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Enchente na Tailândia atrasa embarques de módulos ópticos — fornecedores de data centers brasileiros em alerta

· Redação CBI
Eletrônicos e máquinasEnergia solar e renováveis

As três principais fabricantes chinesas de módulos ópticos (New Easy Fast, Zhongji Innolight e Tianfu Communication) reportaram resultados trimestrais abaixo do esperado após enchentes na Tailândia travarem a logística de exportação, o que pode atrasar entregas de equipamentos para data centers e

As três empresas do chamado grupo 'Yi Zhong Tian' — New Easy Fast, Zhongji Innolight e Tianfu Communication — divulgaram entre 28 e 29 de outubro seus balanços do terceiro trimestre de 2026, e os números vieram abaixo das expectativas do mercado. A New Easy Fast registrou receita de 10,94 bilhões de yuans (cerca de USD 1,5 bilhão), queda de 12,98% na comparação sequencial, e lucro líquido de 3,843 bilhões de yuans, recuo de 19,07%. A justificativa apresentada pela administração foi a enchente que atingiu a Tailândia em setembro, onde as três companhias mantêm fábricas voltadas à exportação. Para o Brasil, o episódio importa porque esses módulos ópticos alimentam a infraestrutura de data centers e redes de telecomunicações — setores em expansão no país e fortemente dependentes de fornecedores asiáticos. O mercado acionário chinês reagiu mal aos resultados. No dia 29 de outubro, as ações da Tianfu Communication caíram ao limite de baixa e fecharam com recuo de 19,77%; New Easy Fast e Zhongji Innolight perderam 11,06% e 8,53%, respectivamente. Desde o início de outubro, a New Easy Fast acumula queda superior a 40%. A empresa atribuiu o desempenho a problemas na cadeia de suprimentos no terceiro trimestre, mudança no ritmo de retirada de mercadorias por parte de clientes e, principalmente, ao transbordamento logístico causado pela enchente tailandesa: parte dos embarques ficou retida no aeroporto e nos procedimentos de desembaraço aduaneiro, sendo adiada para o início de outubro e, portanto, sem reconhecimento de receita no trimestre encerrado. A Zhongji Innolight também confirmou que o envio de produtos acabados da fábrica tailandesa na última semana de setembro foi postergado pela encheve, mas que a mercadoria já foi totalmente despachada no início de outubro. Por que isso chega ao Brasil: os módulos ópticos são componentes críticos para data centers, redes de fibra óptica e equipamentos de telecomunicações — áreas que vivem ciclo de investimento acelerado no Brasil, impulsionado por provedores regionais, operadoras e projetos de computação em nuvem. As três empresas chinesas são fornecedoras relevantes para fabricantes globais de equipamentos que, por sua vez, abastecem o mercado brasileiro. Um atraso de duas a três semanas na cadeia pode se traduzir em postergação de entregas de switches, transceptores e sistemas ópticos para operadoras e provedores de internet no país, pressionando cronogramas de expansão de rede e contratos de SLA. O impacto direto é indireto, via cadeia de suprimentos de equipamentos de telecom e data centers; não há, até o momento, comunicação de suspensão de contratos com clientes brasileiros. Os dados mostram que a receita da Zhongji Innolight ainda cresceu 24,62% na comparação sequencial, para 27,769 bilhões de yuans, e a da Tianfu Communication avançou cerca de 28%, para 1,923 bilhão de yuans — ou seja, o problema não é de demanda, mas de reconhecimento contábil de embarques represados. Na leitura do CBI, o episódio é mais um teste de resiliência logística do que um sinal de arrefecimento do setor: as próprias companhias afirmam que os pedidos dos principais clientes já cobrem basicamente todo o ano de 2027 e que não há cancelamentos ou revisão para baixo das projeções de demanda. A menção a restrições de materiais a montante, porém, merece atenção: se a escassez de insumos persistir, o efeito pode se somar ao gargalo logístico e ampliar prazos de entrega no primeiro semestre de 2027. O que acompanhar: primeiro, a normalização do fluxo de carga no aeroporto de Suvarnabhumi e nos terminais de desembaraço tailandeses, que deve destravar os embarques represados nas próximas semanas; segundo, os relatórios do quarto trimestre das três empresas, que devem confirmar se a receita adiada foi efetivamente reconhecida; terceiro, comunicados de fabricantes globais de equipamentos de rede sobre prazos de entrega ao mercado brasileiro, especialmente para contratos de expansão de data centers e redes 5G previstos para o primeiro semestre de 2027.

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