Tecnologia
Chongqing quer 70% de autopeças locais até 2030 — fornecedores brasileiros de aço e alumínio perdem espaço na cadeia chinesa
· Redação CBI
Minério de ferroEletrônicos e máquinas
A metrópole de Chongqing, maior polo automotivo da China, fixou meta de elevar para 70% o índice de fornecimento local de autopeças até 2030, sinalizando substituição de importações que pode reduzir a demanda por insumos brasileiros (aço, alumínio, resinas) e reconfigurar a participação de
O plano de implementação da área metropolitana de Chongqing para o 15º Plano Quinquenal, divulgado recentemente, estabelece que até 2030 mais de 70% das autopeças usadas em veículos 'fabricados em Chongqing' sejam fornecidas dentro da própria região metropolitana. A cidade retomou em 2025 a liderança nacional na produção de automóveis, com 2,788 milhões de veículos — dos quais 1,296 milhão elétricos —, mas reconhece que a escala na montagem não se traduz automaticamente em vantagem em toda a cadeia. Para o Brasil, o movimento sinaliza pressão de substituição de importações em um mercado que consome volumes relevantes de aço, alumínio e componentes químicos brasileiros, além de afetar fornecedores globais que usam o Brasil como base de exportação para a China.
O plano de implementação da área metropolitana de Chongqing para o 15º Plano Quinquenal, divulgado recentemente, estabelece que até 2030 mais de 70% das autopeças usadas em veículos 'fabricados em Chongqing' sejam fornecidas dentro da própria região metropolitana. A cidade retomou em 2025 a liderança nacional na produção de automóveis, com 2,788 milhões de veículos — dos quais 1,296 milhão elétricos, ou 46,5% do total —, mas reconhece que a escala na montagem não se traduz automaticamente em vantagem em toda a cadeia. Durante as 'Duas Sessões' de Chongqing de 2026, Liu Yi, vice-presidente da Chongqing Qiutian Gear, apontou que a indústria local sofre com baixa taxa de fornecimento local de peças centrais e com a lentidão na modernização das autopeças tradicionais. O plano responde diretamente a esse diagnóstico.
O impacto chega ao Brasil de forma indireta, mas mensurável. Chongqing é um dos maiores polos consumidores de aço e alumínio da China, e parte relevante desses insumos vem de fornecedores globais que incluem produtores brasileiros e traders com operações no Brasil. Se a meta de 70% de conteúdo local for cumprida, a demanda por importação de matérias-primas e componentes semicabados tende a cair proporcionalmente, afetando exportadores brasileiros de aço laminado, alumínio primário e resinas plásticas voltadas ao setor automotivo. Além disso, fornecedores brasileiros de autopeças que exportam para montadoras chinesas — ou que participam de cadeias globais das quais a China é destino — precisarão reavaliar contratos de médio prazo. O BNDES e a Camex não têm ação direta sobre a decisão chinesa, mas o setor de comércio exterior brasileiro deve monitorar a evolução das compras chinesas de insumos siderúrgicos e metalúrgicos nos próximos ciclos de safra industrial.
Os dados mostram que Chongqing já foi o maior produtor nacional de automóveis em 2016, com 3,156 milhões de unidades, caiu para 1,383 milhão em 2019 e recuperou a liderança em 2025 impulsionada por elétricos — crescimento de cerca de 30 vezes em cinco anos. Na leitura do CBI, a meta de 70% de conteúdo local não é apenas política industrial: é um sinal de que a China está verticalizando a cadeia de veículos elétricos para reduzir dependência externa em um momento de tensões comerciais com EUA e UE. Para o Brasil, isso significa que a janela para exportar componentes de maior valor agregado ao mercado chinês está se fechando, enquanto a de insumos básicos (minério, alumínio, aço) permanece aberta, mas sob risco de encolhimento gradual. A comparação com o programa 'Made in China 2025' é inevitável: metas de conteúdo local já foram usadas em semicondutores e equipamentos médicos, com efeitos semelhantes sobre fornecedores estrangeiros.
O que acompanhar: primeiro, a publicação dos decretos municipais de Chongqing detalhando quais categorias de autopeças entram na cota de 70% e se há tratamento diferenciado para fornecedores estrangeiros com fábricas na região; segundo, os dados trimestrais de importação chinesa de aço e alumínio com origem brasileira, que devem ser monitorados via Comex Stat e GACC (alfândega chinesa); terceiro, a reação de montadoras como Changan e Seres, que podem acelerar a nacionalização de fornecedores e, com isso, reduzir pedidos a fornecedores globais que operam no Brasil.
O que isso significa para sua empresa?
A CBI transforma sinais da China em pesquisa de mercado, avaliação de parceiros e apoio à entrada no mercado.
Conversar com a equipe →Receba o briefing diário
3-5 destaques por dia, direto no e-mail. Gratuito.