Macro & MercadosEste mês

Comércio China-Brasil bate recorde em setembro — exportadores de soja e minério recalibram embarques para o 4º trimestre

· Redação CBI
Soja e oleaginosasMinério de ferroCarne e proteínas

As importações e exportações chinesas superaram 5 trilhões de yuans em um único mês pela primeira vez, com alta de 27,5% em setembro e crescimento de dois dígitos pelo sexto mês consecutivo.

A China registrou em setembro um recorde histórico de comércio exterior: 5,16 trilhões de yuans (cerca de US$ 771 bilhões) em importações e exportações de mercadorias, alta de 27,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas (GACC, a alfândega chinesa). É a primeira vez que o país ultrapassa a marca de 5 trilhões de yuans em um único mês, e o sexto mês consecutivo de crescimento de dois dígitos. Para o exportador brasileiro, o número não é abstrato: a China é o maior destino da soja, do minério de ferro e da carne bovina do Brasil, e um apetite chinês mais forte tende a se traduzir em embarques acelerados nos portos de Santos, Paranaguá e Itaqui até dezembro. O dado divulgado nesta quarta-feira pela alfândega chinesa mostra que as exportações chinesas somaram 3,03 trilhões de yuans em setembro, alta de 29,6% ano a ano, enquanto as importações alcançaram 2,13 trilhões de yuans, avanço de 24,6%. No acumulado dos três primeiros trimestres, o comércio total de mercadorias da China atingiu 39,94 trilhões de yuans, crescimento de 18,8% sobre o mesmo período do ano anterior. As exportações subiram 16,4%, para 23,2 trilhões de yuans, e as importações avançaram 22,3%, para 16,74 trilhões de yuans. O detalhe que interessa ao Brasil está na composição: o crescimento das importações chinesas superou o das exportações ao longo do ano, sinal de que a demanda interna chinesa por matérias-primas, alimentos e energia segue firme — exatamente as categorias que dominam a pauta brasileira. Por que isso chega ao Brasil: a China absorve cerca de um terço das exportações brasileiras, com destaque para soja em grão, minério de ferro, petróleo, carne bovina e celulose. Um mês recorde de comércio chinês tende a se refletir em três frentes para o operador brasileiro. Primeiro, nos embarques: tradings como Cargill, Bunge, ADM e Amaggi, além da Vale no minério, costumam ajustar programação de navios conforme o ritmo de compra chinês. Segundo, nos preços: se a demanda chinesa se mantém aquecida, a curva de prêmios de exportação no Porto de Santos e a paridade de importação em Paranaguá tendem a subir. Terceiro, na regulação: a Receita Federal e o MAPA (Ministério da Agricultura) precisam acompanhar o ritmo de certificação sanitária e desembaraço, especialmente para carne bovina, cujas habilitações de frigoríficos dependem de aval da GACC. Não há, até aqui, mudança regulatória chinesa anunciada — o impacto é via fluxo comercial. Os dados mostram que a China sustentou crescimento de dois dígitos no comércio exterior por seis meses seguidos, algo que não ocorria desde o ciclo de recuperação pós-pandemia. Na leitura do CBI, isso indica que a economia chinesa ainda opera com estímulo relevante do lado industrial e de infraestrutura, o que favorece diretamente minério de ferro e cobre brasileiros. Ao mesmo tempo, o crescimento mais forte das importações chinesas do que das exportações sugere que Pequim está disposta a comprar mais do exterior para sustentar consumo e produção — cenário positivo para soja e carne no 4º trimestre. A ressalva é o efeito base: parte da alta de 27,5% em setembro reflete comparação com um setembro de 2025 mais fraco, e não necessariamente aceleração nova. Para o exportador brasileiro, o sinal é de demanda firme, mas não de euforia de preços. O que acompanhar: primeiro, a divulgação dos dados alfandegários chineses de outubro, prevista para meados de novembro, que confirmará se o patamar de 5 trilhões de yuans se sustenta. Segundo, o ritmo de habilitações de frigoríficos brasileiros pela GACC, que define quantas plantas podem exportar carne para a China nos próximos meses. Terceiro, a curva de prêmios de exportação de soja no Porto de Santos e a paridade em Paranaguá, que sinalizam se o apetite chinês está se traduzindo em preço para o produtor de Mato Grosso e do Paraná.

Nota sobre a fonte

A CGTN é mídia estatal chinesa e adota linguagem otimista padrão sobre o comércio exterior; o próprio texto relativiza o resultado ao citar o efeito base de um setembro de 2025 mais fraco, o que reduz o sinal de aceleração real.

O que isso significa para sua empresa?

A CBI transforma sinais da China em pesquisa de mercado, avaliação de parceiros e apoio à entrada no mercado.

Conversar com a equipe →

Receba o briefing diário

3-5 destaques por dia, direto no e-mail. Gratuito.