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Cooperativas chinesas fecham compras de potássio e algodão na CIIE — fornecedores brasileiros na mira
· Redação CBI
Fertilizantes e químicos
A delegação de cooperativas de abastecimento da China assinou acordos com 17 empresas globais na CIIE, incluindo brasileiras, em potássio, fertilizantes, algodão e carnes — sinal de que Pequim segue diversificando fornecedores agrícolas e abrindo espaço para exportadores do Brasil.
A Federação Nacional de Cooperativas de Abastecimento e Comercialização da China levou à 9ª CIIE, em Xangai, uma delegação com mais de 900 empresas e 1.300 inscritos, e na tarde de 5 de novembro assinou acordos de compra e cooperação com 17 companhias dos EUA, França, Austrália, Cazaquistão, Brasil, Vietnã e outros países. Os contratos cobrem potássio, fertilizantes compostos, algodão, carnes, grãos e óleos. Para o exportador brasileiro, a presença do país na lista de fornecedores sinaliza demanda contínua por insumos e commodities, mas também acirra a concorrência com origens alternativas que Pequim vem cultivando.
O anúncio foi feito pela Federação Nacional de Cooperativas de Abastecimento e Comercialização da China (China Co-op), entidade que coordena o sistema de cooperativas do país e organiza compras centralizadas de insumos agrícolas. Na 9ª Exposição Internacional de Importação da China (CIIE), a delegação do setor reuniu unidades empresariais vinculadas, cooperativas de 31 províncias e do Corpo de Produção e Construção de Xinjiang, totalizando mais de 900 empresas e 1.300 inscritos. Na cerimônia de assinatura de 5 de novembro, o Grupo de Cooperativas de Abastecimento e Comercialização da China e a subdelegação de Guangdong fecharam contratos com 17 empresas estrangeiras, abrangendo potássio, fertilizantes compostos, algodão, carnes, grãos e óleos. O Brasil aparece nominalmente entre os países fornecedores, ao lado de EUA, França, Austrália, Cazaquistão e Vietnã.
O impacto para o Brasil é direto em pelo menos duas frentes. Primeiro, o potássio: o país importa mais de 95% do fertilizante potássico que consome, e a China é um dos grandes compradores globais do insumo, de modo que acordos firmados em Xangai ajudam a sinalizar preços e volumes para o mercado internacional — com reflexo nas cotações que chegam às cooperativas brasileiras via tradings. Segundo, o algodão: o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais da fibra, e a China é o principal destino; a inclusão do produto na lista de compras da CIIE reforça a demanda, mas também expõe o exportador brasileiro à concorrência de origens como EUA e Austrália, também presentes nos contratos. Para carnes e grãos, o efeito é mais indireto, via sinal de abertura contínua do mercado chinês.
Os dados mostram que a China Co-op vem usando a CIIE como plataforma recorrente para ampliar fornecedores externos e diversificar canais de importação, com o discurso oficial de garantir abastecimento de insumos para a produção doméstica e enriquecer a oferta de alimentos. Na leitura do CBI, o movimento não é novidade — é continuidade de uma estratégia de segurança de suprimentos que ganhou força desde a pandemia e a guerra na Ucrânia. A novidade está na escala da delegação (mais de 900 empresas) e na menção explícita ao Brasil entre os parceiros, o que sugere que o país segue na lista de fornecedores prioritários, mas não exclusivos. O vice-presidente do Grupo de Cooperativas, Liu Yong, afirmou que a CIIE é uma "janela de abertura de alto nível" e que a entidade vai "aprofundar a cooperação econômica e comercial agrícola global".
O que acompanhar: primeiro, os volumes e preços efetivos dos contratos de potássio e algodão firmados em Xangai, que devem sair nos próximos balanços de comércio exterior e nas cotações de fertilizantes; segundo, a Reunião de Promoção do Trabalho de Comércio Exterior do sistema de cooperativas, prevista durante a CIIE, que pode detalhar metas de importação para 2025; terceiro, a resposta do MAPA e do setor exportador brasileiro sobre eventuais exigências sanitárias ou fitossanitárias que acompanhem esses acordos.
Nota sobre a fonte
A fonte oficial chinesa usa tom diplomático e otimista ('janela de abertura de alto nível'), omitindo volumes e preços dos contratos, o que pode superdimensionar o impacto concreto para fornecedores brasileiros.
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