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China unifica mercado elétrico no Sul e abre leilão de transmissão — oportunidade para fornecedores brasileiros de equipamentos

· Redação CBI
Infraestrutura e construçãoEnergia solar e renováveisEletrônicos e máquinas

O Mercado Regional de Eletricidade do Sul da China passou de fase experimental para operação oficial, integrando cinco províncias e todas as fontes de energia sob regras únicas de precificação e leilão de direitos de transmissão — modelo que sinaliza demanda por equipamentos e serviços de rede, com

A China colocou em operação oficial, em 24 de outubro, o Mercado Regional de Eletricidade do Sul — o primeiro do país —, após mais de um ano de testes de liquidação contínua que movimentaram quase 900 bilhões de kWh entre janeiro e setembro deste ano, mais de 70% das vendas da rede da China Southern Power Grid. O modelo integra Guangdong, Guangxi, Yunnan, Guizhou e Hainan sob regras unificadas de precificação para carvão, hidrelétrica, nuclear, eólica e solar, e leiloa direitos de transmissão entre áreas de operação. Para o Brasil, o movimento importa menos pelo volume em si e mais pelo precedente regulatório: consolida a lógica de mercado spot com serviços auxiliares que a ANEEL vem discutindo, e sinaliza demanda chinesa por equipamentos de rede e software de despacho — nichos em que fornecedores brasileiros de subestações e empresas de tecnologia energética podem se posicionar. O anúncio foi feito em Guangzhou, na reunião de transição para operação oficial do Mercado Regional de Eletricidade do Sul, sob orientação da NDRC (planejamento econômico chinês) e da Administração Nacional de Energia. O mercado havia iniciado o teste de liquidação contínua em junho de 2025 e, segundo a China Southern Power Grid, resistiu a cenários de clima extremo e a múltiplos tipos de transação. A estrutura é multinível: contratos de médio e longo prazo como base, mercado spot como referência de preço e mercado de serviços auxiliares para ajuste fino. Todos os agentes das cinco províncias competem em pé de igualdade, e todas as fontes — carvão, hidrelétrica, nuclear, eólica e fotovoltaica — são liquidadas sob as mesmas regras. Os direitos de transmissão entre áreas de operação são alocados por leilão, permitindo que energia hidrelétrica do sudoeste e eólica e solar do noroeste socorram centros de carga como a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau e o Delta do Rio Yangtze. No período de teste, a interconexão com a área da State Grid movimentou 19,4 bilhões de kWh. Por que isso chega ao Brasil: o desenho chinês — spot como referência, serviços auxiliares remunerados e leilão de transmissão — é o mesmo cardápio que a ANEEL vem tentando implementar no Brasil desde a consulta pública sobre o mercado de curto prazo e a reforma do setor elétrico. A diferença é que a China acabou de operacionalizar em escala regional o que o Brasil ainda discute em papel. Para exportadores brasileiros, o efeito direto é limitado: a China não importa eletricidade do Brasil. O impacto é indireto, via três canais. Primeiro, fornecedores brasileiros de equipamentos de subestação, cabos de alta tensão e software de despacho podem encontrar espaço em licitações da China Southern Power Grid, que precisa expandir a malha para suportar o volume transacionado. Segundo, empresas brasileiras de tecnologia energética que operam no mercado livre brasileiro passam a ter um benchmark regulatório concreto para negociar com a ANEEL. Terceiro, o modelo chinês pressiona o Brasil a acelerar a abertura do mercado livre para consumidores de menor tensão, tema em consulta pública na ANEEL. Os dados mostram que, de janeiro a setembro, o volume transacionado no mercado do Sul foi de quase 900 bilhões de kWh, com 40% do novo volume de vendas fornecido por novas energias; o volume máximo liquidado em um único dia superou 4 bilhões de kWh; o registro de agentes passou de 290 mil; e a taxa de utilização de geração de novas energias na região ficou acima de 95%, sustentando que renováveis se tornaram a maior fonte da rede. Na leitura do CBI, o número mais relevante para o leitor brasileiro não é o volume, mas a taxa de utilização: 95% de aproveitamento de eólica e solar em uma rede com mercado spot e serviços auxiliares é exatamente o argumento que o setor renovável brasileiro usa para pedir mais flexibilidade e armazenamento — e que a ANEEL ainda não resolveu. O precedente chinês enfraquece a tese de que renovável em escala exige subsídio permanente; o que exige é mercado de ajuste bem desenhado. O que acompanhar: (1) o edital de leilão de direitos de transmissão entre áreas de operação, que deve sair nos próximos meses e indica o volume de equipamentos que a China Southern Power Grid precisará comprar; (2) a consulta pública da ANEEL sobre mercado de curto prazo, cujo calendário pode ser influenciado pelo precedente chinês; (3) a abertura gradual do lado da demanda no mercado chinês, mencionada por Huang He, gerente-geral do Centro de Controle de Despacho de Energia do Sul da China, que pode criar espaço para comercializadoras brasileiras de energia com operação na Ásia.

Nota sobre a fonte

A 人民网, mídia oficial chinesa, tende a destacar o sucesso institucional e a estabilidade do mercado elétrico, enquanto a oportunidade real para fornecedores brasileiros dependerá de requisitos de homologação e conteúdo local nos editais chineses.

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