e os Estados Unidos pode deslocar contêineres e capacidade logística global, afetando prazos e fretes para importadores brasileiros de insumos e bens de capital. Segundo, se a corrida às exportações chinesas esvaziar demanda futura, os preços de manufaturados chineses — de eletrônicos a máquinas — podem cair no fim do ano, pressionando a indústria brasileira que compete com similares importados. Terceiro, o alto volume de exportações chinesas tende a sustentar o superávit comercial da China, o que influencia a taxa de câmbio do yuan e, por tabela, os custos de importação para empresas brasileiras que compram em moeda chinesa. Nenhum regulador brasileiro precisa reagir imediatamente, mas equipes de compras e de comércio exterior devem revisar contratos com fornecedores chineses para o quarto trimestre.
Os dados mostram que o crescimento de setembro é atípico e concentrado em antecipação de embarques, não em demanda final robusta. Na leitura do CBI, isso indica que o número de setembro não deve ser lido como sinal de aquecimento duradouro da economia chinesa, mas como um evento de calendário fiscal e regulatório. A comparação com ciclos anteriores — como a corrida às exportações antes de ajustes tributários em 2023 — sugere que, após o pico, pode haver desaceleração nos meses seguintes. Wu Ge aponta que a transição para um crescimento médio-alto pode ocorrer em 2027, o que, para o Brasil, significa uma janela de um a dois anos de oferta chinesa ainda forte e preços competitivos em manufaturados, seguida de normalização.
O que acompanhar: primeiro, a publicação dos detalhes da política chinesa de restituição de impostos sobre exportações, que deve definir o fim da corrida atual. Segundo, a decisão da União Europeia sobre cotas para veículos elétricos chineses, que pode redirecionar parte da oferta chinesa para o mercado brasileiro. Terceiro, os dados de exportação chinesa de outubro e novembro, para confirmar se o pico de setembro foi pontual ou se há sustentação. Para importadores brasileiros, vale monitorar também a taxa de câmbio yuan-dólar e os prazos de frete marítimo nas rotas Ásia-Brasil.
Nota sobre a fonte
A fonte chinesa 财新网 adota tom institucional e ressalta fundamentos globais, mas o próprio economista citado admite que a expansão de quase 40% depende de fatores insustentáveis, o que reforça a leitura de evento fiscal/regulatório.
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