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DeepSeek capta R$ 150 bi em seis meses e prepara IPO — o que muda para investidores brasileiros em IA
· Redação CBI
Veículos elétricos e baterias
A DeepSeek, startup chinesa de IA, levantou mais de 150 bilhões de yuans em duas rodadas de financiamento em meio ano e planeja abrir capital no STAR Market em 2027, sinalizando que a corrida global por recursos em modelos de IA entrou em fase de ebulição — e pressiona fundos e empresas brasileiras
A DeepSeek, startup chinesa de inteligência artificial fundada por Liang Wenfeng, captou mais de 150 bilhões de yuans (cerca de USD 21 bilhões) em apenas seis meses, com a segunda rodada — concluída em outubro — superando a meta inicial ao atingir 100 bilhões de yuans. A empresa, que já prepara listagem no STAR Market (mercado de tecnologia de Xangai) para 2027, montou uma base acionária dominada por capital industrial que vai de chips a energia e poder computacional. Para o Brasil, o movimento não é distante: fundos de venture capital brasileiros com exposição a tecnologia e empresas que dependem de modelos de IA abertos precisam acompanhar como a capitalização acelerada da DeepSeek redefine preços, parcerias e acesso a modelos de código aberto no mercado global.
A DeepSeek iniciou sua primeira rodada de financiamento externo em abril de 2026, concluída no final de junho com cerca de 51 bilhões de yuans e avaliação pós-investimento próxima de 400 bilhões de yuans. O fundador Liang Wenfeng investiu pessoalmente cerca de 20 bilhões de yuans; a Tencent aportou aproximadamente 10 bilhões; o sistema CATL, cerca de 5 bilhões; e NetEase, JD.com, Lisi Capital e IDG Capital entraram com cerca de 3 bilhões cada. O Fundo Nacional de Investimento na Indústria de Inteligência Artificial também participou. Em outubro, a segunda rodada superou a meta e chegou a 100 bilhões de yuans, com novos investidores como Shixi Capital, SMIC Juyuan, CPE Yuanfeng, Legend Capital e Geely, além da renovação de CATL, Tencent, IDG, Lisi e Shixiang. A avaliação pré-investimento permaneceu em cerca de 500 bilhões de yuans, indicando que a empresa preferiu não inflar o preço apesar do apetite do mercado. A lista de acionistas revela uma estratégia de sinergia industrial: chips upstream, energia, poder computacional e cenários de aplicação downstream, montando uma rede capaz de sustentar a DeepSeek no longo prazo. Desde agosto de 2026, a empresa prepara listagem no STAR Market, com prospecto previsto para o final de 2026 e IPO em 2027; o ex-sócio da Hillhouse Venture Capital, Yan Wentao, ingressou em setembro como CFO. O movimento não é isolado: Moonshot AI (Yuezhianmian) teria concluído rodada com avaliação de cerca de USD 50 bilhões e planeja IPO em Hong Kong no primeiro trimestre de 2027; Zhipu e MiniMax já listaram em Hong Kong e iniciaram processos para ações A; Anthropic deve listar em novembro com avaliação estimada entre USD 1,5 trilhão e USD 2 trilhões; e a OpenAI acelera captação de cerca de USD 30 bilhões. A competição global por recursos em grandes modelos de IA entrou em fase de ebulição. Enquanto isso, Liang Wenfeng mantém a estratégia de ecossistema aberto: desde abril, as atualizações no WeChat oficial da DeepSeek são apenas modelos, código aberto e relatórios técnicos. Em 17 de outubro, a empresa lançou o DeepSeekV4.1 Flash (versão V4.1-Flash-1017), com treinamento por aprendizado de reforço baseado em auto-feedback, ampliando a capacidade de construir projetos completos do zero para tarefas de programação, desenvolvimento de jogos e modelagem 3D, com adaptações para plataformas como DeepSeek Harness, Tencent CodeBuddy e WorkBuddy. Concorrentes também aceleram: MiniMax abriu o código do M3.1 Flash; Kimi lançou o K3.1 Pro; StepFun abriu o Step 5 Preview; e a Zhipu treina modelo com parâmetros estimados entre 2,5 e 3,5 trilhões, todos voltados a tarefas complexas e agentes inteligentes. Para o leitor brasileiro, o impacto direto é indireto, via mecanismo de precificação de tecnologia e acesso a modelos abertos: empresas brasileiras que usam APIs de IA para desenvolvimento de software, fintechs e agronegócio dependem de modelos como os da DeepSeek para reduzir custos; fundos de VC brasileiros com teses em IA acompanham a avaliação da empresa como referência para rodadas locais; e o BNDES, que financia projetos de IA, pode se beneficiar de parcerias com o ecossistema aberto chinês. Os dados mostram que a DeepSeek captou 150 bilhões de yuans em seis meses e prepara IPO para 2027, com avaliação pré-investimento estável em 500 bilhões de yuans. Na leitura do CBI, isso indica que a empresa prioriza estrutura acionária industrial e sustentabilidade de longo prazo sobre maximização de valuation de curto prazo — um sinal de maturidade que pode atrair capital paciente, mas também eleva a barreira para startups brasileiras competirem por talentos e recursos. Acompanhar: (1) a publicação do prospecto no STAR Market, prevista para o final de 2026, que revelará métricas de receita e margem; (2) a evolução das parcerias com CATL e Geely, que podem abrir caminho para joint ventures em energia e mobilidade; (3) o desempenho do DeepSeekV4.1 Flash em benchmarks de código aberto, que influencia a adoção por desenvolvedores brasileiros.
Nota sobre a fonte
A fonte chinesa 创业邦 enquadra a captação e a estabilidade de valuation como maturidade estratégica, minimizando riscos de execução do IPO e da competição global por talentos.
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