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Citi obtém licença de corretora 100% própria na China — bancos brasileiros perdem espaço em emissões e M&A

· Redação CBI

O Citigroup recebeu aprovação da CSRC para abrir corretora integralmente controlada em Xangai, com capital de 1,2 bilhão de yuans, retornando ao mercado acionário chinês após sair da Orient Citi em 2019.

A Comissão Reguladora de Valores Mobiliários da China (CSRC) aprovou em 23 de outubro o pedido da Citigroup Global Markets Holdings para estabelecer uma corretora integralmente controlada em Xangai, com capital registrado de 1,2 bilhão de yuans (cerca de USD 165 milhões). A nova Citi Securities (China) poderá atuar em corretagem, consultoria de investimentos, subscrição e patrocínio de valores mobiliários e negociação por conta própria. O aval marca o retorno do grupo americano ao setor após vender sua participação na Orient Citi em 2019. Para o Brasil, o movimento importa porque bancos de investimento e escritórios de advocacia brasileiros que acompanham emissões de empresas chinesas ou captações de companhias brasileiras no exterior passam a competir com um player global reabilitado no mercado doméstico chinês. A decisão da CSRC, divulgada em 23 de outubro, autoriza a Citigroup Global Markets Holdings a constituir a Citi Securities (China) Co., Ltd. em Xangai, com capital registrado de 1,2 bilhão de yuans — equivalente a cerca de USD 165 milhões. A licença cobre quatro frentes: corretagem de valores mobiliários, consultoria em investimentos, subscrição e patrocínio de ofertas públicas, e negociação por conta própria. A CSRC exige que o Citi conclua o registro comercial em até seis meses. O movimento encerra um hiato de quase cinco anos: o grupo vendeu sua fatia na Orient Citi em 2019, quando Pequim ainda limitava o controle estrangeiro em corretoras, e agora retorna com 100% do capital, beneficiado pela abertura gradual do setor financeiro chinês a partir de 2020. O impacto direto para o Brasil é indireto, mas relevante para o mercado de capitais. Empresas brasileiras que buscam listagens secundárias em Hong Kong ou Xangai, ou que negociam joint ventures com sócios chineses, dependem de bancos de investimento com presença local para estruturar operações. Com o Citi reabilitado como corretora doméstica na China, o banco americano amplia sua capacidade de assessorar clientes brasileiros em transações transfronteiriças — de emissões de bonds em yuan até fusões e aquisições com contrapartes chinesas. Bancos brasileiros com mesa de renda variável e escritórios de advocacia especializados em M&A China-Brasil passam a enfrentar um concorrente com estrutura local completa, algo que não tinham desde 2019. Reguladores como o Banco Central e a CVM não precisam reagir diretamente, mas o movimento sinaliza que Pequim segue abrindo o setor de serviços financeiros a grupos estrangeiros, o que pode facilitar futuras captações de empresas brasileiras no mercado chinês. Os dados mostram que a CSRC vinha autorizando, desde 2020, a formação de corretoras de capital estrangeiro exclusivo — JPMorgan, Goldman Sachs e UBS já obtiveram licenças semelhantes. Na leitura do CBI, a aprovação ao Citi indica que Pequim mantém o cronograma de abertura financeira mesmo em um ambiente de tensões geopolíticas com Washington, o que é um sinal positivo para a previsibilidade regulatória de operações Brasil-China. A diferença em relação a 2019 é que, naquele momento, o Citi saiu porque não podia controlar a Orient Citi; agora, entra com 100% do capital e capitalização robusta, o que sugere apetite de longo prazo pelo mercado chinês. Para o empresário brasileiro, o recado é que o mercado de capitais chinês segue se internacionalizando, e quem tiver operações com a China deve monitorar se o Citi oferecerá produtos de cross-border que possam reduzir custos de captação ou de hedge cambial. O que acompanhar: primeiro, o registro comercial da Citi Securities (China) na Administração Estatal de Regulação do Mercado (SAMR), que deve ocorrer até abril de 2025; segundo, a lista de produtos e serviços que o Citi efetivamente lançará para clientes não chineses, especialmente em renda fixa e câmbio; terceiro, se outros bancos americanos ou europeus seguirão o mesmo caminho, o que pode baratear a estruturação de operações Brasil-China.

Nota sobre a fonte

A Caixin, mídia chinesa, tende a enquadrar a abertura financeira como sinal de previsibilidade regulatória, mas o impacto para PMEs brasileiras é indireto e depende de produtos concretos ainda não lançados.

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