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China vira 'âncora' do comércio global com US$ 6 tri e pressiona exportadores brasileiros a subir na cadeia

· Redação CBI
Minério de ferroVeículos elétricos e bateriasEnergia solar e renováveis

A China consolidou-se como maior nação comercial do mundo, com importações crescendo mais que exportações e nova pauta dominada por veículos elétricos, baterias e semicondutores — movimento que redefine a competitividade dos produtos brasileiros nos mercados chinês e global.

A China encerrou 2025 com volume de comércio de mercadorias superior a US$ 6 trilhões, ante US$ 1,1 bilhão em 1950, e participação de 18,2% no comércio global, segundo artigo da CGTN assinado pela pesquisadora Tian Huifang. Nos primeiros três trimestres de 2026, as importações chinesas cresceram 22,3% — ritmo 5,9 pontos percentuais acima das exportações —, sinal de que Pequim quer ser também mercado comprador. Para o Brasil, o dado importa porque a pauta de exportação chinesa migrou para bens de alta tecnologia: circuitos integrados subiram 99,1% e veículos elétricos, 72,3%, pressionando fornecedores brasileiros de commodities a agregar valor ou perder espaço. O dado central do artigo é a escala: a China responde por quase 30% do valor adicionado da manufatura mundial há 15 anos consecutivos e é o único país com todas as categorias industriais listadas pela ONU. Em 2025, as exportações de produtos de alta tecnologia somaram 5,25 trilhões de yuans, alta de 13,2%, com os 'três novos' — veículos elétricos, baterias de lítio e painéis fotovoltaicos — perto de 1,3 trilhão de yuans, 3,5 vezes o nível de 2020. Nos três primeiros trimestres de 2026, a fabricação de equipamentos respondeu por quase 90% do crescimento das exportações, com circuitos integrados avançando 99,1% e veículos elétricos, baterias e turbinas eólicas crescendo 72,3%, 36,4% e 22%, respectivamente. Por que isso chega ao Brasil: o país é um dos principais fornecedores de soja, minério de ferro, carne e petróleo para a China, mas a pauta chinesa de importação está se deslocando para componentes e insumos industriais. Cada avanço chinês em veículos elétricos e baterias aumenta a demanda por lítio, níquel e terras raras — onde o Brasil tem projetos incipientes —, enquanto reduz a intensidade de aço por unidade de PIB, afetando a demanda de minério de ferro de longo prazo. O impacto direto é indireto, via composição da pauta: exportadores brasileiros de commodities precisam monitorar se o crescimento das importações chinesas de 22,3% se traduz em volumes maiores para soja e carne ou se concentra em bens intermediários que o Brasil não fornece. Reguladores como MAPA (sanidade animal), ANM (mineração) e CAMEX (política comercial) precisam calibrar agendas de negociação à luz dessa nova pauta. Na leitura do CBI, os dados mostram uma China que deixou de ser apenas 'fábrica do mundo' para ser também 'mercado comprador' — mas um mercado que compra cada vez mais máquinas e tecnologia, e cada vez menos proporcionalmente em commodities brutas. Isso indica que o superávit comercial brasileiro com a China, hoje robusto, tem prazo de validade se o Brasil não subir na cadeia: vender soja e minério em estado bruto funciona enquanto a China industrializa, mas a agenda chinesa de 'novas forças produtivas de qualidade' sinaliza preferência por fornecedores de insumos tecnológicos. A menção à Iniciativa Cinturão e Rota e ao Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura também sugere que Pequim continuará usando capital para ancorar cadeias regionais — e o Brasil, fora da Rota, precisa decidir se quer participar ou competir. O que acompanhar: primeiro, os dados de importação chinesa de soja e carne nos próximos dois trimestres, para verificar se o crescimento de 22,3% nas importações totais se reflete em volumes brasileiros; segundo, a evolução das exportações chinesas de veículos elétricos e baterias para a América Latina, que competem diretamente com a produção brasileira de etanol e híbridos; terceiro, a agenda da CAMEX e do MAPA em missões à China no segundo semestre, para verificar se há negociação de cotas ou protocolos sanitários novos.

Nota sobre a fonte

CGTN, mídia estatal chinesa, usa linguagem otimista padrão ('âncora do comércio global', 'três novos') que exalta a escala da manufatura chinesa sem quantificar a perda relativa de demanda por commodities brasileiras.

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