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Etanol de milho brasileiro ganha novo subproduto proteico — exportações para China devem crescer em 2025
· Redação CBI
Carne e proteínasSoja e oleaginosas
A produção de etanol de milho no Brasil está gerando um subproduto proteico de alto valor para ração animal, com demanda crescente da China. Para exportadores e produtores de proteína animal, isso abre uma nova frente de receita e exige atenção à logística e à qualidade do farelo.
O Brasil, tradicional produtor de etanol de cana-de-açúcar, está expandindo rapidamente a produção de etanol de milho, especialmente no Centro-Oeste. O processo gera um subproduto rico em proteínas — conhecido como DDGS (grãos secos de destilaria com solúveis) — que vem sendo cada vez mais demandado como ração animal. A China, maior importadora global de proteínas para ração, já figura entre os compradores. Para o agronegócio brasileiro, isso representa uma nova cadeia de exportação que combina o etanol com a pecuária, com potencial de alterar fluxos logísticos e receitas no Mato Grosso e em Goiás.
A produção de etanol de milho no Brasil, concentrada principalmente em Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, deve crescer novamente em 2025, segundo dados do setor. Diferente da cana, o milho gera um coproduto de alto teor proteico — o DDGS — que é usado como ração para bovinos, suínos e aves. Esse subproduto tem sido exportado para diversos países, incluindo a China, que busca diversificar suas fontes de proteína animal após anos de dependência do farelo de soja brasileiro e americano.
O impacto para o Brasil é direto em pelo menos três frentes. Primeiro, frigoríficos e produtores de ração no Centro-Oeste passam a ter uma alternativa local ao farelo de soja, reduzindo custos de alimentação animal. Segundo, exportadores brasileiros de proteína animal — como JBS, Marfrig e Minerva — podem se beneficiar indiretamente, pois a China compra tanto o DDGS quanto a carne. Terceiro, a logística de escoamento do milho e do etanol no Arco Norte (portos de Barcarena e Itaqui) ganha um novo produto para exportação, o que pode pressionar a capacidade portuária e exigir adaptações da ANTAQ e da Receita Federal.
Os dados mostram que a produção de etanol de milho no Brasil deve atingir cerca de 8 bilhões de litros em 2025, ante 6,5 bilhões em 2024, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA). Na leitura do CBI, isso indica que o volume de DDGS disponível para exportação pode crescer proporcionalmente, criando uma oportunidade para tradings e cooperativas do Mato Grosso. A China, por sua vez, tem demonstrado interesse estratégico em diversificar fornecedores de proteína para ração, especialmente após tensões comerciais com os EUA. O movimento se assemelha ao que ocorreu com a soja brasileira na década de 2010, quando a China deslocou compras dos EUA para o Brasil.
Para o empresário brasileiro, o sinal é claro: a cadeia de etanol de milho não é mais apenas sobre combustível. Ela se integra à pecuária e à exportação de proteína animal. Acompanhar a evolução das licenças sanitárias chinesas para o DDGS brasileiro, a capacidade de armazenagem nos portos do Norte e a cotação do farelo de soja em Chicago (CBOT) será essencial para decisões de investimento e contratos de fornecimento em 2025.
Nota sobre a fonte
CGTN, mídia estatal chinesa, tende a destacar a demanda estratégica da China por proteína alternativa, mas pode minimizar licenças sanitárias e gargalos portuários que condicionam as exportações brasileiras de DDGS.
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