Macro & Mercados
China zera tarifas sobre lagosta e ervilha canadenses — exportadores brasileiros perdem espaço em nicho de US$ 200 milhões
· Redação CBI
Soja e oleaginosas
A China suspendeu tarifas punitivas de 100% sobre tortas de óleo e ervilhas canadenses e de 25% sobre lagostas e caranguejos do Canadá entre março e dezembro de 2026, reabrindo um mercado de proteína premium que o Brasil vinha ocupando parcialmente desde 2025.
A Comissão de Tarifas Aduaneiras do Conselho de Estado chinês publicou em 27 de fevereiro o Aviso nº 2 de 2026, suspendendo temporariamente as tarifas adicionais impostas ao Canadá em 2025. De 1º de março a 31 de dezembro de 2026, deixam de vigorar a sobretaxa de 100% sobre tortas de óleo e ervilhas canadenses e a de 25% sobre lagostas e caranguejos do país. A medida decorre do consenso entre os líderes Xi Jinping e Mark Carney e reabre um corredor de importação que o Brasil havia começado a ocupar como alternativa — especialmente no segmento de frutos do mar premium e proteína vegetal para ração.
O Aviso nº 2 de 2026 da Comissão de Tarifas Aduaneiras do Conselho de Estado, órgão vinculado ao Ministério das Finanças chinês, formaliza a suspensão de tarifas adicionais sobre quatro categorias de produtos canadenses: tortas de óleo, ervilhas, lagostas e caranguejos. A decisão tem prazo definido — de 1º de março a 31 de dezembro de 2026 — e revoga parcialmente o Aviso nº 3 de 2025, que havia imposto sobretaxas de 100% e 25% respectivamente. O texto cita o consenso entre os líderes da China e do Canadá como fundamento político, e se apoia na Lei Tarifária, na Lei Aduaneira e na Lei de Comércio Exterior da República Popular da China.
Para o Brasil, o impacto é indireto, mas relevante em dois nichos específicos. No caso das tortas de óleo e ervilhas, o Brasil é fornecedor consolidado de farelo de soja para ração animal, e a volta do produto canadense ao mercado chinês sem sobretaxa pressiona o prêmio que exportadores brasileiros vinham capturando desde 2025. Já no segmento de lagostas e caranguejos, o Brasil — especialmente Santa Catarina e Rio Grande do Norte — ampliou embarques para a China nos últimos 18 meses como substituto parcial do fornecedor canadense. A reabertura do corredor canadense deve comprimir preços e reduzir margem dos exportadores brasileiros de pescado premium já no segundo trimestre.
Os dados mostram que a China importou do Canadá, em 2024, cerca de US$ 1,2 bilhão em tortas de óleo e ervilhas e aproximadamente US$ 350 milhões em lagostas e caranguejos. Na leitura do CBI, a suspensão não é um gesto isolado: ela faz parte de uma sequência de acordos bilaterais que Pequim vem costurando para diversificar fornecedores e reduzir dependência de rotas únicas — o que, paradoxalmente, aumenta a concorrência para o Brasil em vez de abrir espaço. O padrão se repete: sempre que a China normaliza relações com um fornecedor alternativo, o prêmio de substituição que o exportador brasileiro captura tende a desaparecer em dois a três trimestres.
O que acompanhar: primeiro, a publicação do anexo com a lista detalhada de produtos elegíveis, que define se categorias específicas de crustáceos congelados e processados entram no escopo. Segundo, os embarques canadenses de março e abril, que indicarão a velocidade de retomada e o efeito sobre preços CIF na China. Terceiro, a reação da CAMEX e do MAPA sobre eventual revisão de cotas ou incentivos à exportação de pescado brasileiro para compensar a perda de competitividade relativa.
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