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DeepSeek abre capital e mira robótica — o que a virada de Liang Wenfeng sinaliza para o setor de tecnologia brasileiro

· Redação CBI
Eletrônicos e máquinasVeículos elétricos e baterias

O DeepSeek, laboratório chinês de IA, captou 105,5 bilhões de yuans em duas rodadas e começa a investir em inteligência incorporada, sinalizando que a competição em IA na China migra para robótica e automação — área em que fornecedores brasileiros de componentes e integradores podem se reposicionar.

O DeepSeek, laboratório chinês de inteligência artificial fundado por Liang Wenfeng, concluiu duas rodadas de financiamento em seis meses, totalizando 105,5 bilhões de yuans (cerca de USD 14,5 bilhões), com Tencent e CATL na liderança. A mudança de postura — de 'não aceitamos capital externo' para uma captação bilionária — vem acompanhada de um movimento estratégico: Liang Wenfeng tem se reunido com empreendedores de inteligência incorporada e o DeepSeek já definiu investimentos na Winverse (cérebro incorporado) e na Lige Wanwu (controle de movimento). Para o Brasil, o sinal é claro: a fronteira da IA chinesa está se deslocando para robótica e automação industrial, cadeia em que o país é fornecedor de componentes e mercado consumidor de soluções. O DeepSeek, laboratório chinês de inteligência artificial, concluiu duas rodadas de financiamento em cerca de seis meses, somando 105,5 bilhões de yuans (aproximadamente USD 14,5 bilhões). A primeira rodada, em junho, levantou cerca de 51 bilhões de yuans, com Liang Wenfeng aportando pessoalmente cerca de 20 bilhões, seguido por Tencent (10 bilhões) e CATL (5 bilhões). A segunda rodada elevou a meta de 50 bilhões para mais de 100 bilhões de yuans e ampliou a base de investidores para empresas de semicondutores, automóveis, eletrônicos de consumo e internet, incluindo Changxin Memory, SMIC, vivo, Meituan, Geely e Midea Group. A mudança contrasta com a postura anterior de Liang Wenfeng, que recusava capital externo e concentrava o DeepSeek em pesquisa de modelos com preços baixos — postura que lhe rendeu o apelido de 'Santo Liang' na comunidade de desenvolvedores. O impacto para o Brasil é indireto, mas relevante para a cadeia de automação e robótica. O DeepSeek já definiu investimentos em duas startups: Winverse, de cérebro incorporado, e Lige Wanwu, de controle de movimento — ambas no segmento de inteligência incorporada, que combina modelos de linguagem com sensores e atuadores físicos. Esse movimento sinaliza que a competição chinesa em IA está migrando da camada puramente de software para a integração com hardware, área em que o Brasil tem fornecedores de componentes eletrônicos, integradores de sistemas e empresas de automação industrial que podem se beneficiar de parcerias ou sofrer pressão competitiva. Além disso, o aumento da captação e a entrada de gigantes como CATL e Geely sugerem que o capital chinês está sendo direcionado para aplicações industriais de IA, o que pode acelerar a adoção de robótica em setores como manufatura e logística — com reflexos sobre a competitividade de exportadores brasileiros que competem com produtos chineses automatizados. Os dados mostram que o DeepSeek ajustou seu modelo de cobrança em agosto, com precificação de pico e vale para a API do V4-Pro, e em novembro passou a cobrar por solicitação bem-sucedida nas APIs Search e Fetch. Na leitura do CBI, isso indica que o laboratório está sob pressão para monetizar serviços e sustentar o investimento contínuo em pesquisa de fronteira — o que explica a abertura para capital externo e a diversificação para inteligência incorporada. A comparação com o histórico do setor sugere que a competição em IA na China está entrando em uma fase de escala industrial, na qual a integração com hardware e a automação de processos produtivos se tornam o principal campo de batalha. Para o Brasil, isso significa que a janela para desenvolver fornecedores locais de componentes para robótica e automação pode estar se fechando, à medida que a cadeia chinesa se verticaliza. O que acompanhar: primeiro, os desdobramentos dos investimentos do DeepSeek na Winverse e na Lige Wanwu, que podem indicar quais segmentos da cadeia de inteligência incorporada serão priorizados. Segundo, a evolução da política chinesa de incentivo à robótica e automação industrial, que pode afetar a demanda por componentes brasileiros. Terceiro, a resposta de empresas brasileiras de automação e integradores de sistemas, que podem buscar parcerias com startups chinesas ou desenvolver capacidades próprias para não perder competitividade.

Nota sobre a fonte

A 36Kr, mídia chinesa de tecnologia, tende a enquadrar o movimento como amadurecimento estratégico do setor e minimizar a leitura de pressão por monetização, tensão que o próprio conteúdo do CBI já sinaliza.

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