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Consumo de gás natural na China cai 1,9% em setembro — importadores brasileiros de GNL revisam contratos

· Redação CBI
Petróleo e gás

O consumo aparente de gás natural na China recuou 1,9% em setembro e 2,5% no acumulado do ano, sinalizando demanda mais fraca do maior importador global de GNL.

O consumo aparente de gás natural na China somou 32,55 bilhões de metros cúbicos em setembro de 2026, queda de 1,9% na comparação anual, segundo boletim rápido da NDRC (planejamento econômico chinês). No acumulado de janeiro a setembro, o volume atingiu 309,78 bilhões de metros cúbicos, recuo de 2,5% frente ao mesmo período de 2025. O dado reforça a trajetória de desaceleração da demanda energética chinesa e chega diretamente à mesa de importadores brasileiros de GNL e de fornecedores de equipamentos para o setor, que vinham calibrando contratos com base em um cenário de crescimento mais firme. O boletim rápido divulgado pela NDRC (Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, o ministério de planejamento econômico da China) mostra que o consumo aparente de gás natural no país foi de 32,55 bilhões de metros cúbicos em setembro de 2026, uma queda de 1,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de janeiro a setembro, o volume chegou a 309,78 bilhões de metros cúbicos, recuo de 2,5% na comparação anual. O indicador de consumo aparente é calculado pela produção doméstica somada às importações e subtraídas as exportações e variações de estoque, e é o principal termômetro de curto prazo da demanda chinesa por gás. O impacto chega ao Brasil por três frentes. A primeira é o mercado de GNL: a China é o maior importador global de gás natural liquefeito, e uma demanda mais fraca tende a aliviar a pressão sobre os preços de referência no mercado spot asiático (JKM), o que afeta indiretamente a paridade de preços usada em contratos brasileiros de fornecimento e em leilões de energia. A segunda é a cadeia de bens de capital: fornecedores brasileiros de equipamentos para gás, válvulas, tubulações e serviços de engenharia que atendem projetos de infraestrutura na China podem ver cronogramas de encomenda revisados. A terceira é o setor elétrico: com menor demanda industrial chinesa por gás, o país tende a reduzir importações de curto prazo, o que pode liberar cargas de GNL para outros mercados, incluindo a América Latina, com efeito moderado sobre o custo de aquisição de termelétricas brasileiras. O regulador brasileiro que precisa acompanhar de perto é a ANEEL, na calibração de leilões de energia e nos custos de despacho de usinas a gás, e o Ministério de Minas e Energia, na revisão de cenários de oferta para o Plano Decenal de Energia. Os dados mostram que a queda de setembro é a segunda consecutiva no acumulado anual e confirma uma trajetória de desaceleração que já aparecia nos números do primeiro semestre. Na leitura do CBI, isso indica que a China está entrando no último trimestre de 2026 com demanda energética mais contida do que o mercado projetava no início do ano, o que reduz a probabilidade de picos de preço de GNL no inverno do hemisfério norte. A comparação com 2025 é relevante: naquele ano, o consumo aparente cresceu em ritmo moderado, e a virada para território negativo em 2026 sinaliza que a indústria chinesa, principal consumidora de gás, está operando abaixo do potencial. Para o Brasil, o efeito mais concreto é a possibilidade de renegociar volumes de contratos de fornecimento de GNL e de equipamentos com prazos mais favoráveis, mas também o risco de que fornecedores chineses, com excesso de capacidade interna, redirecionem excedentes para o mercado brasileiro, aumentando a concorrência em segmentos como equipamentos de refrigeração e compressores. O que acompanhar: primeiro, a publicação do boletim completo de setembro pela NDRC, prevista para as próximas semanas, que trará a abertura por setor (industrial, residencial, geração elétrica) e permitirá avaliar se a queda é concentrada na indústria ou disseminada. Segundo, a evolução do índice JKM (referência de preço spot de GNL na Ásia) nas próximas quatro semanas, que deve refletir a menor demanda chinesa e influenciar a paridade de preços usada em contratos brasileiros. Terceiro, o calendário de leilões da ANEEL para 2027, que pode incorporar cenários de oferta de gás mais folgados e alterar a competitividade de termelétricas a gás frente a renováveis.

Nota sobre a fonte

A NDRC, fonte oficial, divulga o dado em boletim rápido e pode suavizar a leitura da fraqueza industrial; a abertura por setor nas próximas semanas é necessária para separar ajuste conjuntural de desaceleração estrutural.

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