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Dubai corta caminho para a Ásia e atrai IA chinesa — o que isso muda para empresas brasileiras que querem exportar tecnologia
· Redação CBI
Infraestrutura e construção
Dubai realizou em Shenzhen seu segundo fórum empresarial na China, com a maior delegação já enviada, para atrair empresas de IA e tecnologia chinesas a usar o emirado como plataforma de expansão para Oriente Médio, África e Europa.
Dubai escolheu Shenzhen para realizar, em outubro, a segunda edição do Fórum Empresarial Dubai-China, com uma delegação de mais de 100 representantes dos setores público e privado — a maior já enviada pela Câmara de Comércio de Dubai a um evento internacional. O foco declarado é atrair empresas chinesas de inteligência artificial, computação em nuvem, veículos autônomos e manufatura avançada para usar o emirado como base de expansão global. Para o empresário brasileiro, o recado é indireto, mas relevante: Dubai está se posicionando como um hub de tecnologia e logística entre Ásia, África e Europa, o que pode abrir uma rota alternativa para exportações brasileiras de maior valor agregado e para captação de investimentos em setores como agronegócio digital e fintechs.
O Fórum Empresarial Dubai-China, realizado em Shenzhen, reuniu mais de 100 representantes de instituições como o Departamento de Desenvolvimento Econômico de Dubai, a DP World (operadora de portos e logística) e a Emirates, além de fundadores e CEOs de empresas. Durante o evento, foram assinados 10 memorandos de cooperação nas áreas de promoção de comércio e investimento, inovação tecnológica e colaboração industrial. A pauta dominante foi inteligência artificial: de IA agêntica e computação em nuvem a direção autônoma e mobilidade futura. A Baidu, por meio do serviço Apollo Go, já opera veículos totalmente autônomos em Dubai e obteve a primeira licença de teste do tipo no emirado. Em 2025, mais de 85% dos veículos de passeio elétricos importados por Dubai vieram da China, e a estratégia de transporte local prevê que 25% dos deslocamentos sejam autônomos até 2030. Tencent Cloud e Huawei Cloud também fecharam parcerias com empresas locais para desenvolver pagamentos digitais e superapps. Dubai estabeleceu a meta de atingir US$ 7 trilhões em comércio exterior e atrair US$ 177 bilhões em investimento estrangeiro direto em dez anos.
Por que isso chega ao Brasil? O impacto direto é indireto, via logística e investimento. Dubai é um dos maiores hubs de reexportação do mundo e porta de entrada para mercados do Oriente Médio, África e Sul da Ásia. Empresas brasileiras de tecnologia, como fintechs e agtechs, e exportadores de produtos de maior valor agregado (cafés especiais, carnes processadas, sucos) podem se beneficiar de acordos de cooperação que facilitem a entrada nesses mercados usando Dubai como base. Além disso, a DP World, presente no fórum, opera terminais portuários no Brasil e pode ampliar rotas ligando o país ao emirado. O BNDES e a Apex-Brasil, que monitoram fluxos de investimento estrangeiro, podem acompanhar a criação de fundos soberanos e veículos de investimento em tecnologia com capital de Dubai.
Os dados mostram que Dubai vem reduzindo a dependência de petróleo e se transformando em centro de economia digital. A meta de dobrar em dez anos a contribuição da economia digital ao PIB dos Emirados Árabes Unidos, mencionada no fórum, é um indicador dessa transição. Na leitura do CBI, isso indica que o emirado está montando um ecossistema de tecnologia e logística que pode competir com Singapura e Hong Kong como plataforma de expansão para empresas chinesas — e, por extensão, para empresas brasileiras que queiram se internacionalizar. A diferença é que Dubai oferece incentivos fiscais, infraestrutura portuária e acesso a mercados com os quais o Brasil tem acordos comerciais limitados. Para o agronegócio brasileiro, a rota Dubai pode reduzir custos de frete para o Oriente Médio e abrir canais para produtos processados, não apenas commodities.
O que acompanhar: primeiro, a assinatura de acordos específicos entre a DP World e operadores brasileiros de logística, que pode sair ainda neste semestre. Segundo, a publicação de editais de fundos de investimento em tecnologia dos Emirados com participação de capital chinês, que podem ter janelas para empresas brasileiras. Terceiro, a evolução das negociações entre a Apex-Brasil e a Câmara de Comércio de Dubai para um memorando de cooperação em inovação, que pode ser anunciado em 2027.
Nota sobre a fonte
A mídia chinesa 量子位 tende a enfatizar escala e otimismo dos 10 memorandos, mas os benefícios concretos para exportadores brasileiros dependem de acordos específicos com a DP World ainda não publicados.
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